O MENINO DO QUADRO NEGRO
No fundo ele sabia os “por quês”, e principalmente o “por que”, de apenas um pedaço de giz e um
pequeno quadro constituírem seu material escolar. Desde pequeno sempre fora muito esperto, captava as
coisas de longe, e agora nesta situação de sua sociedade de dupla cor, sabia que a intenção era deixar seu
povo com uma memória tão curta que restasse apenas a resignação perante aquilo tudo.
Por Vanessa Batista de Andrade.
Nota: Na África do Sul, em tempos de Apartheid (1948-1990), o setor educacional direcionado ao
desenvolvimento da população negra foi um dos setores que teve menos investimento por parte do
governo, 90% era investido no desenvolvimento da educação da população branca, e apenas 10% era
aplicado à educação da população negra. Um dos meios usados para que esta educação fosse
extremamente precária foi a utilização de pequenos quadros negros que eram destinados aos alunos
negros no lugar dos cadernos. Dessa forma, a apreensão e o aprendizado só eram possíveis de forma
momentânea e imediata, não possibilitando um processo de conhecimento mais profundo da realidade.
http://www.carosamigos.com.br/index.php/artigos-e-debates/5487-o-menino-do-quadro-negro
Marque a alternativa CORRETA.
TEORIA QUE NÃO SE DIZ TEORIA
A separação entre teoria e prática é um histórico problema filosófico. Em diversos contextos, a prática é supervalorizada enquanto a teoria é diminuída. A prática é tida como urgente, e a teoria colocada como uma inutilidade, como perda de tempo. A supervalorização da prática serve ao mundo da produtividade capitalista que precisa achatar a importância da teoria e com isso qualquer coisa que diga respeito ao pensamento.
A separação entre teoria e prática serve para ajustar o imaginário coletivo. Há teorias por trás de todas as ações práticas, mas isso não deve ser revelado. E há teorias por trás das “inações” de uma sociedade acomodada que, por mais que possam parecer nada práticas, são muito, mas muito práticas (...). Coluna da filósofa Márcia Tiburi publicada na edição de outubro/2015 da revista CULT.
Assinale a alternativa que corresponde ao texto.
Leia o recorte do texto abaixo e marque a alternativa CORRETA.
As pessoas que têm algum tipo de deficiência física ou intelectual costumam ser chamadas de “portadores de necessidades especiais”. Embora essa expressão, que tenta abranger num só grupo pessoas com quaisquer tipos de deficiência, seja usada como politicamente correta, aqueles que ela procura nomear pensam de modo diverso, pois repelem o termo “portador”.
“(...) Em primeiro lugar, como ninguém pode amar uma coisa de todo ignorada, deve- -se examinar com diligência de que natureza é o amor dos estudantes, entendendo-se por estudantes os que ainda não sabem, mas desejam saber. Naqueles casos em que a palavra estudo não é usual, podem existir amores de ouvido: como quando o ânimo se acende em desejo de ver e de gozar devido à fama de alguma beleza, porque possui uma noção genérica das belezas corpóreas pelo fato de ter visto muitas delas, e existe no interior dele algo que aprova o que no exterior é cobiçado. Quando isto acontece, o amor não é paixão de uma coisa ignorada, pois já conhece seu gênero. Quando amamos um varão bondoso, cujo rosto nunca vimos, amamo-lo pela notícia das virtudes que conhecemos na própria verdade”
SANTO AGOSTINHO, De Trinitade, livro 10.A partir do texto de Santo Agostinho, assinale a alternativa CORRETA.
“Aquele que vos domina tanto só tem dois olhos, só tem duas mãos, só tem um corpo, e não tem outra coisa que o que tem o menor homem do grande e infinito número de vossas cidades, senão a vantagem que lhe dais para destruir-vos. De onde tirou tantos olhos com os quais vos espia, se não os colocais a serviço dele? Como tem tantas mãos para golpear-vos, se não as toma de vós? Os pés com que espezinha vossas cidades, de onde lhe vêm senão dos vossos? Como ele tem algum poder sobre vós, senão por vós? Como ousaria atacar-vos se não estivesse conivente convosco? Que poderia fazer-vos se não fôsseis receptadores do ladrão que vos pilha, cúmplices do assassino que vos mata, e traidores de vós mesmos? ” (LA BOÉTIE, Discurso da servidão voluntária).
A partir deste texto de La Boétie, assinale a alternativa CORRETA.
Assinale a alternativa correta sobre o conto A sereníssima república, de Machado de Assis.
Leia o conto Memórias da afasia, de Moacyr Scliar.
Nos últimos anos de sua vida Mateus descobriu, consternado, que mesmo o seu derradeiro prazer – escrever no diário – lhe havia sido confiscado pela afasia, que nele se manifestava como esquecimento de certas palavras. A coisa foi gradual: a princípio, eram poucos os vocábulos que lhe faltavam. Recorrendo a um de sinônimos, ele conseguia preencher com êxito as lacunas. Com o decorrer do tempo, porém, acentuou-se o , e o desgosto por este gerado. Foi então que ele começou a deixar em branco os espaços que não consegue preencher. Era com fascinação que contemplava esses vazios em meio ao ; tinha certeza de que as letras ali estavam, como se traçadas com tinta invisível por mão também invisível. Essa existência virtual das palavras não o afligia, pelo contrário; sabia que o é tão importante quanto o não . No território da afasia ele encontrava agora uma pátria. Ali recuperaria o seu passado perdido. Ali se uniria definitivamente àquela que fora seu grande amor, uma linda moça chamada .
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre o conto.
( ) O distúrbio de linguagem de Mateus afeta também o narrador, o que explica os espaços em branco no texto.
( ) Os espaços em branco no texto constroem a metáfora de uma das principais características da literatura: as lacunas de interpretação.
( ) O título do conto constrói o paradoxo da afasia, que se caracteriza pela perda da memória.
( ) Os vazios no texto apontam um dos traços da recuperação do passado, que se constrói a partir do que se lembra e do que se esquece.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
No bloco superior abaixo, estão listados títulos de romances; no inferior, aspectos do enredo a eles relacionados.
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1- Cadernos de memórias coloniais
2- Ponciá Vicêncio
3- Úrsula
( ) A personagem trabalha muito bem o barro, produzindo objetos que contam a história das origens ancestrais de sua família e dos descendentes de escravizados da comunidade rural onde nasceu.
( ) O relato é centralizado na figura do pai, personificação da lógica de dominação patriarcal que estrutura o processo colonizador.
( ) Tulio, Suzana e Antero são personagens representados em sua identidade negra, no contexto da sociedade escravocrata brasileira.
( ) A colonização portuguesa em Moçambique é narrada, evidenciando episódios de violência física, verbal e sexual, sofrida por negras e negros, testemunhados pela autora quando criança.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
O cortiço (1890) e Dom Casmurro (1899) foram publicados na mesma década, porém apresentam registros de linguagem diferentes, como se pode ver nos trechos abaixo.
No bloco superior, estão listados nomes de personagens de O cortiço e de Dom Casmurro; no inferior, os trechos dos romances em que essas personagens são descritas.
Associe adequadamente o bloco inferior ao bloco superior.
1 - Firmo (O cortiço)
2 - Escobar (Dom Casmurro)
3 - Jerônimo (O cortiço)
4 - José Dias (Dom Casmurro)
( ) [...] viera da terra, com a mulher e uma filhinha ainda pequena, tentar a vida no Brasil, na qualidade de colono de um fazendeiro, em cuja fazenda mourejou durante dois anos, sem nunca levantar a cabeça, e de onde afinal se retirou de mãos vazias e uma grande birra pela lavoura brasileira. Para continuar a servir na roça tinha que sujeitar-se a emparelhar com os negros escravos e viver com eles no mesmo meio degradante, encurralado como uma besta, sem aspirações, nem futuro, trabalhando eternamente para outro.
( ) [...] era um mulato pachola, delgado de corpo e ágil como um cabrito; capadócio de marca, pernóstico, só de maçadas, e todo ele se quebrando nos seus movimentos de capoeira. Teria seus trinta e tantos anos, mas não parecia ter mais de vinte e poucos. Pernas e braços finos, pescoço estreito, porém forte; não tinha músculos, tinha nervos.
( ) Era um rapaz esbelto, olhos claros, um pouco fugitivos, como as mãos, como os pés, como a fala, como tudo. Quem não estivesse acostumado com ele podia acaso sentir-se mal, não sabendo por onde lhe pegasse. Não fitava de rosto, não falava claro nem seguido; as mãos não apertavam as outras, nem se deixavam apertar delas, porque os dedos, sendo delgados e curtos, quando a gente cuidava tê-los entre os seus, já não tinha nada.
( ) [...] apareceu ali vendendo-se por médico homeopata; levava um Manual e uma botica. Havia então um andaço de febres; [...] curou o feitor e uma escrava, e não quis receber nenhuma remuneração. Então meu pai propôs-lhe ficar ali vivendo, com pequeno ordenado. [...] recusou, dizendo que era justo levar a saúde à casa de sapé do pobre.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Sobre Úrsula, romance de Maria Firmina dos Reis, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações.
( ) O romance é narrado em primeira pessoa por Úrsula, jovem negra escravizada e depois alforriada por Tancredo, senhor com quem a protagonista se casa.
( ) A linguagem apresenta variedade de registro: personagens negras comunicam-se de forma coloquial, personagens brancas adotam a norma culta da língua.
( ) O enredo está centrado no amor fracassado entre Úrsula e Tancredo, embora personagens como Túlio e mãe Susana sejam cruciais para o romance, especialmente na definição de seu caráter antiescravista.
( ) O escravocrata comendador Fernando P., antagonista de Tancredo na disputa por Úrsula, arrepende-se de seus crimes no final da vida e, recolhido em um convento, transforma-se no frei Luís de Santa Úrsula.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é