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PortuguêsFEMA2016

Examine a charge do cartunista Pancho.

No contexto da charge, a relação de sentido estabelecida entre as frases “O chaveiro saiu.” e “Arrombaram a casa dele…” é de

PortuguêsFEMA2022

Considere o poema “O menino sem passado”, de Murilo Mendes, para responder à questão.

Monstros complicados
não povoaram meus sonhos de criança
porque o saci-pererê não fazia mal a ninguém
limitando-se moleque a dançar maxixes desenfreados
no mundo das garotas de madeira
que meu tio habilidoso fazia para mim.

A mãe-d’água só se preocupava
em tomar banhos asseadíssima
na piscina do sítio que não tinha chuveiro.

De noite eu ia no fundo do quintal
para ver se aparecia um gigante com trezentos anos
que ia me levar dentro dum surrão,
mas não acreditava nada.

Fiquei sem tradição sem costumes nem lendas
estou diante do mundo
deitado na rede mole
que todos os países embalançam.

(Os melhores poemas, 2000.)

Na terceira estrofe, o trecho “para ver se aparecia um gigante com trezentos anos” indica ideia de

PortuguêsFEMA2019

Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade para responder à questão.

Sociedade


O homem disse para o amigo:
− Breve irei a tua casa
e levarei minha mulher.

O amigo enfeitou a casa
e quando o homem chegou com a mulher,
soltou uma dúzia de foguetes.

O homem comeu e bebeu.
A mulher bebeu e cantou.
Os dois dançaram.
O amigo estava muito satisfeito.

Quando foi hora de sair,
o amigo disse para o homem:
− Breve irei a tua casa.
E apertou a mão dos dois.

No caminho o homem resmunga:
− Ora essa, era o que faltava.
E a mulher ajunta: − Que idiota.

− A casa é um ninho de pulgas.
− Reparaste o bife queimado?
O piano ruim e a comida pouca.

E todas as quintas-feiras
eles voltam à casa do amigo
que ainda não pôde retribuir a visita.

(Poesia, 2012.)

Na história narrada no poema,

PortuguêsFEMA2017

Leia o trecho do texto de Vera L. Zoberg para responder às questão.

Perguntar o que é arte pode à primeira vista parecer malicioso, já que seu significado é geralmente tido como ponto pacífico. Mas as sociedades ocidentais modernas vêm testemunhando mudanças tão radicais nas formas e no conteúdo da arte, ou no que excluir dela, que tais questões se insinuam em qualquer análise sociológica da arte. Além do mais, mesmo quando parece haver consenso em torno das formas de arte, são feitas novas reivindicações de inclusão que parecem destinadas a abalar a confiança até mesmo dos observadores mais experientes. Em vez de óleos sobre tela ou esculturas de mármore em museus, eles agora se veem diante de pilhas de tijolos; em vez de melodias criadas segundo escalas e harmonias tradicionais, executadas em auditórios ornamentados por músicos cujos esforços são dirigidos por maestros, de acordo com notações prescritas em partituras, eles se veem diante de “concertos” de praia para os quais os integrantes da plateia são convidados a trazer radinhos portáteis e ligá-los no último volume, numa estação de livre escolha; em vez de danças executadas por mulheres na ponta dos pés com sainhas de tule, ou, independentemente do sexo, numa postura desnatural, os pés virados para fora, eles veem executantes em indescritíveis roupas de ensaio, relaxadamente andando de lá para cá ou gingando feito moleques de rua. A questão, evidentemente, não é frívola, mas também não há muita concordância sobre como respondê-la.

(Para uma sociologia das artes, 2006. Adaptado.)

As palavras “independentemente”, “desnatural” e “indescritíveis” são formadas com prefixos de mesmo sentido.

Esse mesmo sentido é encontrado no prefixo da palavra:

PortuguêsFEMA2018

Leia o texto de David L. Haberman para responder a questão.

Um exame introdutório do hinduísmo pode revelar-se muito difícil, já que não há um fundador, nenhum ponto histórico claro de início nem um texto central, ao contrário do que ocorre com a maioria das outras tradições religiosas. O hinduísmo é uma tradição extremamente diversificada, que consiste numa ampla gama de práticas e crenças, o que torna a tarefa de generalização praticamente impossível. O próprio termo “hinduísmo” é em ampla medida uma construção do Ocidente destinada apenas a designar a religião dominante da maior parte dos povos que habitam o continente subasiático. Logo, sob muitos aspectos, é absurdo tentar representar o hinduísmo por meio de um único texto, porque nenhum texto específico é aceito como dotado de conformidade por todos os povos que podem identificar-se como hindus, e muitos julgam que sua religião está fundada antes num modo de agir do que num texto escrito. Não obstante, caso fosse buscar um “texto fundador” para representar pilares significativos da filosofia hindu, uma boa escolha seria um dos principais Upanixades. O conjunto de textos conhecido como Upanixades tem desempenhado um papel decisivo ao longo de toda a história religiosa hindu; esses textos vêm há séculos definindo questões filosóficas centrais na Índia e continuam a ser uma importante fonte de inspiração e orientação no âmbito do atual mundo hindu.

(Dez teorias da natureza humana, 2005. Adaptado.)

Em sua argumentação, o texto

PortuguêsFEMA2017

Leia o trecho do texto de Vera L. Zoberg para responder às questão.

Perguntar o que é arte pode à primeira vista parecer malicioso, já que seu significado é geralmente tido como ponto pacífico. Mas as sociedades ocidentais modernas vêm testemunhando mudanças tão radicais nas formas e no conteúdo da arte, ou no que excluir dela, que tais questões se insinuam em qualquer análise sociológica da arte. Além do mais, mesmo quando parece haver consenso em torno das formas de arte, são feitas novas reivindicações de inclusão que parecem destinadas a abalar a confiança até mesmo dos observadores mais experientes. Em vez de óleos sobre tela ou esculturas de mármore em museus, eles agora se veem diante de pilhas de tijolos; em vez de melodias criadas segundo escalas e harmonias tradicionais, executadas em auditórios ornamentados por músicos cujos esforços são dirigidos por maestros, de acordo com notações prescritas em partituras, eles se veem diante de “concertos” de praia para os quais os integrantes da plateia são convidados a trazer radinhos portáteis e ligá-los no último volume, numa estação de livre escolha; em vez de danças executadas por mulheres na ponta dos pés com sainhas de tule, ou, independentemente do sexo, numa postura desnatural, os pés virados para fora, eles veem executantes em indescritíveis roupas de ensaio, relaxadamente andando de lá para cá ou gingando feito moleques de rua. A questão, evidentemente, não é frívola, mas também não há muita concordância sobre como respondê-la.

(Para uma sociologia das artes, 2006. Adaptado.)

“Além do mais, mesmo quando parece haver consenso em torno das formas de arte, são feitas novas reivindicações de inclusão que parecem destinadas a abalar a confiança até mesmo dos observadores mais experientes.”

Em relação ao período em que está inserida, a oração destacada tem sentido de

PortuguêsFEMA2017

Leia o trecho do texto de Vera L. Zoberg para responder às questão.

Perguntar o que é arte pode à primeira vista parecer malicioso, já que seu significado é geralmente tido como ponto pacífico. Mas as sociedades ocidentais modernas vêm testemunhando mudanças tão radicais nas formas e no conteúdo da arte, ou no que excluir dela, que tais questões se insinuam em qualquer análise sociológica da arte. Além do mais, mesmo quando parece haver consenso em torno das formas de arte, são feitas novas reivindicações de inclusão que parecem destinadas a abalar a confiança até mesmo dos observadores mais experientes. Em vez de óleos sobre tela ou esculturas de mármore em museus, eles agora se veem diante de pilhas de tijolos; em vez de melodias criadas segundo escalas e harmonias tradicionais, executadas em auditórios ornamentados por músicos cujos esforços são dirigidos por maestros, de acordo com notações prescritas em partituras, eles se veem diante de “concertos” de praia para os quais os integrantes da plateia são convidados a trazer radinhos portáteis e ligá-los no último volume, numa estação de livre escolha; em vez de danças executadas por mulheres na ponta dos pés com sainhas de tule, ou, independentemente do sexo, numa postura desnatural, os pés virados para fora, eles veem executantes em indescritíveis roupas de ensaio, relaxadamente andando de lá para cá ou gingando feito moleques de rua. A questão, evidentemente, não é frívola, mas também não há muita concordância sobre como respondê-la.

(Para uma sociologia das artes, 2006. Adaptado.)

Em relação à definição de arte, o texto

PortuguêsFEMA2022

Leia o poema de Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, para responder à questão.

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

(Os melhores poemas de Fernando Pessoa, 2001.)

Depreende-se do poema que o eu lírico valoriza a

PortuguêsFEMA2017

Leia o texto de Lysander Spooner (1808-1887) para responder à questão.

Os vícios são atos através dos quais um homem lesa sua própria pessoa ou seus bens.

Os crimes são atos através dos quais um homem lesa alguém ou seus bens.

Os vícios são, apenas, os erros que um homem comete ao buscar sua felicidade individual. Ao contrário dos crimes, não implicam em qualquer intenção criminosa em relação a outras pessoas ou qualquer dano a bens delas. Essa intenção, que falta aos vícios, é a essência do crime, segundo a máxima jurídica.

Enquanto não for claramente estabelecida e reconhecida pelas leis uma distinção entre os vícios e os crimes, não poderá existir na terra nada como os direitos individuais, liberdade ou propriedade, nem nada que se pareça de perto com o direito de um homem dispor livremente da sua pessoa e dos seus bens.

Ao declarar que um vício é um crime e puni-lo enquanto tal, um governo tenta falsificar a própria natureza das coisas. É tão absurdo como declarar que a verdade era mentira, ou a mentira verdade.

(Vícios não são crime, 2003. Adaptado.)

Decorre da argumentação do texto que

PortuguêsFEMA2021

Leia o trecho do ensaio “A passividade”, de Maria Rita Kehl, para responder a questão.

A primeira consideração sobre a passividade não poderia ser outra senão uma constatação: a de que todos estão irremediavelmente marcados pela experiência da passividade. Mais: de que somos/estamos marcados pela experiência radical da passividade, anterior a qualquer possibilidade de escolha. A primeira posição do bebê é passiva, de completa dependência de um adulto que o tome a seus cuidados: seja a mãe, o pai, uma mãe adotiva, uma babá. Isso porque, diferente de outras espécies, o filhote humano permanece por muito tempo nesse estado de desamparo, nesta dependência de que um Outro deseje se ocupar dele. Se a criança não for tomada ao cuidado do outro, se esse outro não souber, desde o instante do nascimento e ainda por um longo tempo a que chamamos infância, interpretar as expressões de insatisfação e sofrimento da criança e responder a elas, a criança sequer sobrevive fisicamente – ao passo que a maioria dos animais, pouco depois de nascidos, a não ser que sejam abandonados em um ecossistema muito diferente do seu natural, tendem a sobreviver instintivamente. A cria do mamífero, por exemplo, busca instintivamente a teta, bastando, para tanto, que a mãe coloque-a à disposição. Nisto consiste a diferença, para a psicanálise, entre o instinto e a pulsão. Enquanto o animal é adaptado biologicamente ao meio – seu código genético o provê de um “saber” sobre os objetos de satisfação de suas necessidades –, o humano, marcado pela linguagem e destinado a um ambiente cultural, discursivo, se não contar com quem “saiba” do que ele precisa, não sobreviverá. É claro que os recém-nascidos contam com uma reserva vital. Talvez vocês se lembrem do que se passou durante o terremoto do México, quando parte do berçário de uma maternidade foi soterrada e as crianças sobreviveram uma semana, pois ficaram em um bolsão de ar, contando ainda com suas respectivas reservas vitais provenientes das placentas que há pouco tempo ainda as envolviam.

(Adauto Novaes (org.). Vida vício virtude, 2009.)

De acordo com a autora,