“E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade
quente e lodosa, começou a minhocar, ali mesmo daquele
lameiro, a multiplicar-se como larvas no esterco.”
As palavras “encharcada” e “fumegante” são, respectivamente,formadas pelos processos de
TEXTO:
A Rosa de Hiroxima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
[5] Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
[10] Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
[15] A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
MORAES, Vinícius. Vinícius de Moraes: poesia completa e prosa. São Paulo, Nova Aguiar. p. 381.As informações e as imagens construídas pelo poeta asseguram afirmar:
“E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade
quente e lodosa, começou a minhocar, ali mesmo daquele
lameiro, a multiplicar-se como larvas no esterco.”
As duas últimas vírgulas, no fragmento destacado, têm explicação, de acordo a norma-padrão, por
TEXTO:
Versos íntimos
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!
[5] Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
[10] O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa ainda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Analisando-se a primeira estrofe, pode-se afirmar que
Dizem as escrituras sagradas: “Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer”. A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A “reverência pela vida” exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a “morienterapia”, o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a “Pietà” de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
ALVES, Rubem. Sobre a morte e o morrer. Folha de S. Paulo. São Paulo, 12 out. 2003. Caderno Sinapse, p. 3.A voz autoral, no final da crônica, em tom de piada, sugere uma nova especialidade médica, a “morienterapia”, cuja padroeira seria “Pietà” e, desse modo,
TEXTO:
O século XXI trouxe, em seu bojo, uma série de
promessas apocalípticas, assim como a profunda
sensação de severas mudanças nas relações
econômicas e socioculturais. Contemplamos essas
[5] modificações na busca de diretrizes e de novos valores
que possam redirecionar as múltiplas relações a que
estamos submetidos e traçar um novo perfil de escola,
de trabalho e de desenvolvimento social.
Ora, é certo que o individualismo é fruto das
[10] sociedades modernas. Se, por um lado, a valorização
do indivíduo livrou a humanidade dos entraves do
dogmatismo religioso e abriu as portas para a conquista
do desenvolvimento, por outro, transformou também a
natureza em domínio e conquista, e o humano, em
[15] moeda de troca. Se a “globalização” religiosa, utopia
que marcou os interesses da Igreja Católica em toda a
Idade Média e legitimou os interesses políticos das
chamadas “Cruzadas”, falhou, a globalização econômica
mostra, hoje, os sinais de sua força e legitima em nome
[20] da liberdade e do indivíduo a intolerância, a
homogeneização dos valores, dos gostos e até da língua.
Em nome da unidade se exerce o domínio e a conquista,
seja ela do mercado, seja dos valores ou da natureza.
Ser cidadão não é ser único, mas ser a cidade,
[25] reconhecer-se nas leis da cidade e compreendê-las. As
ideias de BEM, JUSTIÇA, VERDADE tornam-se a meta
a ser atingida para o bem-viver, e a ética, o esforço para
alcançar esses ideais...
GARCIA, Dalva Aparecida. Ética e cidadania no mundo contemporâneo. Disponível em: . Acesso em: 26 set. 2016. Adaptado.A vírgula indica a supressão de um termo no fragmento transcrito na alternativa
TEXTO:
A tira evidencia
TEXTO:
A Medicina como síntese ativa de ciência e arte
Toda racionalidade médica, independentemente de
seu paradigma, caracterizou-se historicamente por
sintetizar, em uma atividade (práxis), a arte de curar
doentes (techne) e um conhecimento ou ciência de
[5] doenças (gnose, episteme). A história dessa atividade
é, talvez, tão antiga como o próprio homem na Terra, e
durante milênios não houve, aparentemente, na práxis
desse mediador entre os homens, o sofrer e a morte,
nenhuma divisão entre conhecimento e arte.
[10] A origem do conhecimento do médico era sagrada
e, em sua experiência pessoal vivida, que incluía uma
socialização e um treinamento de natureza esotérica,
este sintetizava episteme e techne.
De qualquer forma, a natureza do saber,
[15] nitidamente filosófico (religioso ou não), diferia
essencialmente do saber moderno, que busca o
científico como ideal de verdade desde o século XVII.
Nesse contexto, a Medicina ocidental pode ser vista
como uma racionalidade médica específica, inserida em
[20] uma história cultural também específica, conhecida como
civilização ocidental.
Houve, portanto, um percurso progressivo de
separação histórica e cultural entre os dois termos
básicos que constituem o cerne da Medicina, isto é, o
[25] conhecimento das doenças e a arte de curar, o que não
foi seguido pelas medicinas orientais.
LUZ, Madel. A medicina como síntese ativa de ciência e arte. Disponível em: . Acesso em: 31 ago. 2014. Com ajustes.“Houve, portanto, um percurso progressivo de separação histórica e cultural entre os dois termos básicos que constituem o cerne da Medicina, isto é, o conhecimento das doenças e a arte de curar, o que não foi seguido pelas medicinas orientais.” (l. 22-26)
A respeito da frase em destaque, é correto afirmar:
TEXTO:
Um programa de computador, desenvolvido na
Universidade da Califórnia, em Berkeley, conseguiu
traduzir em palavras a atividade cerebral. O experimento,
descrito no periódico PLoS Biology, foi realizado com
[5] 15 pacientes de cirurgia no cérebro, que ouviram um
grupo selecionado de palavras durante cinco a dez
minutos. Embora algumas palavras fossem difíceis de
reconhecer, o resultado foi considerado muito promissor.
O programa pode dar origem a próteses que ajudem
[10] pessoas mudas a falar.
Leitor Mental. Planeta, São Paulo, ano 40, edição 475, p. 20.A partir das informações contidas no texto, é correto afirmar:
TEXTO:
Vozes da morte
Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!
Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!
Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,
Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte, inda teremos filhos.
ANJOS, Augusto dos. Vozes da morte. Eu e outros poemas. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 62-63. (Coleção A obra-prima de cada autor).A leitura do texto permite inferir corretamente que esse texto, na verdade,