AprendiAprendi
PortuguêsUNIFOR2017

Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras

fatigadas de informar.

Dou mais respeito

às que vivem de barriga no chão

tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas

Dou respeito às coisas desimportantes

e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade

das tartarugas mais que a dos mísseis.

Tenho em mim um atraso de nascença.

Eu fui aparelhado

para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios:

Amo os restos

como as boas moscas.

Queria que a minha voz tivesse um formato

de canto.

Porque eu não sou da informática:

eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios.

(BARROS, Manoel de. O apanhador de desperdícios. In. PINTO, Manuel da Costa. Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 73-74)

A leitura do poema acima sugere que a palavra do poeta serve especialmente para

PortuguêsUNIFOR2016

A crítica contida na tirinha do personagem Armandinho aborda uma sociedade consumista que

PortuguêsUNIFOR2016

A charge faz referência a uma famosa pintura de Tarsila do Amaral. Nesse tipo de intertextualidade, encontramos o seguinte recurso:

PortuguêsUNIFIMES2016

Leia o texto do médico Antonio Carlos Buzaid, publicado em 14.11.2015, para responder a questão.

À flor da pele

Com o início das estações mais quentes, há um aumento das atividades recreativas ao ar livre e da exposição à luz solar. Segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2014, no Brasil, mais de 180 mil pessoas foram diagnosticadas com câncer de pele e, por isso, esse tipo de câncer é considerado o mais comum. Entre os cânceres de pele, um dos mais agressivos do ponto de vista de evolução da doença é o melanoma, o qual representa cerca de 5% dos casos

O melanoma é o câncer dos melanócitos, células localizadas na camada da epiderme da pele e responsáveis pela produção de melanina. É a primeira causa de morte por cânceres da pele, representando cerca de 1% de todos os tumores malignos.

Conforme estudo da Universidade de Nova Iorque, é provável que o risco de desenvolvimento de melanoma tenha aumentado em 30 vezes ao longo dos últimos 80 anos. Ainda, o melanoma é o segundo câncer mais comum em pessoas com menos de 30 de anos, com uma evolução normalmente de pior prognóstico quando comparado a idosos.

Dessa forma, é aconselhável sempre a prevenção. Entre as principais recomendações estão: usar protetores solares, evitar o bronzeamento em excesso, fazer um autoexame regular da pele, além de consultar-se com um dermatologista pelo menos uma vez ao ano.

(www.folha.uol.com.br. Adaptado.)

Um dos propósitos do texto é

PortuguêsUNIFIMES2021

Leia o trecho do ensaio de Luiz Bras para responder a questão.

Muito já se escreveu sobre a relação lúdica e mágica que sempre se estabelece entre o leitor pequeno e certos livros a ele endereçados, quando finalmente se encontram e desse encontro escapam fogo e faísca. Relação tão mais lúdica e mágica quanto mais inventivo e sedutor for o livro que o pequeno leitor estiver lendo. Também muito já se escreveu sobre a relação igualmente lúdica e mágica que sempre se estabelece entre o leitor adulto e certos livros a ele endereçados, quando finalmente se encontram e desse encontro escapam fogo e faísca. A maneira positiva e até mesmo a maneira negativa como certas obras são recebidas pelo público a que são destinadas interessam não só à teoria da recepção mas também à história da literatura, à sociologia, à psicologia, à filosofia e a tantas outras disciplinas do conhecimento humano. Porém não tenho notícia de nada escrito sobre a relação lúdica e mágica que sempre se estabelece entre o leitor adulto e certos livros escritos para as crianças ou para os jovens, quando finalmente se encontram e desse encontro existencial escapam fogo e faísca. Adultos saboreando livros infantis e juvenis é algo que parece não interessar a muita gente, mesmo que o prazer provocado por essa leitura seja tão intenso quanto o prazer provocado pela leitura do mais refinado romance do momento. Adultos saboreando livros infantis e juvenis é algo geralmente aceito com leve impaciência. É algo que, por pertencer à coleção de pequenas excentricidades que todos nós cultivamos ao longo da vida madura, pode muito bem ser tolerado pelos amigos e pela família, desde que não fuja do controle e não vire mania ou fetiche. C. S. Lewis parece não ter sido levado a sério quando disse certa vez que “uma história para crianças de que só as crianças gostam é uma história ruim”.

(Muitas peles, 2012.)

Segundo o texto, a leitura de livros infantis

PortuguêsUNIFIMES2022

Leia o conto “Apelo”, de Dalton Trevisan, para responder a questão.

Apelo

Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.

a varanda. E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada — o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

(In: Alfredo Bosi. O conto brasileiro contemporâneo, 1997.)

Segundo o próprio narrador, o amor que ele sente se expressa

PortuguêsUNIFIMES2021

Leia o trecho inicial do romance Angústia, de Graciliano Ramos, para responder a questão.

Levantei-me há cerca de trinta dias, mas julgo que ainda não me restabeleci completamente. Das visões que me perseguiam naquelas noites compridas umas sombras permanecem, sombras que se misturam à realidade e me produzem calafrios.

Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por exemplo. Parece-me que eles cresceram muito, e, aproximando-se de mim, não vão gemer peditórios: vão gritar, exigir, tomar- -me qualquer coisa.

Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição. Um sujeito chega, atenta, encolhendo os ombros ou estirando o beiço, naqueles desconhecidos que se amontoam por detrás do vidro. Outro larga uma opinião à toa. Basbaques escutam, saem. E os autores, resignados, mostram as letras e os algarismos, oferecendo-se como as mulheres da Rua da Lama.

(Angústia, 2003.)

No trecho, o narrador assinala uma mudança em sua percepção a respeito dos “vagabundos”.

Segundo o narrador, os “vagabundos”

PortuguêsUNIFIMES2021

Leia o trecho inicial do romance Angústia, de Graciliano Ramos, para responder a questão.

Levantei-me há cerca de trinta dias, mas julgo que ainda não me restabeleci completamente. Das visões que me perseguiam naquelas noites compridas umas sombras permanecem, sombras que se misturam à realidade e me produzem calafrios.

Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por exemplo. Parece-me que eles cresceram muito, e, aproximando-se de mim, não vão gemer peditórios: vão gritar, exigir, tomar- -me qualquer coisa.

Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição. Um sujeito chega, atenta, encolhendo os ombros ou estirando o beiço, naqueles desconhecidos que se amontoam por detrás do vidro. Outro larga uma opinião à toa. Basbaques escutam, saem. E os autores, resignados, mostram as letras e os algarismos, oferecendo-se como as mulheres da Rua da Lama.

(Angústia, 2003.)

Segundo o narrador, à semelhança das mulheres da Rua da Lama, os autores

PortuguêsUNIFIMES2019

Leia com muita atenção o texto abaixo, pois ele será base para a questão.

As redes sociais misturam o real com a fantasia. Enquanto é por meio delas que temos contato com uma amiga próxima que mora do outro lado do país, é também pelos posts na internet que temos acesso à vida daquela prima rica e aparentemente “perfeita”. E, segundo um novo estudo da Universidade York, nos Estados Unidos, isso tem um impacto na maneira como as mulheres veem a si mesmas e, principalmente, seus corpos.

De acordo com a pesquisa, internautas que interagem com imagens de amigas mais “bonitas” e “atraentes” se sentem pior com sua própria aparência. E os adjetivos não estão entre aspas à toa: o que causa isso é a opinião de cada uma, diz o artigo. A prima perfeita pode nem ser tão bonita assim, mas se quem está vendo suas fotos achar que ela é, o efeito negativo surge.

Disponível em> https://super.abril.com.br/comportamento/> acesso em 09/11/2018

Qual das manchetes abaixo poderia sintetizar melhor o conteúdo da reportagem acima:

PortuguêsUNIFIMES2019

Leia com atenção o excerto abaixo, ele faz parte do livro As desaparições de Alexei Bueno.

O instante, o glorioso instante, o instante eterno em que fôssemos, e sendo, nos cravássemos na eternidade do ser,

Na hora do ser, no ser agora!

Pela leitura do excerto podemos inferir que: