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PortuguêsUNIMONTES2017

Leia atentamente o fragmento da narrativa “Carta do Pleistoceno”, retirado do livro “A casa da palavra”, de Marina Colasanti.

Carta do Pleistoceno

Senhores cientistas,
quem daqui lhes escreve – daqui não sendo o além exatamente mas uma espécie de ponto de vista – é o mamute. O mamute aquele que vocês trouxeram recentemente à luz lá pelos lados da Rússia – à luz ofuscante dos flashes e dos holofotes de TV, é bom que se diga, porque uma certa luz fraca e opalinada me alcançou sempre através do gelo. E escrevo porque chegou-me a notícia – como chegam depressa as notícias nesse tempo vosso! – de que estão tentando me clonar.
Estão planejando tirar um pedaço de mim, daquilo que vocês chamam de DNA, manipulá-lo de alguma maneira que para meu cérebro parece assaz complicada, mas que deveria se concluir com a minha presença implantada num óvulo de elefanta, decorrente gravidez, e posterior nascimento.
Peço-lhes encarecidamente que não façam isso. Poderia invocar os direitos do autor pois, embora mínimo, qualquer pedaço de mim me pertence, mas receio não estar coberto por vossas leis autorais. Apelo então para aqueles sentimentos caridosos que dizeis habitar vosso coração. E para o bom senso, que infelizmente nem sempre tem esse mesmo endereço. (COLASANTI, 2012).

A partir do trecho e do conto, em sua integralidade, assinale a alternativa INCORRETA.

PortuguêsUNIMONTES2016

Trecho I

A lua vinha assomando pelo cimo das montanhas fronteiras; descobri nessa ocasião, a alguns passos de mim, uma linda moça, que parara um instante para contemplar no horizonte as nuvens brancas esgarçadas sobre o céu azul e estrelado. Admirei-lhe do primeiro olhar um talhe esbelto e de suprema elegância. O vestido que o moldava era cinzento com orlas de veludo castanho e dava esquisito realce a um desses rostos suaves, puros e diáfanos, que parecem vão desfazer-se ao menor sopro, como os tênues vapores da alvorada. Ressumbrava na sua muda contemplação doce melancolia e não sei que laivos de tão ingênua castidade, que o meu olhar repousou calmo e sereno na mimosa aparição.

Trecho II

O talhe perdera a ligeira flexão que de ordinário o curvava, como uma haste delicada ao sopro das auras; e agora arqueava enfunando a rija carnação de um colo soberbo, e traindo as ondulações felinas num espreguiçamento voluptuoso. Às vezes um tremor espasmódico percorria-lhe todo o corpo, e as espáduas se conchegavam como se um frio de gelo a invadira de súbito; mas breve sucedia a reação, e o sangue abrasando-lhe as veias, dava à branca epiderme reflexos de nácar e às formas uma exuberância de seiva e de vida, que realçavam a radiante beleza.

Era uma transfiguração completa.

Enquanto a admirava, a sua mão ágil e sôfrega desfazia ou antes despedaçava os frágeis laços que prendiam-lhe as vestes. A mais leve resistência dobrava-se sobre si mesmo como uma cobra, e os dentes de pérola talhavam mais rápidos do que a tesoura o cadarço de seda que lhe opunha obstáculos. Até que o penteador de veludo voou pelos ares, as trancas luxuriosas dos cabelos negros rolaram pelos ombros arrufando ao contato a pele melindrosa, uma nuvem de rendas e cambraias abateu-se a seus pés, e eu vi aparecer aos meus olhos pasmos, nadando em ondas de luz, no esplendor de sua completa nudez, a mais formosa bacante que esmagara outrora com o pé lascivo as uvas de Corinto.

A partir da leitura dos trechos, e levando em consideração o enredo do romance, assinale a alternativa INCORRETA.

PortuguêsUNIMONTES2015

Leia atenciosamente o trecho introdutório da obra Contos gauchescos, de João Simões Lopes Neto.

Patrício, apresento-te Blau, o vaqueano.
− Eu tenho cruzado o nosso Estado em caprichoso ziguezigue. Já senti a ardentia das areias desoladas do litoral; já me recreei nas encantadoras ilhas da lagoa Mirim; fatiguei-me na extensão da coxilha de Santana; molhei as mãos no soberbo Uruguai; tive o estremecimento do medo nas ásperas penedias do Caverá; já colhi malmequeres nas planícies do Saicã, oscilei sobre as águas grandes do Ibicuí; palmilhei os quatro ângulos da derrocada fortaleza de Santa Tecla, pousei em São Gabriel, a forja rebrilhante que tantas espadas valorosas temperou, e, arrastado no turbilhão das máquinas possantes, corri pelas paragens magníficas de Tupaceretã, o nome doce, que no lábio ingênuo dos caboclos quer dizer os campos onde repousou a mãe de Deus...
(Contos gauchescos, J. Simões Lopes Neto.)

A partir da leitura da obra, assinale a alternativa INCORRETA.

PortuguêsUNIMONTES2016

Nós só usamos 10% do cérebro?

[1] Olha, você pode ter muitos defeitos, mas está livre dessa culpa: os tais 10% são pura lenda. “Sabemos

que grande parte do cérebro é utilizada. Isso explica por que até microlesões cerebrais podem causar danos

graves e irreversíveis”, diz o neurocientista e pesquisador do Hospital Sírio-Libanês, Erich Fonoff. Quantos

por cento então? “Atribuir um percentual é leviano. Para isso, teríamos que saber o que são os 100%. Ainda

[5] não chegamos nesse nível”.

Especialistas dizem que o “mito dos 10%” surgiu entre os defensores da paranormalidade. Para eles,

utilizar 100% é exclusividade de quem levita, lê mentes e entorta garfos a distância, enquanto atividades do

dia a dia limitam o resto de nós a apenas um décimo da “força do pensamento”. Bom, não apenas o suposto

cálculo foi puro chute, como a ciência nunca provou a existência de telepatia, telecinese e fenômenos afins.

[10] Mas e aqueles exercícios de aumentar a potência do cérebro? São mentira também? Nem todos. “O

sistema nervoso é plástico. Se for estimulado, aumenta o seu potencial colossalmente”, diz o chefe do

laboratório de Neurociências do Instituto de Biociências, Gilberto Xavier.

Fonte: Revista Superinteressante, jun. 2015, p. 7.

Leia o fragmento retirado do texto: “O sistema nervoso é plástico. Se for estimulado, aumenta o seu potencial colossalmente [...]” (Linhas 10-11).

A palavra “plástico”, usada para caracterizar “sistema nervoso”, fornece uma ideia de que o sistema nervoso é

PortuguêsUNIMONTES2016

EURICÃO— Ai! Vá pra lá!

EUDORO — Que é isso, homem? Quero somente ver a cerveja!

EURICÃO — Vá pra lá, vá pra lá, pelo amor de Deus! Tenho horror a mostrar a cerveja que vou beber!

EUDORO — Por que, homem de Deus?

EURICÃO — Porque não gosto, pronto! É uma esquisitice minha! Não gosto de mostrar cerveja! É proibido ter esquisitice, é?

EUDORO — Não!

EURICÃO — Então, pronto, vá esperar o jantar na sala!

EUDORO — Está bem. Que homem mais esquisito, minha Nossa Senhora! (Sai.)

EURICÃO — Foi-se, com todos os diabos! Pronto, a porca fica aqui, agora! Aqui, Santo Antônio, servindo de suporte à sua imagem. Fica sob sua proteção, meu santo, estou arrependido de tudo o que disse! Ai, meu Deus, o santo ou a porca? Os dois! Não há necessidade de escolher, fico com os dois! Ouvi dizer que você, Santo Antônio, era cabo do exército brasileiro: fique aí como cabo de dia, guardando o que é meu. Vou lhe confiar o que não confiaria mais nem a minha mãe. Mas veja como corresponde a esta confiança! Está aí, confiei em você: retribua agora essa confiança, dando-me toda a sua proteção.

A leitura do fragmento e de toda a peça evidencia, EXCETO:

PortuguêsUNIMONTES2018

Observe a figura.

A charge acima faz referência a uma possível consequência

PortuguêsUnilus2021

Num dos manifestos do Modernismo de 22 propunha-se:

A língua sem arcaísmos. Sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros.

Nessa proposição, o autor modernista pretende

PortuguêsUnilus2021

Atente para a declaração abaixo, do poeta português Fernando Pessoa:

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que sou: viver não é necessário, o que é necessário é criar.

Nessa declaração, Fernando Pessoa

PortuguêsUnilago2017

Leia o texto a seguir e responda à questão.

Protegido por sigilo médico, o prontuário de um paciente deve ser liberado aos familiares após sua morte, segundo nova decisão da Justiça Federal de Goiás. A medida determina ao CFM (Conselho Federal de Medicina) que oriente os médicos a permitir o acesso da família ao documento, que contém dados do histórico de saúde do paciente e dos cuidados a ele prestados. A decisão contraria pareceres anteriores do conselho, o qual defende que o sigilo médico “seja respeitado mesmo após a morte do paciente” e que o fornecimento do prontuário ocorra apenas “na forma preconizada pelo Código de Ética Médica”, que prevê autorização ao acesso apenas pelo paciente ou após ordem judicial. O principal argumento oposto à liberação está na necessidade de proteger informações que, por motivos diversos, o paciente poderia não querer revelar à família, como o diagnóstico de uma doença ou ausência de laços consanguíneos, por exemplo. O conselho já havia sido obrigado a emitir, em 2014, uma recomendação aos médicos e às instituições de saúde para que liberem o acesso aos documentos, desde que seja “documentalmente comprovado o vínculo familiar e observada a ordem de vocação hereditária”. Mas buscava reverter essa posição. Agora, com a decisão da Justiça, a medida é confirmada e passa a valer no país. O Ministério Público Federal de Goiás, responsável pela ação, que tramita há quatro anos, alega que o acesso ao prontuário deve ser facilitado, já que caberia à família tomar decisões e ser responsável pelos dados do paciente após sua morte. A decisão que libera o acesso ao prontuário foi tomada neste mês pelo juiz Leonardo Buissa Freitas, da 3a Vara da Justiça Federal de Goiás. Em 2012, o acesso já havia sido permitido por meio de liminar, mas o CFM recorreu.

(Adaptado de: CANCIAN, N. Prontuário de paciente será entregue à família após morte. Folha de S. Paulo. Cotidiano. B1. 30 abr. 2016.)

Sobre o trecho “Em 2012, o acesso já havia sido permitido por meio de liminar, mas o CFM recorreu”, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, sua reescrita, mantendo o sentido original.

PortuguêsUnilago2019

Leia o poema a seguir e responda a questão.

Soneto

Poeta fui e do áspero destino
Senti bem cedo a mão pesada e dura.
Conheci mais tristeza que ventura
E sempre andei errante e peregrino.

Vivi sujeito ao doce desatino
Que tanto engana, mas tão pouco dura;
E ainda choro o rigor da sorte escura,
Se nas dores passadas imagino.


Porém, como me agora vejo isento

Dos sonhos que sonhava noite e dia,
E só com saudades me atormento;

Entendo que não tive outra alegria
Nem nunca outro qualquer contentamento
Senão de ter cantado o que sofria.

(ALBANO, J. Soneto. In: BANDEIRA, M. Apresentação da Poesia Brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, [s.d.]. p. 248.)

José Albano, poeta que nasceu em 1882 e morreu em 1923, teve alguns de seus livros publicados postumamente.

Sobre “Soneto”, assinale a alternativa correta.