Inteligência animal
O homem é o único animal que [ ]. O espaço entre os colchetes já foi preenchido por hipóteses para todos os gostos. “Usa ferramentas”, “desenvolve e transmite cultura”, “imagina o futuro”, “compreende o que se passa em outras mentes”, “usa sintaxe” são algumas das mais recentes. Todas elas acabaram sendo descartadas por evidências empíricas, à medida que os cientistas, particularmente os etólogos1, foram sofisticando os experimentos pelos quais acessam e avaliam a inteligência animal. Talvez já seja hora de aposentar a fórmula “o homem é o único animal que...”.
Essa é a tese que o primatologista Frans de Waal defende com ardor em Are We Smart Enough to Know How Smart Animals Are? (Somos espertos o suficiente para saber quão espertos são os animais?). Como em outros livros do autor, ele nos inunda com histórias incríveis de façanhas intelectuais de bichos. Conta que polvos usam casacas de coco como ferramenta, que elefantes são capazes de distinguir idiomas humanos, que macacos japoneses aprenderam a lavar batatas doces com água e passaram a técnica às gerações seguintes. A isso se somam as evidências de que chimpanzés fazem política e até pagam propinas a aliados, sem mencionar os corvos, que estão se revelando verdadeiros Einsteins do reino animal.
(www.folha.uol.com.br. Adaptado.) 1 etólogo: estudioso do comportamento social e individual dos animais em seu hábitat natural.A partir da leitura do texto, é correto concluir que
POR QUE COMPRAMOS O “CULTO” DO EXCESSO DE TRABALHO?
Hoje em dia, muitas pessoas trabalham longas horas para pagar dívidas ou para manter os empregos (e, em muitos casos, as empresas esperam que os funcionários trabalhem longas horas e estejam constantemente disponíveis). No entanto, para aqueles que abraçam a cultura do excesso de trabalho, há também um elemento performático, que se manifesta como um carro novo para se exibir, uma “carreira dos sonhos” fazendo algo significativo ou até mesmo exaustão que pode ser ostentada como um tipo bizarro de troféu.
Disponível em: https://www.bbc.com/worklife/article. Acesso em: 27 maio 2021 (adaptado).A partir da leitura do texto, depreende-se que a
No Brasil, um exemplo de história que precisa ser narrada é a dos movimentos em defesa dos direitos que hoje reconhecemos como movimentos LGBTQIA+. Tais movimentos eclodiram como um ato de resistência em plena ditadura civil-militar, marcada pela repressão e por ideais conservadores. Naquele contexto, a busca por visibilidade passou a ser compreendida como um dos elementos fundamentais para a conquista da cidadania. Entre outras coisas, os ativistas defendiam que os direitos políticos, sociais e civis tornam-se socialmente legítimos para os cidadãos quando envolvem o direito aos meios de comunicação e à livre expressão.
(Baseado em Vinicius Ferreira e Igor Sacramento, Editorial: Movimento LGBT no Brasil: violências, memórias e lutas. Reciis – Rev Eletron Comun Inf Inov Saúde. 2019 abr.-jun.13(2): p. 234-239.)A partir da leitura do texto, assinale a alternativa correta acerca da historicidade dos movimentos políticos identitários e suas estratégias políticas de ação.
I. Deus chama cada um para a sua vocação particular cujo objetivo é a glorificação dele mesmo. O comerciante que busca o lucro, pelas qualidades que o sucesso econômico exige: o trabalho, a sobriedade, a ordem, responde também ao chamado de Deus, santificando de seu lado o mundo pelo esforço, e sua atenção é santa.
(Escritos de João Calvino)II. Por outro lado, impõe-se no fato de os protestantes, tanto como classe dirigente, quanto classe dirigida, seja como maioria, seja como minoria, terem demonstrado tendência específica para o racionalismo econômico, que não pode ser observada entre os católicos em qualquer uma dessas situações. A razão dessas diferentes atitudes deve, portanto, ser procurada no caráter intrínseco permanente de suas crenças religiosas, e não apenas em suas temporárias situações externas na história.
(Max Weber, A ética protestante e o espírito do capitalismo)A partir da leitura do texto II, é correto concluir que o capitalismo tem uma fundamentação
Considere o texto abaixo de Zygmunt Baumann, avaliando a atual sociedade de consumidores em que vivemos na perspecitva dos indivíduos:
A ‘subjetividade’ dos consumidores é feita de opções de compra – opções assumidas pelo sujeito e seus potenciais compradores; sua descrição adquire a forma de uma lista de compras. O que se supõe ser a materialização da verdade interior do self é uma idealização dos traços materiais – ‘objetificados’ – das escolhas do consumidor.”
(BAUMANN, Z. Vida para o consumo: a transformação de pessoas em mercadorias. Rio de Janeiro, Ed. Jorge Zahar, 2008)A partir da fala do autor e considerando as atuais relações sociais que se estabelecem em nossa sociedade, podemos afirmar que:
Os textos a seguir são base para responder à questão 38.
Em todas as sociedades os indivíduos ocupam posições sociais, denominadas de status social, que implicam em direitos e deveres, bem como lhes dão maior ou menor destaque, prestígio e poder, caracterizados por um estilo de vida, sinalizado pela moradia, pelo consumo, pelo modo de vestir, pelo modo de falar e pela ocupação profissional.
GIDDENS, A. Sociologia. 4ª ed. Porto Alegre: Artemed, 2005. (Adaptado).No início do mês de junho de 2017 uma escola particular do Rio Grande do Sul promoveu uma festa para seus alunos do terceiro ano do Ensino Médio com a temática “Se nada der certo”. Na referida festa os alunos se fantasiaram com roupas que faziam referência a determinadas profissões como faxineiro, mecânico, entregador de jornal, atendente de supermercado e empregadas domésticas, além de fantasias como “ladrão” e “mendigo”, como “alternativas” para os planos originais de carreira, caso não sejam aprovados no vestibular.
Disponível em http: www.jornaisvirtuais.com.brA partir da definição de status social apresentada no primeiro texto, pode-se afirmar que o tema da festa, “Se nada der certo”, retratada no segundo texto, reflete que as ocupações profissionais apresentam valores diferenciados,
“As vivências humanas expressam o contexto histórico de cada época. O estudo do passado e a compreensão do presente não se relacionam de forma determinista; portanto, as ‘soluções de ontem’ não servem para os problemas de hoje. Sem um processo de recriação que considere mudanças e permanências históricas, as experiências do passado não podem ser aplicadas no presente.”
(Cotrim, Gilberto. História Global – Brasil e Geral. 8 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p 10)A partir da citação pode-se considerar
“No patrimônio de pedra e cal, entre outros, encontramos os Arcos da Lapa, construído com o sangue e o suor dos índios, conforme carta do sec. XVII escrita por André Soares, responsável pela construção do Aqueduto que trouxe água do rio Carioca para a cidade, ‘a qual obra se não pode fazer sem assistência dos índios, que são os trabalhadores que naquellas partes costumão trabalhar’. O autor menciona índios nas obras do Senado da Câmara e nos engenhos de particulares. A informação é confirmada pelo jesuíta Plácido Nunes (1683-1755), em carta dirigida ao Vice-Rei do Brasil: ‘Em nossos tempos todas as Fortalezas, que se acham no Rio de Janeiro foram feitas pelos índios (...). Estes mesmos abriram o Caminho Grande, que vai do Rio de Janeiro para Minas até o Rio Paraibuna. Estes, finalmente os que trabalharam o Aqueduto pelo qual se pôs a Água do Carioca na Cidade do Rio de Janeiro.’”
(José Ribamar Bessa Freire. professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). In: Correio do Brasil.com.br; novo Direto da Redação, 06/03/2013)A partir da argumentação do autor, conclui-se que
Texto 1
O fato de a exposição Queermuseu ter sofrido uma série de retaliações de setores fascistas e reacionários do Brasil, conhecidos por suas posições homofóbicas, racistas e classistas, faz com que seja importante trazer outras camadas para esse debate. Os ataques à mostra se deram não somente na internet, mas também na própria exposição – onde o público visitante era constrangido com a presença de manifestantes a favor do fechamento da exposição.
(Tiago Sant’Ana. “‘Queermuseu’: a apropriação que acabou em censura”. Le Monde Diplomatique, 18.09.2017. Adaptado.)Texto 2
A diretora Daniela Thomas apresentou seu filme, Vazante, que fala sobre escravidão, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Ela foi duramente questionada no debate a partir de questões que não falam de aspectos estéticos propriamente, mas sobre procedimentos escolhidos para fazer a obra: “você não incluiu pessoas negras na produção, você não teve consultoria de negros para o roteiro”. Chegou-se a sugerir que Daniela não exibisse o filme comercialmente, que ele não fosse colocado nas salas de cinema. A censura está muito presente e ela não é só uma vontade ou um movimento que parte do ponto de vista da direita, mas também da esquerda.
(Rodrigo Cássio. “Conversa entre professores: a censura não tem lado”. www.adufg.org.br, 09.11.2017. Adaptado.)A partir da análise dos textos 1 e 2, depreende-se que ambos os acontecimentos
Quando a lama tóxica que irrompeu da barragem da Vale em Brumadinho (MG), em seu caminho de destruição, chegou às margens da aldeia Pataxó Hã-hã-hãe, o cacique Hayó afirmou: “O nosso rio está morto. Estamos com o coração ferido, pois agora não temos como sobreviver”. Diante dos cadáveres dos peixes e do próprio rio Paraopeba, a aldeia – que ali se fixou na tentativa de escapar da hostilidade enfrentada em seu local de origem – enfrenta agora mais um efeito colateral do mesmo modelo de desenvolvimento que fez de suas terras alvo de disputas.
Disponível em: http://www.inesc.org.br/. Acesso em: 2 de fev. 2019.A partir da análise do texto, pode-se inferir que