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PortuguêsFEMA2018

Leia o texto de Michael Archer para responder à questão.

Quem examinar com atenção a arte dos dias atuais será confrontado com uma profusão de estilos, formas, práticas e programas. De início, parece que, quanto mais olhamos, menos certeza podemos ter quanto àquilo que, afinal, permite que as obras sejam qualificadas como “arte”, pelo menos de um ponto de vista tradicional. Por um lado, não parece haver mais nenhum material que desfrute do privilégio de ser imediatamente reconhecível como material da arte: a arte recente tem utilizado não apenas tinta, metal e pedra, mas também ar, luz, som, palavras, pessoas, comida e muitas outras coisas. Hoje existem poucas técnicas e métodos de trabalho, se é que existem, que podem garantir ao objeto acabado a sua aceitação como arte. Inversamente, parece, com frequência, que pouco se pode fazer para impedir que mesmo o resultado das atividades mais mundanas seja compreendido como arte. Embora a pintura possa continuar sendo importante para muitos, ao lado dos artistas tradicionais há aqueles que utilizam fotografia e vídeo, e outros que se engajam em atividades tão variadas como caminhadas, apertos de mão ou cultivo de plantas.

(Arte contemporânea: uma história concisa, 2012. Adaptado.)

Segundo o autor do texto,

PortuguêsFEMA2017

Leia o trecho do conto “Mundo, não aborreça”, de Dalton Trevisan, para responder à questão.

Me diga, você. Me dê um só motivo pra querer a morte de Cecília. Se era o sustento da casa. Ganhava mais do que eu. Não tinha seguro de vida. Nem herança pra deixar.

Ela me pediu. Fervesse a água e botasse a garrafa de plástico nos pés, estava morrendo de frio. Daí dormimos. Meio da noite rebenta a garrafa. Queimou todo o seu pé direito. E a perna soltava uma pele negra. Fomos de táxi ao pronto-socorro. Feito o curativo, nos mandaram pra casa. Não fosse a maldita diabete…

Quem dela cuidou por dez anos? Sim, dez anos esteve doente. Não é verdade que a maltratasse. Ou deixei de acudir esse tempo todo. Imagine largar na desgraça a única irmã. Lidei com essa ferida na perna por dez anos.

Ceci ganhava mais do que eu. Fornecia a casa e me ajudou na precisão. Agora fiquei sozinha e abandonada.

Bem que ela teve assistência médica. E quem a valeu todos os dias? Serviu de enfermeira? Sempre ao seu lado. Sem descanso nem sossego. Exausta, cabeceando numa cadeira dura.

(O maníaco do olho verde, 2008.)

Segundo a voz que enuncia o texto,

PortuguêsFEMA2019

Considere a charge de Angeli.

CARNAVAL É UMA FESTA DEMOCRÁTICA

Segundo a charge,

PortuguêsFEMA2018

Leia o trecho que segue para responder a questão.

“A trave ficava no fundo da nossa garagem e era leve o suficiente para ser carregada por dois meninos até o meio da rua. Sobre o carpete agreste de paralelepípedos travávamos peladas épicas que só não entravam pela madrugada porque as mães apareciam nas portas das casas e, uma a uma, inclementes, iam nos convocando para o jantar.”

PRATA, Antônio. O meu avô. Folha 02/07/201

Pelo que se deduz a partir da leitura do fragmento acima, “peladas épicas” são:

PortuguêsFEMA2022

Leia o trecho do ensaio “Ondulações paranoides de uma época”, de Pascal Dibie, para responder à questão.

Meu fascínio pela juventude atual, movida por aquilo que podemos chamar de natureza cibernética, está ligado ao fato de que ela nos escapa sem precisar fugir nem se esconder. Os jovens são capazes de partir, sob nossos olhos, para lugares projetados apenas por eles, aos quais não temos verdadeiramente acesso. Nós, os adultos de hoje, não temos disciplina e, talvez, nem mesmo concentração para entrar na medida cibernética. Isso não impede que a informática seja para as nossas crianças um prolongamento indispensável ao seu equilíbrio e à apreensão do mundo no qual elas vivem.

Parece evidente que as crianças de hoje não repetem mais os nossos jogos em grupo; jogos que se pareciam com aqueles que nossos pais tinham eles mesmos repetido de seus pais: bichinhos de massa de modelar, vida da fazenda, soldadinhos, jogos de montar, trens elétricos, etc., enfim, todos os brinquedos saídos do neolítico, explicitamente desinteressantes para crianças de 4 ou 5 anos que já usam o computador só com um dedo.

Idem para nossas exigências domésticas: as crianças parecem cada vez menos compreender as razões que nos levam a sentar à mesa em horas fixas (isso se chamava “comensalidade”), a mandá-las dormir cedo (era uma questão de higiene de vida). Enfim, as crianças resistem às nossas tentativas de impor a elas um ritmo de vida familiar que fazia parte da normalidade que limitava nossa própria infância; ritmos (e pais) um pouco tirânicos — falo dos anos 1960.

Elas entraram em um futuro quase alcançável, no qual as noções de tempo e de espaço foram definitivamente embaralhadas. As “cibercrianças” inventam novas formas de solidariedade e organizam-se em comunidades lúdicas numa escala que chega a ser planetária. No universo dos jogos em rede, as crianças ficam sentadas durante horas para resolver um enigma e, de passagem, livrar-se de armadilhas, tomar decisões a todo instante, preencher vazios de informação, enfim, explorar a lógica da simulação. Temos de reconhecer que, durante tais atividades, essas crianças desenvolvem operações cognitivas extremamente complexas, certamente mais complexas do que aquelas que tínhamos de resolver na idade delas.

(https://artepensamento.com.br. Adaptado.)

Para criar efeito expressivo, no trecho “todos os brinquedos saídos do neolítico” (2º parágrafo), o autor recorre

PortuguêsFEMA2017

Ocorre pontuação inaceitável em

PortuguêsFEMA2021

Leia o poema de Murilo Mendes para responder à questão.

Eu sou triste como um prático de farmácia,
sou quase tão triste como um homem que usa costeletas.
Passo o dia inteiro pensando nuns carinhos de mulher
mas só ouço o tectec das máquinas de escrever.

Lá fora chove e a estátua de Floriano fica linda.
Quantas meninas pela vida afora!
E eu alinhando no papel as fortunas dos outros.
Se eu tivesse estes contos punha a andar
a roda da imaginação nos caminhos do mundo.
E os fregueses do Banco
que não fazem nada com estes contos!
Chocam outros contos pra não fazerem nada com eles.

Também se o Diretor tivesse a minha imaginação
o Banco já não existiria mais
e eu estaria noutro lugar.

(In: Eucanaã Ferraz (org.). Veneno antimonotonia, 2005.)

O Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa define “onomatopeia” como “formação de uma palavra a partir da reprodução aproximada, com os recursos de que a língua dispõe, de um som natural a ela associado”.

Observa-se a ocorrência de onomatopeia no seguinte verso:

PortuguêsFEMA2017

Leia o trecho do conto “Mundo, não aborreça”, de Dalton Trevisan, para responder à questão.

Me diga, você. Me dê um só motivo pra querer a morte de Cecília. Se era o sustento da casa. Ganhava mais do que eu. Não tinha seguro de vida. Nem herança pra deixar.

Ela me pediu. Fervesse a água e botasse a garrafa de plástico nos pés, estava morrendo de frio. Daí dormimos. Meio da noite rebenta a garrafa. Queimou todo o seu pé direito. E a perna soltava uma pele negra. Fomos de táxi ao pronto-socorro. Feito o curativo, nos mandaram pra casa. Não fosse a maldita diabete…

Quem dela cuidou por dez anos? Sim, dez anos esteve doente. Não é verdade que a maltratasse. Ou deixei de acudir esse tempo todo. Imagine largar na desgraça a única irmã. Lidei com essa ferida na perna por dez anos.

Ceci ganhava mais do que eu. Fornecia a casa e me ajudou na precisão. Agora fiquei sozinha e abandonada.

Bem que ela teve assistência médica. E quem a valeu todos os dias? Serviu de enfermeira? Sempre ao seu lado. Sem descanso nem sossego. Exausta, cabeceando numa cadeira dura.

(O maníaco do olho verde, 2008.)

“Fomos de táxi ao pronto-socorro. Feito o curativo, nos mandaram pra casa.”

O trecho em destaque pode ser substituído, respeitando-se o contexto, por:

PortuguêsFEMA2017

Leia o texto de Gerald Ramsey para responder à questão.

Imagine… que acorda de manhã. As suas pernas não são compridas o suficiente para tocar o chão de madeira do seu quarto. Esfregando os olhos de sono, você caminha para o banheiro e sobe no pequeno tamborete, erguendo o olhar para o espelho retangular. Você chora por dentro ao defrontar-se com uma menina de cabelos medianamente longos, ao invés do garoto de cabelos curtos que vive nos seus sonhos. A sua angústia cresce quando você senta na privada. É verdade que por vezes você urina de pé, mas não é muito prático e você receia ser apanhada novamente pela sua mãe.

Hoje é domingo, e sua família espera que você se vista para ir à igreja. É o único dia da semana em que é obrigada a usar um vestido. Você vasculha o guarda-roupas, indo de uma triste escolha a outra. Antes de dar por isso, está chorando novamente. Sua mãe logo irá subir e começarão a discutir. Você dirá que não tem nada para vestir, e ela responderá que tem lindas roupas. “Os vestidos são lindos”, você diz a si mesma, “mas não quando eu visto”.

O seu único refúgio são os seus sonhos e fantasias, e também eles começam a frustrá-la. Entre as suas fantasias preferidas estão caçar com seu pai, jogar bola com os colegas no time da escola, lutar com os outros rapazes até se sujar todo (e vencer, e voltar a casa com cheiro de sujeira nas roupas), e ser um advogado criminal (e após cada caso o juiz dirá, “Meu jovem, como advogado você honrou a barra deste tribunal”).

Agora você tem doze anos e há não muito tempo ficou histérico, depois envergonhadíssimo, quando começou a menstruar. Como se já não bastasse, os seus seios estão crescendo e você tem atraído mais atenção do que nunca, já que foi abençoado com seios grandes. Agora, quando joga futebol, os garotos arranjam desculpas para se chocar com você e agarrá-lo…

(Transexuais: perguntas e respostas, 1998. Adaptado.)

O texto descreve o cotidiano de

PortuguêsFEMA2016

Leia as tiras de André Dahmer para responder à questão.

O termo “até”, na primeira tira, é uma preposição e, na segunda, um advérbio, expressando, respectivamente, circunstâncias de