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PortuguêsFEMA2017

Leia um trecho do poema “Matéria de poesia”, de Manoel de Barros (1916-2014), para responder à questão.

Tudo aquilo que a nossa
civilização rejeita, pisa e mija em cima,
serve para poesia

Os loucos de água e estandarte
servem demais
O traste é ótimo
O pobre-diabo é colosso

[…]


Pessoas desimportantes
dão pra poesia

qualquer pessoa ou escada

[…]

O que é bom para o lixo é bom para a poesia
[…]


As coisas jogadas fora
têm grande importância
− como um homem jogado fora

Aliás é também objeto de poesia
saber qual o período médio
que um homem jogado fora
pode permanecer na terra sem nascerem
em sua boca as raízes da escória

As coisas sem importância são bens de poesia

(Poesia completa, 2013.)

O poema expressa

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Leia um trecho do poema “Matéria de poesia”, de Manoel de Barros (1916-2014), para responder à questão.

Tudo aquilo que a nossa
civilização rejeita, pisa e mija em cima,
serve para poesia

Os loucos de água e estandarte
servem demais
O traste é ótimo
O pobre-diabo é colosso

[…]


Pessoas desimportantes
dão pra poesia

qualquer pessoa ou escada

[…]

O que é bom para o lixo é bom para a poesia
[…]


As coisas jogadas fora
têm grande importância
− como um homem jogado fora

Aliás é também objeto de poesia
saber qual o período médio
que um homem jogado fora
pode permanecer na terra sem nascerem
em sua boca as raízes da escória

As coisas sem importância são bens de poesia

(Poesia completa, 2013.)

O poema estabelece, entre homens e coisas, uma relação de

PortuguêsFEMA2018

Leia o texto de Guilherme Wisnik para responder à questão.

Agosto de 1986. Já era noite. Como de costume, dividia minhas atenções entre meus estudos e a Clarinha, filha de Julieta Sobral. De repente, tive a sensação de que alguém me observava. Ao voltar-me para trás, dei-me conta da presença do bisavô da menina.

Ele morava no mesmo edifício e tinha por hábito fazê- -la breves visitas quase todos os dias. Dava uma olhadela na bisneta e ia embora, sem pronunciar uma palavra. Muito discreto, passava quase sempre despercebido. Mas naquele dia foi diferente.

Ao cruzarmos nossos olhares, ele me indagou: “É grego, não é?” – naquela época eu estava matriculado no curso de grego do Mosteiro de São Bento. Respondi afirmativamente. De imediato, percebi um certo brilho no seu olhar.

De fato, não era comum às pessoas da minha geração este tipo de interesse. Movido pela curiosidade e pelo inusitado, indagou-me sobre a motivação daqueles estudos. Após revelar que tal empenho servia aos meus propósitos de preparação para aprofundar meus estudos de filosofia, disciplina para a qual prestaria vestibular ao final do ano, trocamos algumas ideias. Nosso tema não poderia ser outro: a Antiguidade Clássica.

(O risco, 2003. Adaptado.)

O narrador estudava grego com a finalidade de

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Leia o texto de Gerald Ramsey para responder à questão.

Imagine… que acorda de manhã. As suas pernas não são compridas o suficiente para tocar o chão de madeira do seu quarto. Esfregando os olhos de sono, você caminha para o banheiro e sobe no pequeno tamborete, erguendo o olhar para o espelho retangular. Você chora por dentro ao defrontar-se com uma menina de cabelos medianamente longos, ao invés do garoto de cabelos curtos que vive nos seus sonhos. A sua angústia cresce quando você senta na privada. É verdade que por vezes você urina de pé, mas não é muito prático e você receia ser apanhada novamente pela sua mãe.

Hoje é domingo, e sua família espera que você se vista para ir à igreja. É o único dia da semana em que é obrigada a usar um vestido. Você vasculha o guarda-roupas, indo de uma triste escolha a outra. Antes de dar por isso, está chorando novamente. Sua mãe logo irá subir e começarão a discutir. Você dirá que não tem nada para vestir, e ela responderá que tem lindas roupas. “Os vestidos são lindos”, você diz a si mesma, “mas não quando eu visto”.

O seu único refúgio são os seus sonhos e fantasias, e também eles começam a frustrá-la. Entre as suas fantasias preferidas estão caçar com seu pai, jogar bola com os colegas no time da escola, lutar com os outros rapazes até se sujar todo (e vencer, e voltar a casa com cheiro de sujeira nas roupas), e ser um advogado criminal (e após cada caso o juiz dirá, “Meu jovem, como advogado você honrou a barra deste tribunal”).

Agora você tem doze anos e há não muito tempo ficou histérico, depois envergonhadíssimo, quando começou a menstruar. Como se já não bastasse, os seus seios estão crescendo e você tem atraído mais atenção do que nunca, já que foi abençoado com seios grandes. Agora, quando joga futebol, os garotos arranjam desculpas para se chocar com você e agarrá-lo…

(Transexuais: perguntas e respostas, 1998. Adaptado.)

O autor utiliza o recurso expressivo da ironia em:

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Leia o poema de Eugênio de Castro para responder à questão.

Tua frieza aumenta o meu desejo:
Fecho os meus olhos para te esquecer,
Mas quanto mais procuro não te ver,
Quanto mais fecho os olhos mais te vejo.

Humildemente, atrás de ti rastejo,
Humildemente, sem te convencer,
Antes sentindo para mim crescer
Dos teus desdéns o frígido cortejo.

Sei que jamais hei-de possuir-te, sei
Que outro, feliz, ditoso como um rei,
Enlaçará teu virgem corpo em flor.

Meu coração no entanto não se cansa:
Amam metade os que amam com esp’rança,
Amar sem esp’rança é o verdadeiro amor.

(Poesia simbolista portuguesa, 1985.)

No verso “Quanto mais fecho os olhos mais te vejo.” (1ª estrofe), os termos sublinhados expressam uma relação de

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Considere a tirinha de André Dahmer para responder à questão.

No terceiro quadrinho, a fala do personagem

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Leia o poema de Murilo Mendes para responder à questão.

Eu sou triste como um prático de farmácia,
sou quase tão triste como um homem que usa costeletas.
Passo o dia inteiro pensando nuns carinhos de mulher
mas só ouço o tectec das máquinas de escrever.

Lá fora chove e a estátua de Floriano fica linda.
Quantas meninas pela vida afora!
E eu alinhando no papel as fortunas dos outros.
Se eu tivesse estes contos punha a andar
a roda da imaginação nos caminhos do mundo.
E os fregueses do Banco
que não fazem nada com estes contos!
Chocam outros contos pra não fazerem nada com eles.

Também se o Diretor tivesse a minha imaginação
o Banco já não existiria mais
e eu estaria noutro lugar.

(In: Eucanaã Ferraz (org.). Veneno antimonotonia, 2005.)

No poema, os clientes do banco são caracterizados como

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Leia o poema de Murilo Mendes para responder à questão.

Eu sou triste como um prático de farmácia,
sou quase tão triste como um homem que usa costeletas.
Passo o dia inteiro pensando nuns carinhos de mulher
mas só ouço o tectec das máquinas de escrever.

Lá fora chove e a estátua de Floriano fica linda.
Quantas meninas pela vida afora!
E eu alinhando no papel as fortunas dos outros.
Se eu tivesse estes contos punha a andar
a roda da imaginação nos caminhos do mundo.
E os fregueses do Banco
que não fazem nada com estes contos!
Chocam outros contos pra não fazerem nada com eles.

Também se o Diretor tivesse a minha imaginação
o Banco já não existiria mais
e eu estaria noutro lugar.

(In: Eucanaã Ferraz (org.). Veneno antimonotonia, 2005.)

No poema, o eu lírico freguês de uma farmácia.se apresenta como

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Considere o poema “O menino sem passado”, de Murilo Mendes, para responder à questão.

Monstros complicados
não povoaram meus sonhos de criança
porque o saci-pererê não fazia mal a ninguém
limitando-se moleque a dançar maxixes desenfreados
no mundo das garotas de madeira
que meu tio habilidoso fazia para mim.

A mãe-d’água só se preocupava
em tomar banhos asseadíssima
na piscina do sítio que não tinha chuveiro.

De noite eu ia no fundo do quintal
para ver se aparecia um gigante com trezentos anos
que ia me levar dentro dum surrão,
mas não acreditava nada.

Fiquei sem tradição sem costumes nem lendas
estou diante do mundo
deitado na rede mole
que todos os países embalançam.

(Os melhores poemas, 2000.)

No poema, a partir da rememoração de certos eventos da infância, o eu lírico expressa um sentimento de

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Leia o trecho que segue para responder a questão.

“A trave ficava no fundo da nossa garagem e era leve o suficiente para ser carregada por dois meninos até o meio da rua. Sobre o carpete agreste de paralelepípedos travávamos peladas épicas que só não entravam pela madrugada porque as mães apareciam nas portas das casas e, uma a uma, inclementes, iam nos convocando para o jantar.”

PRATA, Antônio. O meu avô. Folha 02/07/201

No excerto “Sobre o carpete agreste de paralelepípedos [...]”, qual o sentido da expressão grifada?