Leia o microconto “Adão”, de João Gilberto Noll, publicado em Mínimos, múltiplos, comuns.
“Resguardo”, palavra vetusta. Verdadeiros camafeus a recebem, figuras fora do alcance de qualquer viva vibração. Ela estava agora fora do alcance até de si mesma, já era substância de uma outra, alguém que de fato nunca vira em seus embalos, flutuações, transtornos. Deitada no tapete, feito roupa despida, sem sustentar por mais de alguns segundos alguma consciência de si ou do entorno. Já no seu terceiro dia de abandono. Batem à porta, ela não ouve. Soletram bem alto seu nome, suplicam. Em vão. Até que num ímpeto retorna a seu antigo pesadelo e diz: “Vou atender, vou sim, é minha viciada missão...”. Levanta-se com esforço, tateia. Ela abre a porta. Olhem ali: a figura que abre atendendo aos chamados é um homem, estritamente um. Chama-se Adão.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre o microconto.
( ) O microconto apresenta um instante ficcional completo e intenso: a solidão existencial, representada na figura de Adão.
( ) O narrador é onisciente e poderoso: sabe do passado, presente e futuro da personagem.
( ) O poder do narrador abarca até mesmo o leitor, perceptível na expressão “Olhem ali”.
( ) O tempo está em suspensão, marcado pelos verbos no presente: recebem, ouve, soletram, retorna, levanta-se, abre.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Sobre o gênero canção popular brasileira, conforme vem sendo proposto nas leituras obrigatórias do concurso vestibular, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações.
( ) A letra da canção só pode ser analisada em sua complexidade, se aproximada à poesia clássica, já que a melodia é aspecto acessório na composição do gênero canção popular.
( ) A canção, assemelhada ao teatro, é gênero de performance, o que a diferencia de outros gêneros literários como o romance ou o conto.
( ) A canção define-se pela articulação entre letra, melodia, harmonia e acompanhamento rítmico, sendo a indissociabilidade entre texto e música uma das potências do gênero.
( ) A canção, na experiência brasileira, tem papel fundamental na formação das sensibilidades, visto que é gênero com circulação em ambientes letrados e não letrados.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Leia o seguinte trecho de O cortiço.
A criadagem da família do Miranda compunha-se de Isaura, mulata ainda moça, moleirona e tola, que gastava todo o vintenzinho que pilhava em comprar capilé na venda de João Romão; uma negrinha virgem, chamada Leonor, muito ligeira e viva, lisa e seca como um moleque, conhecendo de orelha, sem lhe faltar um termo, a vasta tecnologia da obscenidade, e dizendo, sempre que os caixeiros ou os fregueses da taverna, só para mexer com ela, lhe davam atracações: “Óia, que eu me queixo ao juiz de orfe!”; e finalmente o tal Valentim, filho de uma escrava que foi de Dona Estela e a quem esta havia alforriado.
Sobre o texto acima, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações.
( ) O fragmento reflete o tom geral do romance, no qual o narrador em terceira pessoa distancia-se das personagens populares – especialmente as negras –, pois está atrelado às reduções do cientificismo naturalista que antepõe raça superior a raça inferior.
( ) A linguagem do narrador é diferente da linguagem da personagem: a fala de Leonor não segue o registro linguístico adotado pelo narrador.
( ) As personagens femininas descritas no trecho – e no romance de maneira geral – são estereotipadas, respondem ao imaginário da mulata sensual e ociosa, especialmente Bertoleza e Rita Baiana.
( ) O narrador em terceira pessoa simpatiza com as personagens populares; tal simpatia está presente em todo o romance, nas inúmeras vezes em que a narração em terceira pessoa cede espaço para o diálogo entre escravos.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
TEXTO:
Refletindo sobre a cultura de massas, Morin
demonstra a transformação ocorrida nas várias esferas
da sociedade do século XX, inclusive na relação
existente entre os valores religiosos e estéticos, falando
[5] da maneira como o arquétipo se converte em estereótipo,
a forma em fórmula (na relação criação/produção), o ritual
em espetáculo e o herói mítico em modelo mimético de
consumo. E aponta o papel estratégico dos mídia nessa
transformação e na criação dessa nova estética.
[10] Afinal, a mídia tem a penetração, os meios
semióticos, os procedimentos de linguagem e formas
de agregação simbólicas necessárias para, no contexto
moderno, ser um dos grandes pontos de convergência
das atenções.[...]
[15] Quando a constituição de uma nova identidade
social passa a ser tecida na cotidianeidade das relações
periféricas, os conteúdos perdem seu privilégio para as
linguagens, para os meios que passam a ser, em última
instância, o lugar principal onde esse sentimento social
[20] de comunhão se estabelece.
Na constituição ainda desse poder simbólico dos
mídia, é preciso levar em consideração que a natureza
virtual dos meios de comunicação contemporâneos,
presente até mesmo em sua identidade mundializante
[25] pós-moderna, possibilita que eles estejam em toda a
parte ao mesmo tempo. Ou seja, eles roubam dos deuses
a onipresença. A partir dessa operação simbólica, a
onipresença da mídia (roubada dos deuses) trará, de
quebra, a ilusão de sua onipotência.
CONTRERA, Malena Segura. Midia e pânico: saturação da informação, violência e crise cultural na mídia. São Paulo: Annablume: FAPESP, 2002. p. 50.O texto apresenta
TEXTO:
Os americanos, através do radar, entraram em
contato com a lua, o que não deixa de ser emocionante.
Mas o fato mais importante da semana aconteceu com
o meu pé de milho.
[5] Aconteceu que no meu quintal, em um monte de
terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que
podia ser um pé de capim — mas descobri que era um
pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro na
frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei
[10] que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do
tamanho de um palmo veio um amigo e declarou
desdenhosamente que na verdade aquilo era capim.
Quando estava com dois palmos veio outro amigo e
afirmou que era cana.
[15] Sou um ignorante, um pobre homem de cidade.
Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros,
lança as suas folhas além do muro — e é um esplêndido
pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca
tinha visto. Tinha visto centenas de milharais — mas é
[20] diferente. Um pé de milho sozinho, em um canteiro,
espremido, junto do portão, numa esquina de rua — não
é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente.
Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas
longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto
[25] comparações surrealistas — mas na glória de seu
crescimento, tal como o vi em uma noite de luar, o pé de
milho parecia um cavalo empinado, as crinas ao
vento — e em outra madrugada parecia um galo
cantando.
[30] Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que
nos encantou como se fosse inesperado: meu pé de
milho pendoou. Há muitas flores belas no mundo, e a
flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão
firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer
[35] nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria
que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afirma
com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto
da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que
vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um
[40] rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.
BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. 37 ed. Rio de Janeiro: Record, p. 77, 2014.A partir das ideias trabalhadas na narrativa, é correto afirmar que a realidade focalizada é vista de uma forma
TEXTO:
E Manuel Fulô desceu cachoeira, narrando alicantinas, praga e ponto e praga, até que... Até que assomou à porta da venda — feio como um defunto vivo, gasturento como faca em nervo, esfriante como um sapo — Sua Excelência o Valentão dos Valentões, Targino e Tal. E foi então que de fato a história começou.
O tigrão derreou o ombro esquerdo, limpou os pés, e riscou reto para nós, com o ar de um criado que vem entregar qualquer coisa.
Manuel Fulô se escorregara para a beira da cadeira, meio querendo se levantar, meio curvado em mesura, visivelmente desorganizado. E eu me imobilizei, bastante digno mas com um susto por dentro, porque o ricto do fulano era mau mesmo mau.
ROSA,João Guimarães. Corpo fechado. Sagarana, 71. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p. 316 -317.O trecho, inserido no conto, permite considerar como verdadeiras as afirmativas que devem ser assinaladas com V, sendo as demais assinaladas com F.
( ) As declarações do narrador acerca dos começos da história traduzem momentos progressivos da narrativa, importantes para a construção do perfil de Manuel Fulô.
( ) O narrador faz um registro dos costumes de uma região.
( ) A narrativa é marcada pelo uso de diferentes variedades de língua.
( ) O fio condutor da narrativa é a viagem do narrador (o doutor) até Laginha.
( ) A intriga do conto comprova a tendência da ficção de Guimarães Rosa de superar os limites regionais, alcançando o universal.
( ) O relato de Manuel Fulô sobre a sua relação com os valentões que sucederam José Boi atesta a sua real bravura e o seu orgulho por pertencer à “gente brava” de Laginha.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a
Segundo a literatura disponível, física e virtualmente, Sociedade da Informação, também chamada de Sociedade do Conhecimento, é um termo que surgiu no fim do século XX. Esse tipo de sociedade se encontra em processo de formação e expansão, porque está atrelada ao conhecimento que sofre constante mutação, até mesmo porque este por sua vez está condicionado às novas tecnologias existentes, e, como tal, a sociedade contemporânea também está inserida num processo de mudança em que a tecnologia é a principal responsável. Esse novo modelo de organização de sociedade assenta num modo de desenvolvimento social e econômico, no qual a informação, como meio de criação de conhecimento, desempenha um papel fundamental na produção de riqueza e na contribuição para o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos. Condição para a sociedade da informação avançar é a possibilidade de todos poderem ascender às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), presentes no nosso cotidiano, que constituem instrumentos indispensáveis às comunicações pessoais, de trabalho, de estudo e de lazer. No contexto mais específico do estudo, inúmeras são as vantagens de se utilizar as TIC no processo de ensinoe aprendizagem.
Sobre o uso das TIC, no processo de ensino e aprendizagem, assinale a alternativa correta.
Esta imagem, extraída do curta-metragem A Poeira: uma história do pantanal (2007), de Augusto Cezar Proença e Hélio Godoy, representa o cenário inicial do filme.
Sobre esse curta é correto afirmar que
A personagem Rê Bordosa, retratada na tirinha a seguir de autoria do cartunista Arnaldo Angeli Filho, faz parte de uma série que circulou inicialmente no jornal Folha de São Paulo e depois nas edições da revista Chiclete com Banana entre 1984 e 1987.
Sobre a personagem, tema do curta-metragem de animação Dossiê Rê Bordosa, produzido em 2008, com direção de Sérgio Cabral, assinale a alternativa correta.
Assinale a alternativa que completa, respectivamente, as lacunas do texto a seguir:
– A excessiva predominância do cérebro explica ________________ o homem tem menos instinto que os animais e ___________ é que seus instintos podem algumas vezes desviar-se da regra.
SCHOPENHAUER, Arthur. As dores do mundo. Trad. José Souza de Oliveira. São Paulo: EDIPRO, 2014, p. 53.