Observe o poema a seguir, do autor Paulo Henriques Britto, e, a partir dele, responda aquestão:
Nada de mergulhos. É na superfície
que o real, minúsculo plâncton, se trai.
Sentidos, sentimentos e outros moluscos
não passam pela finíssima peneira
do funcional. E o sofrimento, ai,
esse nefando pinguim de louça
sobre o que deveria ser, na quiti
nete do eu, uma austera geladeira...
Que ninguém nos ouça: guarda esse escafandro,
meu filho. Só o raso é cool. A dor é kitsch.
(BRITTO, Paulo Henriques. Macau. São Paulo: Cia das Letras, 2003.)Qual olhar sobre a poesia moderna é proposto a partir do poema de Paulo Henriques Britto?
Pensar por si mesmo
A mais rica biblioteca, quando desorganizada, não é tão proveitosa quanto uma bastante modesta, mas bem ordenada. Da mesma maneira, uma grande quantidade de conhecimentos, quando não foi laborada por um pensamento próprio, tem muito menos valor do que uma quantidade bem mais limitada, que, no entanto, foi devidamente assimilada. Pois é apenas por meio da combinação ampla do que se sabe, por meio da comparação de cada verdade com todas as outras, que uma pessoa se apropria de seu próprio saber e o domina. Só é possível pensar com profundidade sobre o que se sabe, por isso se deve aprender algo; mas também só se sabe aquilo sobre o que se pensou com profundidade.
A leitura não passa de um substituto do pensamento próprio. Trata-se de um modo de deixar que seus
pensamentos sejam conduzidos em andadeiras por outra pessoa. Além disso, muitos livros servem apenas para mostrar quantos caminhos falsos existem e como uma pessoa pode ser extraviada se resolver segui-los. Mas aquele que é conduzido pelo gênio, ou seja, que pensa por si mesmo, que pensa por vontade própria, de modo autêntico, possui a bússola para encontrar o caminho certo.
Assim, uma pessoa só deve ler quando a fonte dos seus pensamentos próprios seca, o que ocorre com bastante frequência mesmo entre as melhores cabeças. Por outro lado, renegar os pensamentos próprios, originais, para tomar um livro nas mãos é um pecado contra o Espírito Santo. É algo semelhante a fugir da natureza e do ar livre seja para visitar um herbário, seja para contemplar belas regiões em gravuras.
(Adaptado de: SCHOPENHAUER, A. A arte de escrever. Trad. de Pedro Süssekind. Porto Alegre: L&PM, 2013. p. 35-38.)Qual frase abaixo não apresenta, no contexto em que ocorre, palavras ou expressões em sentido figurado:
Qual das formas a seguir possui uma concordância considerada desviante segundo a gramática normativa?
Os textos das tirinhas são criações de um adulto, que pretende reproduzir a fala infantil em contextos cotidianos. Se consideradas possíveis no universo infantil, essas falas podem usadas como argumentos para:
Leia o texto abaixo:
Daria um filme, Uma negra,
E uma criança nos braços,
Solitária na floresta,
De concreto e aço,
Veja,
Olha outra vez,
O rosto na multidão,
A multidão é um monstro,
Sem rosto e coração,
Hey,
São paulo,
Terra de arranha-céu,
A garoa rasga a carne,
É a torre de babel,
Família brasileira,
Dois contra o mundo,
Mãe solteira,
De um promissor,
Vagabundo,
Luz,Câmera e ação,
Gravando a cena vai,
O bastardo,
Mais um filho pardo,
Sem pai,
Hey, Senhor de engenho,
Eu sei,
Bem quem você é,
Sozinho, se num guenta,
Sozinho,Se num guenta a pé,
Se disse que era bom, E as favela ouviu, la
Também tem
Whisky, e Red Bull,
Tênis Nike,
Fuzil,
(Racionais Mc’s. Negro Drama.)O trecho da música “Negro Drama”, do grupo de rap Racionais Mc’s, retrata a:
O processo de formação de palavras é usado como um gatilho para provocar o humor nas duas tirinhas. A esse respeito, assinale a alternativa correta:
Observe o poema a seguir, do autor Paulo Henriques Britto, e, a partir dele, responda aquestão:
Nada de mergulhos. É na superfície
que o real, minúsculo plâncton, se trai.
Sentidos, sentimentos e outros moluscos
não passam pela finíssima peneira
do funcional. E o sofrimento, ai,
esse nefando pinguim de louça
sobre o que deveria ser, na quiti
nete do eu, uma austera geladeira...
Que ninguém nos ouça: guarda esse escafandro,
meu filho. Só o raso é cool. A dor é kitsch.
(BRITTO, Paulo Henriques. Macau. São Paulo: Cia das Letras, 2003.)O poema discorre sobre o próprio fazer poético e suas tendências. A este procedimento, em que a poesia reflete sobre a sua própria construção, damos o nome de:
O humor da tira resulta:
Leia o excerto abaixo, retirado do romance Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, e, a partir dele, responda aquestão.
“[...] ─ Deixe ver os olhos, Capitu.
Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...
Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolverme, puxar-me e tragar-me. [...]”
(Excerto retirado de: ASSIS, J. M. Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Martin Claret, 2007. p.64-65.)
O fragmento acima traz a famosa expressão cunhada por Machado de Assis: “olhos de ressaca”. Dentro do contexto da obra, a expressão “olhos de ressaca” pode ser classificada como qual dos procedimentos estéticos a seguir:
Receita para fazer um poema Dadaísta
(Tristan Tzara)
Pegue um jornal.
Pegue uma tesoura.
Escolha no jornal um artigo com o comprimento que pensa dar ao seu poema.
Recorte o artigo.
Depois, recorte cuidadosamente todas as palavras que formam o artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Seguidamente, tire os recortes um por um.
Copie conscienciosamente pela ordem em que saem do saco.
O poema será parecido consigo.
E pronto: será um escritor infinitamente original e duma adorável sensibilidade, embora incompreendido pelo vulgo.
O fato de o poema ser referente a ele mesmo (uma receita sobre fazer um poema) faz com que uma (entre as 6 funções da linguagem) predomine em sua composição. A referida função se chama: