Leia o trecho do conto “Paixão”, de Nelson Rodrigues, para responder à questão.
Tinha um apetite de passarinho. E a mãe, as tias, viviam reclamando:
— Verita não come: belisca.
Era um sacrifício na hora das refeições. Não queria isso, não queria aquilo, enjoadíssima para comer. Tinha um fastio nato, que a ralava, que a consumia. A mãe, que adorava aquela filha, vivia criando quitutes especiais e fabulosos, inventando mingaus, doces. Mas Verita refugava tudo, manhosa como uma convalescente. Se insistiam, acabava se contorcendo em ânsias, em náuseas. A mãe, atribuladíssima, gemia:
— Que mal fiz eu a Deus?
De vez em quando, o médico da família vinha auscultá-la. Comandava:
— Diga trinta e três.
E ela, com a toalha nas costas:
— Trinta e três.
— Agora tussa.
Tossia. O doutor, que era uma simpatia, mas de uma ineficácia comovente, avisava:
— No pulmão não tem nada.
Receitava injeções fortificantes, que a menina, em pânico, repelia, no pavor da agulhada. E, na rua, entre os vizinhos, murmurava-se que Verita sofria do coração, que tinha um “sopro no coração”.
(A vida como ela é, 2011.)Ao se referir ao médico, o narrador afirma que ele era “de uma ineficácia comovente”, o que se confirma pelo fato de o personagem
Leia o trecho do conto “Paixão”, de Nelson Rodrigues, para responder à questão.
Tinha um apetite de passarinho. E a mãe, as tias, viviam reclamando:
— Verita não come: belisca.
Era um sacrifício na hora das refeições. Não queria isso, não queria aquilo, enjoadíssima para comer. Tinha um fastio nato, que a ralava, que a consumia. A mãe, que adorava aquela filha, vivia criando quitutes especiais e fabulosos, inventando mingaus, doces. Mas Verita refugava tudo, manhosa como uma convalescente. Se insistiam, acabava se contorcendo em ânsias, em náuseas. A mãe, atribuladíssima, gemia:
— Que mal fiz eu a Deus?
De vez em quando, o médico da família vinha auscultá-la. Comandava:
— Diga trinta e três.
E ela, com a toalha nas costas:
— Trinta e três.
— Agora tussa.
Tossia. O doutor, que era uma simpatia, mas de uma ineficácia comovente, avisava:
— No pulmão não tem nada.
Receitava injeções fortificantes, que a menina, em pânico, repelia, no pavor da agulhada. E, na rua, entre os vizinhos, murmurava-se que Verita sofria do coração, que tinha um “sopro no coração”.
(A vida como ela é, 2011.)A metáfora é a figura pela qual se explicita uma relação de semelhança. Verifica-se sua presença na seguinte passagem do texto:
Em um trecho da canção “O que será (À flor da pele)”, de Chico Buarque, o autor descreve os sentimentos e sensações físicas frente ao amor.
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que será
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
Supondo que o texto esteja descrevendo um conjunto de sintomas biológicos decorrentes de uma reação do organismo frente a um agente externo, é correto afirmar que se trata
Leia o texto de Marcos Dantas para responder à questão.
Uma utopia democrática
Nas décadas de 1910 e 1920, alguns milhares de pessoas, a maioria nos Estados Unidos, puseram-se a montar e usar equipamentos de radiotransmissão, passando a trocar mensagens sobre tudo, através das ondas hertzianas. Montar um equipamento era relativamente fácil: bastava comprar os componentes no comércio varejista e seguir as instruções divulgadas em revistas especializadas. “Entrar no ar” era um ato individual, inteiramente livre.
Essa liberdade de acesso ao espectro eletromagnético levou o dramaturgo marxista alemão Bertolt Brecht a formular uma “teoria do rádio” que propunha dotar todas as residências com aparelhos emissores-receptores, pelos quais os indivíduos (cidadãos) poderiam manter relações políticas e culturais entre si, construindo uma espécie de assembleia popular permanente.
Brecht vislumbrou aí a possibilidade de se instaurar uma esfera pública cidadã. Seria um espaço, sustentado numa infraestrutura técnica, no qual os indivíduos cidadãos poderiam intervir, na condição de produtores diretos e autônomos de cultura. Seria o alargamento e a consolidação do ideal iluminista de esfera pública burguesa, agora expandida para toda a sociedade democrática. Seria, pois, a radicalização da democracia.
(A lógica do capital-informação, 2002. Adaptado.)
Segundo o texto, Bertolt Brecht
A queda do Império Romano do Ocidente representou a desagregação do quadro político do Estado, cujo aparato administrativo e militar entrou em colapso no século V. A organização social da época tardia persistiu, com a permanência de instituições como o patrocínio e o colonato. A economia existente no século IV não sofreu de imediato uma grande transformação. Ao lado dos dominadores bárbaros, a velha aristocracia romana de latifundiários manteve boa parte de seus privilégios. A força militar dos bárbaros contribuiu para perpetuar a exploração da massa de colonos, ligando-os estreitamente à terra e submetendo- os a seus senhores ou seus bispos.
A Igreja garantiu um mínimo de unidade cultural no então fragmentado mundo ocidental.
(Maria Luiza Corassin. Sociedade e política na Roma antiga, 2001.)
Para a historiadora, houve
Leia o texto de Marcos Dantas para responder à questão.
Uma utopia democrática
Nas décadas de 1910 e 1920, alguns milhares de pessoas, a maioria nos Estados Unidos, puseram-se a montar e usar equipamentos de radiotransmissão, passando a trocar mensagens sobre tudo, através das ondas hertzianas. Montar um equipamento era relativamente fácil: bastava comprar os componentes no comércio varejista e seguir as instruções divulgadas em revistas especializadas. “Entrar no ar” era um ato individual, inteiramente livre.
Essa liberdade de acesso ao espectro eletromagnético levou o dramaturgo marxista alemão Bertolt Brecht a formular uma “teoria do rádio” que propunha dotar todas as residências com aparelhos emissores-receptores, pelos quais os indivíduos (cidadãos) poderiam manter relações políticas e culturais entre si, construindo uma espécie de assembleia popular permanente.
Brecht vislumbrou aí a possibilidade de se instaurar uma esfera pública cidadã. Seria um espaço, sustentado numa infraestrutura técnica, no qual os indivíduos cidadãos poderiam intervir, na condição de produtores diretos e autônomos de cultura. Seria o alargamento e a consolidação do ideal iluminista de esfera pública burguesa, agora expandida para toda a sociedade democrática. Seria, pois, a radicalização da democracia.
(A lógica do capital-informação, 2002. Adaptado.)
“Seria o alargamento e a consolidação do ideal iluminista de esfera pública burguesa […].”
O verbo “seria” está em um tempo verbal que indica
Leia o trecho do romance Senhora, de José de Alencar, para responder à questão.
O aspecto da casa revelava, bem como seu interior, a pobreza da habitação.
A mobília da sala consistia em sofá, seis cadeiras e dois consolos de jacarandá, que já não conservavam o menor vestígio de verniz. O papel da parede de branco passara a amarelo e percebia-se que em alguns pontos já havia sofrido hábeis remendos.
O gabinete oferecia a mesma aparência. O papel que fora primitivamente azul tomara a cor de folha seca.
Outra singularidade apresentava essa parte da habitação: era o frisante contraste que faziam com a pobreza carrança dos dois aposentos certos objetos, aí colocados, e de uso do morador.
Assim, no recosto de uma das velhas cadeiras de jacarandá, via-se neste momento uma casaca preta, que pela fazenda superior, mas sobretudo pelo corte elegante e esmero do trabalho, conhecia-se ter o chique da casa do Raunier, que já era naquele tempo o alfaiate da moda.
Ao lado da casaca estava o resto de um traje de baile, que todo ele saíra daquela mesma tesoura em voga; finíssimo chapéu claque do melhor fabricante de Paris; luvas de Jouvin cor de palha; e um par de botinas como o Campas só fazia para os seus fregueses prediletos.
Passando à alcova, na mesquinha banca de escrever, coberta com um pano desbotado e atravancada de rumas de livros, a maior parte romances, apareciam sem ordem tinteiros de bronze dourado sem serventia; porta-charutos de vários gostos, cinzeiros de feitios esquisitos e outros objetos de fantasia.
(Senhora, 2000. Adaptado.)
“O papel da parede de branco passara a amarelo e percebia-se que em alguns pontos já havia sofrido hábeis remendos.”
O termo em destaque é uma forma verbal composta. A forma simples equivalente é:
Leia o trecho do texto de Ciro Marcondes Filho para responder à questão.
Quando Marcel acariciava Albertine, quando ele a tinha sobre seus joelhos e sua cabeça sobre suas mãos, ele sentia que manuseava uma pedra que encerrava a salina de oceanos imemoriais; ele percebia que tocava somente o invólucro fechado de uma pessoa, que, como todos nós, era um ser insondável, do qual muito pouco se poderia conhecer. Como ela, somos todos dotados de uma incomunicabilidade de origem. Jamais o outro nos conhecerá; e nós, o outro. Não conseguimos sair de nós, dizia Lucrécia, tudo o que conhecemos do outro é somente a partir de nós mesmos.
A comunicação, portanto, no sentido de partilhar, de tornar comum, de dividir, é um equívoco. Nada pode ser tornado comum. Nada se passa, nada se repassa. Por isso, comunicação não é transmissão, transferência, deslocamento de nada. Essas definições carregam em si a ideia equivocada de que há um objeto, uma coisa, algo que é movido de um a outro.
O Outro para nós será sempre um mistério, uma caixa-preta, do qual muito pouco podemos conhecer.
(Das coisas que nos fazem pensar, 2014. Adaptado.)
O autor do texto utiliza linguagem figurada em:
Leia o texto para responder a questão.
These Parasites Really Get Under Your Skin
It is scary enough when parasitic diseases such as malaria and amoebic dysentery get into the body, but molecular biologist Antonio Teixeira of the University of Brasilia has found something even more frightening. At least one parasite — Trypanosoma cruzi (T. cruzi), which causes Chagas disease — can worm its way into your DNA, becoming a permanent, heritable part of your genes.
Though mostly eradicated in the United States, Chagas disease claims 100,000 lives a year in South America. Transmitted by the bites of bugs that live in tropical regions, the protozoan T. cruzi damages or destroys vital organs, especially the heart, over a period of years.
On a hunch, Teixeira extracted DNA from the hearts of 13 adults infected with T. cruzi. Teixeira then infected chicken eggs with the parasite and examined both the resulting chickens and two generations of its offspring for T. cruzi DNA. Sure enough, he found parasitic DNA in all the offspring of the infected chickens.
The findings hint that the protozoa responsible for toxoplasmosis, amoebic dysentery, malaria, and other diseases may also insinuate themselves into human genes. If so, we probably all carry remnants of parasitic DNA passed along by infected ancestors. The big question then becomes, what is that parasitic DNA doing to us? “It isn’t proven yet that getting into the DNA is critical to causing Chagas or any other disease,” Teixeira says. “But I’d think it was odd if it didn’t influence anything.”
(www.discovermagazine.com. Adaptado.)No trecho do primeiro parágrafo – has found something even more frightening –, a palavra em destaque pode ser substituída, sem alteração de sentido, por
Leia o texto de Marcos Dantas para responder à questão.
Uma utopia democrática
Nas décadas de 1910 e 1920, alguns milhares de pessoas, a maioria nos Estados Unidos, puseram-se a montar e usar equipamentos de radiotransmissão, passando a trocar mensagens sobre tudo, através das ondas hertzianas. Montar um equipamento era relativamente fácil: bastava comprar os componentes no comércio varejista e seguir as instruções divulgadas em revistas especializadas. “Entrar no ar” era um ato individual, inteiramente livre.
Essa liberdade de acesso ao espectro eletromagnético levou o dramaturgo marxista alemão Bertolt Brecht a formular uma “teoria do rádio” que propunha dotar todas as residências com aparelhos emissores-receptores, pelos quais os indivíduos (cidadãos) poderiam manter relações políticas e culturais entre si, construindo uma espécie de assembleia popular permanente.
Brecht vislumbrou aí a possibilidade de se instaurar uma esfera pública cidadã. Seria um espaço, sustentado numa infraestrutura técnica, no qual os indivíduos cidadãos poderiam intervir, na condição de produtores diretos e autônomos de cultura. Seria o alargamento e a consolidação do ideal iluminista de esfera pública burguesa, agora expandida para toda a sociedade democrática. Seria, pois, a radicalização da democracia.
(A lógica do capital-informação, 2002. Adaptado.)
“Brecht vislumbrou aí a possibilidade de se instaurar uma esfera pública cidadã.”
No contexto apresentado, a palavra destacada é um verbo