Há um quadro de Magritte que representa a capacidade de extrapolar a partir de um contexto: o artista é capaz de ver um ovo e pintar uma ave. Há um poema de Blake que nos fala de “ver o mundo em um grão de areia e todo o céu em uma flor selvagem, em ter o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora”. Também aqui, as capacidades de articulação micro/macro, de combinação análise/síntese são especialmente valorizadas.
Tanto a relação contexto/extrapolação quanto a capacidade de uma visão sintética, de uma cartografia simbólica do real, exigem, no entanto, os cuidados do tempero, ou de um grão de sal. Uma lagartixa imóvel em um muro nos faz lembrar de Blake e Magritte. A imaginação pode nos levar do pequeno réptil ao enorme jacaré, tal como uma miniatura metálica nos faz pensar no automóvel real. Mas temer a lagartixa como se teme um jacaré não é virtude da imaginação; pode ser simples paranoia. Falar em público e viajar de avião, às vezes, são lagartixas disfarçadas de jacarés. MACHADO, N. J. A lagartixa e o jacaré.
Disponível em http://www.nilsonjosemachado.net/mil-e-uma-146-a-lagartixa-e-o-jacare/. Acesso em jun. 2016.
Falar em público e viajar de avião, às vezes, são lagartixas disfarçadas de jacarés.
A afirmação acima, retirada do texto, pode ser categorizada como uma
TEXTO:
Sobre os elementos linguísticos presentes no texto, a única análise correta é a indicada na alternativa
Sobre o assunto principal dessa capa de revista, é correto afirmar:
Sobre as características da doutrina criticada na charge, é incorreto afirmar que ela seja favorável à
TEXTO:
Bicho-Papão Moderno
O terrível bicho-papão, a mula-sem-cabeça, as assombrações e outros personagens fictícios que tiraram o sono das crianças por várias gerações perderam seu status. Criança moderna se apavora mesmo é com ladrão, tiroteio e sequestro. Sintonizadas com as notícias sobre violência cotidiana, garotas e garotos das grandes cidades se impressionam com o arrastão do Rio de Janeiro (grupos que, em bandos, assaltam as praias), têm medo dos meninos que fugiram da Febem em São Paulo e tremem ao pensar em rituais satânicos, como o que matou o menino Evandro, em Guaratuba, no Paraná, em abril de 1992.
[...]
Sempre em contato muito próximo com a realidade desenhada pelas notícias de televisão ou pelas informações violentas colhidas no cotidiano, as crianças expressam seu bicho-papãpo de diversas formas. “O medo é a principal doença infantil hoje”, afirma José Henrique Goulart da Graça, pediatra do Hospital Miguel Couto, que está concluindo uma pesquisa sobre violência urbana. “Muitas crianças exteriorizam seu medo através de doenças psicológicas, como dor de cabeça, diarreia e gastrite”, diz o médico.
DISMENNSTEIN, Gilberto.Cidadão de Papel. São Paulo, Atica, 1996. p. 28-29.Segundo o autor, uma consequência do medo como um sentimento frequente e banalizado no cotidiano infantil dá-se porque
TEXTO:
Amar e ser amado Amar e ser amado!
Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
[5] Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
[10] P’ra tão puro e celeste sentimento:
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano
–Beijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
[15] Confundido também – amante – amado
Como um anjo feliz... que pensamento!?
São características pertinentes ao texto, exceto
TEXTO:
O século XXI trouxe, em seu bojo, uma série de
promessas apocalípticas, assim como a profunda
sensação de severas mudanças nas relações
econômicas e socioculturais. Contemplamos essas
[5] modificações na busca de diretrizes e de novos valores
que possam redirecionar as múltiplas relações a que
estamos submetidos e traçar um novo perfil de escola,
de trabalho e de desenvolvimento social.
Ora, é certo que o individualismo é fruto das
[10] sociedades modernas. Se, por um lado, a valorização
do indivíduo livrou a humanidade dos entraves do
dogmatismo religioso e abriu as portas para a conquista
do desenvolvimento, por outro, transformou também a
natureza em domínio e conquista, e o humano, em
[15] moeda de troca. Se a “globalização” religiosa, utopia
que marcou os interesses da Igreja Católica em toda a
Idade Média e legitimou os interesses políticos das
chamadas “Cruzadas”, falhou, a globalização econômica
mostra, hoje, os sinais de sua força e legitima em nome
[20] da liberdade e do indivíduo a intolerância, a
homogeneização dos valores, dos gostos e até da língua.
Em nome da unidade se exerce o domínio e a conquista,
seja ela do mercado, seja dos valores ou da natureza.
Ser cidadão não é ser único, mas ser a cidade,
[25] reconhecer-se nas leis da cidade e compreendê-las. As
ideias de BEM, JUSTIÇA, VERDADE tornam-se a meta
a ser atingida para o bem-viver, e a ética, o esforço para
alcançar esses ideais...
GARCIA, Dalva Aparecida. Ética e cidadania no mundo contemporâneo. Disponível em: . Acesso em: 26 set. 2016. Adaptado.Quanto ao léxico usado no texto, é correto afirmar:
Você certamente já deve ter ouvido falar do PIB, que quer
dizer Produto Interno Bruto. E ele é exatamente o que sua
sigla diz: a soma de todos os bens e serviços produzidos em
um local em determinado período. (...) É ele que indica o
grau de atividade econômica de um lugar.
Durante muito tempo, especialmente na época do regime
militar, os governantes brasileiros gabavam-se de que Brasil
tinha o oitavo PIB do mundo (...) e temos conseguido vitórias
importantes na esfera do comércio internacional.
Diz-se que, pelo PIB, é possível saber se um país é
desenvolvido ou não. Mas somente esse dado não basta
para analisar a economia. Por isso os economistas utilizam
também o PIB per capita, que é a soma de tudo o que a
economia de um país produz dividida pelo número de seus
habitantes.
No entanto, ainda estamos falando de economia, e um país
é formado por pessoas de carne e osso. Assim, o PIB per
capita também está longe de ser satisfatório para uma
análise mais realista.
Se, ao invés do PIB, que mede apenas aspectos econômicos,
utilizarmos como parâmetro de nosso desenvolvimento o
IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que leva em conta
uma série de outros fatores importantes para a qualidade de
vida, notaremos que ainda falta muito a fazer para que o
Brasil se torne, de fato, a sexta potência mundial.
(...)
Só teremos uma noção mais exata do desenvolvimento de
um país se verificarmos seus indicadores sociais. Muito mais
que os indicadores econômicos, são eles que mostram as
condições em que a população vive.
Há uma série de estatísticas que apresentam a diferença
entre o desenvolvimento econômico e social. A mais
reveladora delas é a taxa de mortalidade infantil. Ela revela
bastante sobre as condições de saúde de um povo, pois
está relacionada com nutrição, saneamento básico e
habitação. Esses dados dão uma ideia mais realista do poder
aquisitivo da população e de suas condições de vida. Por
isso, podemos ver que o orgulho do PIB brasileiro não tem
muito sentido.
Para o autor do texto, os indicadores que mais importam na avaliação da qualidade de vida de um povo estão bem mais expressos em
TEXTO:
Para Hagar, o mundo é educativo exatamente porque
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Os termos “entre feras” (v. 3) e “ser fera” (v. 4) exercem, respectivamente, funções de