O jardim já vai se desmanchando na escuridão, mas Cristina ainda vê uma gravata (cinzenta?) saindo do bolso vermelho. Quer gritar de novo, mas a gravata cala a boca do grito, e já não adianta o pé querer se fincar no chão nem a mão querer fugir: o Homem domina Cristina e a mão dele vai puxando, o joelho vai empurrando, o pé vai castigando, o corpo todinho dele vai pressionando Cristina pra mata. Derruba ela no chão. Monta nela. O escuro toma conta de tudo.
O Homem aperta a gravata na mão feito uma rédea. Com a outra mão vai arrancando, vai rasgando, se livrando de tudo que é pano no caminho.
Agora o Homem é todo músculo. Crescendo.
Só afrouxa a rédea depois do gozo.
Cristina mal consegue tomar fôlego: já sente a gravata solavancando pro pescoço e se enroscando num nó. Que aperta. Aperta mais. Mais.
BOJUNGA, Lygia. O abraço. Rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2014. p. 82Instantes derradeiros de O abraço, a passagem narra encontro de Cristina com o ‘Homem’. Levando-se em conta o enredo da obra até seu desenrolar nesses momentos finais, Cristina
Por que temos de aprender Língua Portuguesa?
Essa pergunta certamente tem estado na cabeça de muitos estudantes nos mais diversos níveis de ensino ao longo de suas caminhadas de aprendizagem, de construção de conhecimentos, competências e habilidades. Essa enumeração de formas de representar o desenvolvimento cognitivo também nos remete à mesma pergunta – por que “ensinar” Língua Portuguesa?
Se nossos aprendizes são falantes nativos do idioma, por qual razão muitos deles sentem que não conhecem sua língua materna e que não fazem um bom uso das formas de dizer nos mais variados contextos de interação pela linguagem?
O fato é que há contingentes de analfabetos funcionais que, embora tenham sido alfabetizados, não desenvolveram a competência de uso da língua em situações comunicativas específicas.
Ler, compreender e produzir sentido(s). Tudo muito simples, mas há lacunas, faltam condições para que os aprendizes de leitura e de escrita conquistem sua autonomia, para que exerçam com plenitude a condição de sujeitos de seu dizer, de participantes ativos da produção dos sentidos que os discursos potencializam em suas múltiplas formas.
[...] Muitos pesquisadores do campo da linguística têm defendido o ensino de língua materna como um espaço de riqueza linguística, de diversidade de textos, que torne mais rica e significativa a experiência com a linguagem.
Disponível em: http://www.gazetadosul.com.br. Acesso em: 25 abr. 2017. (Fragmento adaptado)Com o objetivo de responder à pergunta do título do texto, o autor, no segundo parágrafo, questiona o fato de os nativos do idioma sentirem que não conhecem sua língua materna.
Infere-se que a crítica apresentada no texto diz respeito ao papel do(a)
Leia o trecho a seguir, recortado da entrevista realizada por Daniel Rodrigues Aurélio a José Paulo Florenzano, cientista social e professor da PUC-SP
Jogo pensado
Professor da PUC-SP, o cientista social José Paulo Florenzano, nos mostra como o futebol pode ser um tema potente para reflexões dentro do campo da teoria social.
O entrevistado tenta desarmar seu interlocutor com um estilo modesto e sem firulas, como se fosse um discreto e eficiente meio-campista, mas é difícil falar da relação entre futebol e Ciências Sociais sem pensar em seus trabalhos de craque. Por certo ele teria lugar entre os titulares da seleção brasileira de acadêmicos que pesquisam e refletem sobre as várias dimensões do esporte das massas, ao lado de Roberto Da Matta, Maurício Murad, Luis Henrique de Toledo, Bernardo Buarque de Hollanda, Plínio Labriola Negreiros, Hilário Franco Júnior e José Miguel Wisnik.
AURÉLIO, Daniel Rodrigues. Jogo pensado. Sociologia. Ano 8, Edição 76. São Paulo: Editora Escala, s.d., p. 7.Nesse parágrafo, que introduz a entrevista que o jornalista faz a Florenzano, é possível perceber a mobilização de um léxico característico do campo do futebol. O título dado à matéria que apresenta a entrevista, aliado a expressões introduzidas no texto tais como: “desarmar seu interlocutor”, “trabalhos de craque”, “seleção brasileira de acadêmicos” associam o tema da entrevista ao campo de produção de conhecimento do entrevistado.
Essa estratégia decorre da principal intenção comunicativa do jornalista, que é
Uma das melhores interpretações já feitas do verbo “coitadinhar”, neologismo que aprendi durante um papo-furado com uma grande amiga que é cega, foi feita no feita no filme “Shrek”. Ela acontece no momento em que o Gato de Botas, para fugir de uma situação em que estava encurralado, esbugalhou os olhos, comprimiu o pescoço, ensaiou um choro e conseguiu, por fim, amolecer o coração dos malvados que o cercavam ilesos. [...]
MARQUES, Jairo. Folha de S. Paulo, 16 de dezembro de 2015, B2 Cotidiano (fragmento).Entende-se por neologismo a criação ou atribuição de um novo sentido a uma palavra ou expressão já existente, por meio de processos também existentes na língua. Com base nessa definição e na contextualização em que o termo “coitadinhar” foi utilizado no filme “Shrek”, deduz-se que ele significa, EXCETO:
“Os brasileiros somos assim". Este é, segundo João Candido Portinari, a mensagem da obra de seu pai, o pintor Candido Portinari, ao povo brasileiro. Segundo ele, o recado nunca chegou de fato ao destinatário planejado, já que 95% das obras do paulista estão em coleções privadas.
PONTES, Trajano. Portinari ganha portal reformulado na internet. Folha de S. Paulo, São Paulo, fev. 2013. Disponível em: <http://folha.com/no1233942>. Acesso em: 3 fev. 2015. (Fragmento)Em “Os brasileiros somos assim”, a ocorrência de sujeito de terceira pessoa do plural e verbo na primeira pessoa do plural tem a finalidade de
A Deusa
Anêmona mais voluptuosa que o Mar,
Sorriso da luz: Afrodite. Envolta em pérolas
Já se afasta, rumo a um reino distante.
Rolam cachos de uvas, despertam cânticos,
Frutos amadurecem que o sol cultiva nos pomares.
SILVA, Dora Ferreira. Hídrias. São Paulo: Odysseus, 2004. p. 57.De acordo com o trecho acima, assinale a alternativa correta.
As redes sociais permitem que qualquer pessoa se torne uma formadora de opinião, quando, em verdade, o melhor seria promover indivíduos formadores de cultura e de conhecimento. O psiquiatra espanhol Enrique Rojas (1949) postula que “estamos cada vez mais bem informados, mas essa minuciosa e milimétrica informação não é formativa: nunca vem acompanhada de certos tons positivos que ajudam a se enriquecer interiormente, a ser mais completo, mais sólido; em uma palavra, mais humano – com mais critério, melhor.
BITTENCOURT, Renato Nunes. Filosofia,ciência&vida, n. 98, set. 2014 p. 55 (Fragmento).De acordo com o texto, assinale a alternativa INCORRETA.
O último poema
Manuel Bandeira
Assim eu queria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996, p. 223.De acordo com o poema acima, assinale a alternativa correta.
“[...] as ideias de Aristóteles não caíram totalmente em descrédito. Hegel estima que os dois sexos devem ser diferentes: um será ativo e o outro passivo e naturalmente a passividade caberá à fêmea. Para Hegel, o homem é assim, em consequência dessa diferenciação, o princípio ativo, já a mulher é o princípio passivo porque permanece dentro da sua unidade não desenvolvida”.
BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo, fatos e mitos. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1970, p. 30.De acordo com o entendimento de Simone de Beauvoir, as ideias de Aristóteles e de Hegel revelam
Considere o diálogo a seguir.
¾ Não comprei o presente da Maria Luiza.
¾ Há um shopping aqui perto.
José Luiz Fiorin. Disponível em http://revistalingua.uol.com.br. Acesso: 12 fev. 2014.Considerando a situação de uso da língua, apresentada no diálogo acima, infere-se que