(...) plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, *macadamizai estradas, fazei caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai: reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. – No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?
*Macadamizar: pavimentar.
(Almeida Garrett, Viagens na minha terra. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012, p.77.)
Formou Deus o homem, e o pôs num paraíso de delícias; tornou a formá-lo a sociedade, e o pôs num inferno de tolices.
(Almeida Garrett, Viagens na minha terra. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012, p.190.)
Vários discursos organizam a estrutura narrativa doromance Viagens na minha terra, de Almeida Garrett. Isso permite afirmar que a visão de mundo dessa narrativa
TEXTO 3
Velhice
Vinícius de Moraes
[115]Virá o dia em que eu hei de ser um velho
experiente
Olhando as coisas através de uma filosofia
sensata
E lendo os clássicos com a afeição que a
[120] minha mocidade não permite.
Nesse dia Deus talvez tenha entrado
definitivamente em meu espírito
Ou talvez tenha saído definitivamente dele.
Então todos os meus atos serão
[125] encaminhados no sentido do túmulo
E todas as ideias autobiográficas da
mocidade terão desaparecido:
Ficará talvez somente a ideia do testamento
bem escrito.
[130] Serei um velho, não terei mocidade, nem
sexo, nem vida
Só terei uma experiência extraordinária.
Fecharei minha alma a todos e a tudo
Passará por mim muito longe o ruído da
[135] vida e do mundo
Só o ruído do coração doente me avisará de
uns restos de vida em mim.
Nem o cigarro da mocidade restará.
Será um cigarro forte que satisfará os
[140] pulmões viciados
E que dará a tudo um ar saturado de
velhice.
Não escreverei mais a lápis
E só usarei pergaminhos compridos.
[145] Terei um casaco de alpaca que me fechará
os olhos.
Serei um corpo sem mocidade, inútil, vazio
Cheio de irritação para com a vida
Cheio de irritação para comigo mesmo.
[150] O eterno velho que nada é, nada vale, nada
vive
O velho cujo único valor é ser o cadáver de
uma mocidade criadora.
MORAES, Vinícius. Velhice. Disponível em:http://www.viniciusdemoraes.com.br/ptbr/poesia/poesias-avulsas/velhice. Acesso: 23/9/17.Vários aspectos do poema Velhice, de Vinícius de Moraes, manifestam valores estéticos afirmados na poesia do Modernismo da década de 1930 com a qual o autor estava ligado, com exceção da
Se a complexidade que o movimento renascentista representou deve ser vista como a raiz de nossa consciência moderna, então não se deve ressaltar apenas a dimensão metódica e harmoniosa em torno do eixo dessa consciência. Deve haver nela um espaço equivalente para a fantasia, a angústia, o desejo, a vontade, a sensação e o medo também. Neste sentido é que estaríamos mergulhando fundo em nossa raiz, neste sentido é que seríamos realmente radicais e poderíamos declarar como Lord MacBeth:
“Ouso tudo o que é próprio de um homem;
Quem ousar fazer mais do que isso, não o é”.
(Nicolau Sevcenko in Antonio P. Rezende e Maria T. Didier Rumos da História: História Geral e do Brasil. São Paulo: Atual, 2001, p.123)Valores renascentistas, como o do poder da racionalidade, e os dramas da consciência moderna, a que não falta o sentido de um impasse histórico, entram em conflito em "A máquina do Mundo", de Carlos Drummond de Andrade, já que nesse monumental poema de Claro enigma o autor
A cultura alagoana conviveu com tradições, mas teve seus momentos de modernismo.
Vale salientar:
Um conto de palavras que valessem mais por sua modulação que por seu significado. Um conto abstrato e concreto como uma composição tocada por um grupo instrumental; límpido e obscuro, espiral azul num campo de narcisos defronte a uma torre a descortinar um lago assombrado em que o atirar uma pedra espraia a água em lentos círculos sob os quais nada um peixe turvo que é visto por ninguém e no entanto existe como algas do oceano. Um conto-rastro de uma lesma também evento do universo qual a luz de um quasar a bilhões de anos-luz; um conto em que os vocábulos são como notas indeterminadas numa pauta; que é como bater suave e espaçado de um sino propagando-se nos corredores de um mosteiro [...]. Um conto noturno com a fulguração de um sonho que, quanto mais se quer, mais se perde; é preciso resistir à tentação das proparoxítonas e do sentido, a vida é uma peça pregada cujo maior mistério é o nada.
SANT'ANNA, S. Um conto abstrato. In: O voo da madrugada. São Paulo: Cia. das Letras, 2008.Utilizando o recurso da metalinguagem, o narrador busca definir o gênero conto pelo procedimento estético que estabelece uma
Álvaro, Bernardo e Cláudio são suspeitos de um crime e deram as seguintes declarações em seus respectivos interrogatórios:
Álvaro: Foi Cláudio quem cometeu o crime.
Bernardo: Fui eu quem cometeu o crime.
Cláudio: Não foi Bernardo que cometeu o crime.
A polícia sabe que o crime foi cometido por apenas um dos três, que duas das declarações são mentirosas e que uma é verdadeira.
Usando apenas os dados fornecidos, pode-se afirmar que a probabilidade de
Uma tendência marcante na poesia de Mário Quintana pode ser observada na ambientação onírica, em que o eu-lírico penetra no mundo dos sonhos, do inconsciente, trazendo para o poema imagens inusitadas, muito recorrentes na literatura neossimbolista. Marque, a seguir, a alternativa cujos versos expressam essa tendência.
Leia o poema de Almeida Garrett.
Quando eu sonhava, era assim
Que nos meus sonhos a via;
E era assim que me fugia,
Apenas eu despertava,
Essa imagem fugidia
Que nunca pude alcançar.
Agora que estou desperto,
Agora a vejo fixar...
Para quê? — Quando era vaga,
Uma ideia, um pensamento,
Um raio de estrela incerto
No imenso firmamento,
Uma quimera, um vão sonho,
Eu sonhava — mas vivia:
Prazer não sabia o que era,
Mas dor, não na conhecia...
...........................................
(Folhas caídas, 2013.)Uma temática comum à poesia romântica que pode ser percebida no poema é
Leia, com atenção, o texto a seguir para responder à questão.
Texto – O leitor ideal, de Mário Quintana
O leitor ideal para o cronista seria aquele a quem bastasse uma frase.
Uma frase? Que digo? Uma palavra!
O cronista escolheria a palavra do dia: “Árvore”, por exemplo, ou “Menina”.
Escreveria essa palavra bem no meio da página, com espaço em branco para todos os lados, como um campo aberto para os devaneios do leitor.
Imaginem só uma meninazinha solta no meio da página.
Sem mais nada.
Até sem nome.
Sem cor de vestido nem de olhos.
Sem se saber para onde ia...
Que mundo de sugestões e de poesia para o leitor!
E que cúmulo de arte a crônica! Pois bem sabeis que arte é sugestão...
E se o leitor nada conseguisse tirar dessa obra-prima, poderia o autor alegar, cavilosamente, que a culpa não era do cronista.
Mas nem tudo estaria perdido para esse hipotético leitor fracassado, porque ele teria sempre à sua disposição, na página, um considerável espaço em branco para tomar seus apontamentos, fazer os seus cálculos ou a sua fezinha...
Em todo caso, eu lhe dou de presente, hoje, a palavra “Ventania”. Serve?
Uma relação de contrários depreendida da leitura desse texto de Quintana é
Uma obra poética do Modernismo brasileiro que, a exemplo de Fogo morto, também explora, de forma enfática, o universo da cana-de-açúcar é a de