Leia o conto “Apelo”, de Dalton Trevisan, para responder a questão.
Apelo
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
a varanda. E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada — o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
(In: Alfredo Bosi. O conto brasileiro contemporâneo, 1997.)O objeto pleonástico (direto ou indireto) ocorre quando, em uma oração, este objeto está expresso duas vezes.
Ocorre objeto pleonástico em:
Leia o texto para responder à questão.
Minha heroína literária predileta, a boneca Emília, de Monteiro Lobato, não quis saber de preconceito linguístico. Ao visitar, no País da Gramática, a prisão onde Dona Sintaxe mantinha enjaulados os “vícios de linguagem”, ela se revoltou ao ver atrás das grades o “Provincianismo”, isto é, os “vícios” da fala rural, do “caipira”:
“Emília não achou que fosse caso de conservar na cadeia o pobre matuto. Alegou que ele também estava trabalhando na evolução da língua e soltou-o.
— Vá passear, seu Jeca. Muita coisa que hoje esta senhora condena vai ser lei um dia. Foi você quem inventou o VOCÊ em vez de TU, e só isso quanto não vale? Estamos livres da complicação do Tuturututu.”
Como se vê, do mesmo modo como existe o preconceito contra a fala de determinadas classes sociais, também existe o preconceito contra a fala característica de certas regiões.
(Marcos Bagno. Preconceito linguístico: o que é, como se faz, 2013. Adaptado.)O texto permite uma reflexão acerca da forma
Leia o trecho do ensaio de Luiz Bras para responder a questão.
Muito já se escreveu sobre a relação lúdica e mágica que sempre se estabelece entre o leitor pequeno e certos livros a ele endereçados, quando finalmente se encontram e desse encontro escapam fogo e faísca. Relação tão mais lúdica e mágica quanto mais inventivo e sedutor for o livro que o pequeno leitor estiver lendo. Também muito já se escreveu sobre a relação igualmente lúdica e mágica que sempre se estabelece entre o leitor adulto e certos livros a ele endereçados, quando finalmente se encontram e desse encontro escapam fogo e faísca. A maneira positiva e até mesmo a maneira negativa como certas obras são recebidas pelo público a que são destinadas interessam não só à teoria da recepção mas também à história da literatura, à sociologia, à psicologia, à filosofia e a tantas outras disciplinas do conhecimento humano. Porém não tenho notícia de nada escrito sobre a relação lúdica e mágica que sempre se estabelece entre o leitor adulto e certos livros escritos para as crianças ou para os jovens, quando finalmente se encontram e desse encontro existencial escapam fogo e faísca. Adultos saboreando livros infantis e juvenis é algo que parece não interessar a muita gente, mesmo que o prazer provocado por essa leitura seja tão intenso quanto o prazer provocado pela leitura do mais refinado romance do momento. Adultos saboreando livros infantis e juvenis é algo geralmente aceito com leve impaciência. É algo que, por pertencer à coleção de pequenas excentricidades que todos nós cultivamos ao longo da vida madura, pode muito bem ser tolerado pelos amigos e pela família, desde que não fuja do controle e não vire mania ou fetiche. C. S. Lewis parece não ter sido levado a sério quando disse certa vez que “uma história para crianças de que só as crianças gostam é uma história ruim”.
(Muitas peles, 2012.)“Relação tão mais lúdica e mágica quanto mais inventivo e sedutor for o livro que o pequeno leitor estiver lendo.”
O sentido do período acima é construído
Leia o texto para responder à questão.
Último vaqueiro relembra a expedição que inspirou
Grande Sertão: Veredas
Na viagem que fez pelo sertão de Minas Gerais em 1952, João Guimarães Rosa era conhecido pelos vaqueiros apenas como Joãozito. Hoje, ainda é assim que o último remanes cente da expedição se refere ao diplomata e escritor.
“Joãozito era meio caladão, mas engraçado. Contava ca sos e gostava também de ouvir a gente contar para ele. Sempre [estava] com uma cadernetinha pendurada no pescoço. E, nela, escrevia as coisas de qualquer jeito”, relembra Francisco
Guimarães Moreira Filho, 81, mais conhecido como Criolo.
A viagem é histórica porque serviu de subsídio para parte da obra de Guimarães Rosa: o conjunto de sete novelas Corpo
de Baile e para o romance e obra-prima Grande Sertão: Veredas – que seria inicialmente uma das histórias de Corpo de Baile. Ambos os livros foram lançados em 1956, há 60 anos.
O objetivo do texto é
Leia o conto “Apelo”, de Dalton Trevisan, para responder a questão.
Apelo
Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
a varanda. E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada — o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.
(In: Alfredo Bosi. O conto brasileiro contemporâneo, 1997.)O narrador informa que tentou esconder seus sentimentos em:
Leia o poema de Fernando Pessoa para responder a questão.
Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama
Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
O eu lírico caracteriza o gato como
Examine a tirinha de Jim Davis.
O efeito de humor da tirinha está associado
Leia o texto para responder à questão.
Último vaqueiro relembra a expedição que inspirou
Grande Sertão: Veredas
Na viagem que fez pelo sertão de Minas Gerais em 1952, João Guimarães Rosa era conhecido pelos vaqueiros apenas como Joãozito. Hoje, ainda é assim que o último remanes cente da expedição se refere ao diplomata e escritor.
“Joãozito era meio caladão, mas engraçado. Contava ca sos e gostava também de ouvir a gente contar para ele. Sempre [estava] com uma cadernetinha pendurada no pescoço. E, nela, escrevia as coisas de qualquer jeito”, relembra Francisco
Guimarães Moreira Filho, 81, mais conhecido como Criolo.
A viagem é histórica porque serviu de subsídio para parte da obra de Guimarães Rosa: o conjunto de sete novelas Corpo
de Baile e para o romance e obra-prima Grande Sertão: Veredas – que seria inicialmente uma das histórias de Corpo de Baile. Ambos os livros foram lançados em 1956, há 60 anos.
No segundo parágrafo, o emprego do diminutivo em “Joãozito” e o emprego do diminutivo em “cadernetinha” expressam, respectivamente,
Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave1.
Há só uma janela fechada, e todo mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
1cave: passagem subterrânea.
No poema, o eu lírico deixa claro que
Leia o texto do médico Antonio Carlos Buzaid, publicado em 14.11.2015, para responder a questão.
À flor da pele
Com o início das estações mais quentes, há um aumento das atividades recreativas ao ar livre e da exposição à luz solar. Segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2014, no Brasil, mais de 180 mil pessoas foram diagnosticadas com câncer de pele e, por isso, esse tipo de câncer é considerado o mais comum. Entre os cânceres de pele, um dos mais agressivos do ponto de vista de evolução da doença é o melanoma, o qual representa cerca de 5% dos casos
O melanoma é o câncer dos melanócitos, células localizadas na camada da epiderme da pele e responsáveis pela produção de melanina. É a primeira causa de morte por cânceres da pele, representando cerca de 1% de todos os tumores malignos.
Conforme estudo da Universidade de Nova Iorque, é provável que o risco de desenvolvimento de melanoma tenha aumentado em 30 vezes ao longo dos últimos 80 anos. Ainda, o melanoma é o segundo câncer mais comum em pessoas com menos de 30 de anos, com uma evolução normalmente de pior prognóstico quando comparado a idosos.
Dessa forma, é aconselhável sempre a prevenção. Entre as principais recomendações estão: usar protetores solares, evitar o bronzeamento em excesso, fazer um autoexame regular da pele, além de consultar-se com um dermatologista pelo menos uma vez ao ano.
(www.folha.uol.com.br. Adaptado.)“Segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2014, no Brasil, mais de 180 mil pessoas foram diagnosticadas com câncer de pele e, por isso, esse tipo de câncer é considerado o mais comum.”
Nesse contexto, a expressão destacada introduz um enunciado com valor