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“O Brasil de 1920 era uma paisagem de velhos”, escreveuNelson Rodrigues em uma crônica sobre sua infância. “Os moços não tinham função, nem destino. A época não suportava a mocidade”. O escritor estava se referindo aos sinais de respeitabilidade e seriedade que todo moço tinha pressa em ostentar. Um homem de 25 anos já portava o bigode, a roupa escura e o guarda-chuva necessário para identificá-lo entre os homens de 50, e não entre os rapazes de 18. Já um futuro escritor do ano 2030, quando escrever sobre a infância nos dias de hoje, poderá afirmar: “No meu tempo, todo mundo era jovem”.

Ou melhor: há 30 anos somos todos jovens. No “nosso” tempo, essa história de ser jovem começou a sair de uma certa obscuridade culposa e obediente à qual discursos médicos e morais a haviam relegado. De início (não preciso repetir o que já se escreveu sobre os anos 1960 no Ocidente), o fenômeno tinha um vigor e uma beleza caótica, “jovem” era a palavra para tudo o que até então vivia nos porões da civilização. Jovem era a inteligência quando se aventurava a pensar para além dos cânones universitários. Jovem era a sexualidade que saiu à luz do dia (com ajuda, convenhamos, dos anticoncepcionais), dispensando as culpas e tabus que fizeram a angústia e a acne das gerações anteriores. Mais que o sexo, jovens eram as pulsões de vida todas, eróticas ou agressivas, que impregnaram a música, a política e os costumes, na esperança de que a vida pudesse se revolucionar de ponta a ponta, se estetizar. Titio Nietzsche, aquele velho bigodudo que pensava como um eterno rebelde, teria adorado.

(A fratria órfã, 2008. Adaptado.)

As referências às ideias de escuro e de claro (2o parágrafo) constroem uma oposição entre

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Leia o texto para responder à questão.

Embora tenha ocorrido nos EUA um declínio de 27% nas taxas de morte por câncer desde 1994, a queda não beneficiou a todos de forma igual: a mortalidade de pobres e não brancos ficou acima dessa média. Uma razão para isso é que pessoas que vivem na pobreza têm taxas mais baixas de exames de rotina e chance menor de receber o melhor tratamento possível; e afro-americanos, americanos nativos e hispânicos têm mais chances de viverem na pobreza do que brancos e asiáticos. Estudo divulgado no periódico Cancer Epidemiology Biomarkers & Prevention, por exemplo, mostra que mulheres negras e hispânicas em Chicago têm probabilidade menor de serem diagnosticadas nos centros de primeira linha na comparação com as brancas.

Quando trabalhei como enfermeira numa comunidade carente no sul de Chicago, vi como era difícil encaminhar as mulheres com sintomas de problemas na mama para tratamento nos principais centros médicos acadêmicos. Em especial, mulheres sem seguro-saúde eram mais frequentemente enviadas para o hospital do condado, que tem menor capacidade de diagnósticos de última geração. Ainda hoje, o código postal e a condição do seguro-saúde podem influenciar se uma mulher receberá tratamento para o câncer em centros de excelência.

E, embora a sobrevivência ao câncer de mama em geral tenha melhorado com o tempo, a Sociedade Americana de Câncer diz que as disparidades continuam: a taxa de cinco anos de sobrevivência é de 92% para mulheres brancas, mas de 83% para as negras; as últimas têm maior probabilidade de sofrerem dos tipos mais agressivos de tumores e de serem diagnosticadas em estágios mais avançados da doença, fatores que contribuem para as estatísticas de câncer. Em 2015, as negras tinham uma chance 39% maior do que as brancas de morrerem de câncer de mama.

(Janice Phillips. “Se você é pobre, não tenha câncer”. Scientific American Brasil, junho de 2019. Adaptado.)

As passagens sublinhadas em “a queda não beneficiou a todos de forma igual: a mortalidade de pobres e não brancos ficou acima dessa média” e “eram mais frequentemente enviadas para o hospital do condado, que tem menor capacidade de diagnósticos de última geração” apresentam, respectivamente, sentido de:

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As informações da tira permitem afirmar que a personagem

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Reproduzo duas frases de Tia Zulmira, outra personagem engraçadíssima criada por Sérgio Porto. A primeira segue muito atual: “Quem assiste televisão durante a semana é incapaz de desconfiar que aos domingos é pior”. A segunda, para muita gente, também vale para os dias de hoje: “Nada é mais educativo na nossa televisão que o botão de desligar.”

(http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br, 01.08.2015. Adaptado.)

Ao reproduzir as frases da personagem Tia Zulmira, o autor mostra que Sérgio Porto era

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Naquela manhã o Saldanha estava desesperado: não havia quinze dias que lhe entrara na algibeira, inesperadamente, uma bela nota de quinhentos mil-réis, e já não lhe restava um níquel desse dinheiro!

É verdade que ele passou uma semana de patuscadas, uma semana cheia! A inesperada fortuna coincidira com o aniversário natalício de um dos pequenos, o Nhô-nhô, e tinha havido peru de forno e até champanhe à mesa! Que diabo, um dia não são dias!

O semiconto de réis voou, sem que o imprevidente Saldanha empregasse dez tostões em qualquer coisa útil. A conta da venda – uma conta de cabelos brancos – ficou por pagar, não se comprou um trapinho para as crianças, tão precisadas de roupa!

O dinheiro viera das mãos de certo negociante da rua da Alfândega, que encomendara ao Saldanha uma série de artigos metendo à bulha1 uma companhia em liquidação, isto é, os respectivos liquidantes. O nosso homem, que tinha dedo para essa espécie de literatura, fez obra asseada: as descomposturas produziram o desejado efeito. O prosador contava com cem mil-réis: recebeu quinhentos.

Foi um delírio! O Saldanha subiu radiante a rua do Ouvidor, com cócegas de comprar tudo quanto via exposto nos mostradores das lojas. Parou durante cinco minutos diante de um gramofone. – Que surpresa seria para a pequenada! – Mas resistiu e passou. Foi esse o único movimento bom que teve depois de endinheirado.

(Arthur Azevedo. Seleção de contos, 2014.)

Ao discorrer sobre a condição vivida por Saldanha, o narrador enfatiza que este

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Reproduzo duas frases de Tia Zulmira, outra personagemengraçadíssima criada por Sérgio Porto. A primeira segue muito atual: “Quem assiste televisão durante a semana é incapaz de desconfiar que aos domingos é pior”. A segunda, para muita gente, também vale para os dias de hoje: “Nada é mais educativo na nossa televisão que o botão de desligar.”

(http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br, 01.08.2015. Adaptado.)

Ao citar a segunda frase da personagem Tia Zulmira, o autor sugere que, para muitas pessoas, a televisão contemporânea

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Leia a tira.

A leitura da tira permite concluir que

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Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz comque eu, por instinto de... de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse “estilo” (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em “humildade”, refiro- -me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade como técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.

(Para não esquecer, 1999.)

“Esse modo, esse ‘estilo’ (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde.”

A alternativa que reescreve o período e respeita a norma- -padrão da língua portuguesa, sem alteração do sentido original, é:

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“Quem sou eu senão um grande sonho obscuro em face do Sonho

Senão uma grande angústia obscura em face da Angústia

Quem sou eu senão a imponderável árvore dentro da noite imóvel

E cujas presas remontam ao mais triste fundo da terra?”

MORAIS, Vinicius de.

Por todo o trecho retirado do poema de Vinícius de Moraes, A Vida Vivida, tem-se a repetição da conjunção “senão” a qual indica,

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Em relação ao cartum acima, pode-se perceber que nas frases: Chegou a primavera e Cheguei à primavera, cada uma possui um significado, diante do emprego da crase. Neste sentido, leia as sentenças abaixo e assinale a alternativa em que a ocorrência do acento indicativo de crase está ERRADA.