A questão abordaum poema de Raul de Leoni (1895-1926)
A alma das cousas somos nós...
Dentro do eterno giro universal
Das cousas, tudo vai e volta à alma da gente,
Mas, se nesse vaivém tudo parece igual
Nada mais, na verdade,
[05] Nunca mais se repete exatamente...
Sim, as cousas são sempre as mesmas na corrente
Que no-las leva e traz, num círculo fatal;
O que varia é o espírito que as sente
Que é imperceptivelmente desigual,
[10] Que sempre as vive diferentemente,
E, assim, a vida é sempre inédita, afinal...
Estado de alma em fuga pelas horas,
Tons esquivos e trêmulos, nuanças
Suscetíveis, sutis, que fogem no Íris
[15] Da sensibilidade furta-cor...
E a nossa alma é a expressão fugitiva das cousas
E a vida somos nós, que sempre somos outros!...
Homem inquieto e vão que não repousas!
Para e escuta:
Se as cousas têm espírito, nós somos
Esse espírito efêmero das cousas,
Volúvel e diverso,
Variando, instante a instante, intimamente,
E eternamente,
[25] Dentro da indiferença do Universo!...
Uma leitura atenta do poema permite concluir que seu título representa
O cortiço, romance de Aluísio de Azevedo, é uma clássica narrativa realista da Literatura Brasileira.
Uma de suas teses centrais, quanto à população humilde, marginalizada e sem condições efetivas de ascensão social, é:
O triunfo global do capitalismo é o tema mais importanteda história nas décadas que sucederam 1848. Foi o triunfo de uma sociedade que acreditou que o crescimento econômico repousava na competição da livre iniciativa privada, no sucesso de comprar tudo no mercado mais barato (inclusive trabalho) e vender mais caro. Uma economia baseada nas sólidas fundações de uma burguesia composta daqueles cuja energia, mérito e inteligência elevou-os a tal posição deveria − assim se acreditava − não somente criar um mundo de plena distribuição material, mas também de crescente felicidade, de avanço das ciências e das artes, numa palavra, um mundo de contínuo e acelerado progresso material e moral.
(Eric J. Hobsbawm. A era do capital. Trad. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977. p. 21)Uma das sólidas fundações de uma burguesia está na inserção do casamento no quadro do patriarcalismo, tema e situação que se centralizam, por exemplo, em escritores distintos, como os autores dos romances
Uma das propostas da segunda geração modernista levadas a cabo por vários autores, na poesia de 30, foi a denúnciasocial. Em relação a essa característica, é possível afirmar que, dos versos abaixo, os que contemplam uma crítica à sociedade brasileira daquela época são
Ao longo da década de 1950, período marcado pelo que se chamou de “desenvolvimentismo”, manifestou-se uma nova geração de escritores, bastante viva, apostando em profundo mergulho num Brasil histórico e mítico, como no caso singular de Guimarães Rosa, ou em tendências de vanguarda, como a dos poetas do “Concretismo”, que concebiam a linguagem como objeto visual, disposta na página em relação funcional com o espaço branco ou colorido, e aproveitando ainda, por vezes, o chamamento de recursos gráficos usuais nas mensagens de propaganda.
(MOREIRA, Tibúrcio. Inédito)Uma das posições estéticas fortemente combatidas pelos poetas do Concretismo foi
Utilizamos as figuras de linguagem principalmente na criação literária, recursos que tornam a mensagem mais expressiva. No poema a seguir, de Ferreira Gullar, percebemos o uso desse recurso. Leia-o para responder à questão.
Bicho urbano
Se disser que prefiro morar em Pirapemas
Ou em outra qualquer pequena cidade do país
Estou mentindo
Ainda que lá se possa de manhã
Lavar o rosto no orvalho
E o pão preserve aquele branco
Sabor da alvorada
[...]
A natureza me assusta.
Com seus matos sombrios suas águas
Suas aves que são como aparições
Me assusta quase tanto quanto
Esse abismo
De gases e de estrelas
Aberto sob minha cabeça.
(Ferreira Gullar)Uma das figuras observadas no poema é a sinestesia, que pode ser identificada nos versos
Camelôs Abençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão: O que vende balõezinhos de cor O macaquinho que trepa no coqueiro O cachorrinho que bate com o rabo Os homenzinhos que jogam boxe A perereca verde que de repente dá um pulo que engraçado E as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão coisa alguma. Alegria das calçadas Uns falam pelos cotovelos: - "O cavalheiro chega em casa e diz: meu filho vai buscar um pedaço de banana para eu acender o charuto. Naturalmente o menino pensará: Papai está malu...” Outros, coitados, têm a língua atada. Todos porém sabem mexer nos cordéis como o tino ingênuo de demiurgos de inutilidades. E ensinam no tumulto das ruas os mitos heroicos da meninice... E dão aos homens que passam preocupados ou tristes uma lição de infância.
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.Uma das diretrizes do Modernismo foi a percepção de elementos do cotidiano como matéria de inspiração poética. O poema de Manuel Bandeira exemplifica essa tendência e alcança expressividade porque
Leia o soneto de Raimundo Correia para responder à questão.
Mal secreto
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
(Poesias, 1976.)
Uma das características do poema que permite que ele seja associado ao Parnasianismo é
Texto 1
Última página de “Os Sertões”
Canudos não se rendeu
Fechemos este livro.
Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história,
resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a
palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao
entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que
[5] todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens
feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente
5 mil soldados.
Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos
momentos. Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamola
[10] sempre profundamente emocionante e trágica; mas
cerramo-la vacilante e sem brilhos.
Vimos como quem vinga uma montanha altíssima. No alto,
a par de uma perspectiva maior, a vertigem...
Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a
[15] narrativa de pormenores em que se amostrassem mulheres
precipitando-se nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos
filhos pequeninos...
E de que modo comentaríamos, com a só fragilidade da
palavra humana, o fato singular de não aparecerem mais,
[20] desde a manhã de 3, os prisioneiros válidos colhidos na
véspera, e entre eles aquele Antônio Beatinho, que se nos
entregara, confiante — e a quem devemos preciosos
esclarecimentos sobre esta fase obscura da nossa História?
Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir,
[25] desmanchando-lhe as casas, 5.200, cuidadosamente contadas.
Texto II
Os sertões
Marcado pela própria natureza
O Nordeste do meu Brasil
Oh! solitário sertão
De sofrimento e solidão
[5] A terra é seca
Mal se pode cultivar
Morrem as plantas e foge o ar
A vida é triste nesse lugar
Sertanejo é forte
[10] Supera miséria sem fim
Sertanejo homem forte
Dizia o Poeta assim
Foi no século passado
No interior da Bahia
[15] O Homem revoltado com a sorte
do mundo em que vivia
Ocultou-se no sertão
espalhando a rebeldia
Se revoltando contra a lei
[20] Que a sociedade oferecia
Os Jagunços lutaram
Até o final
Defendendo canudos
Naquela guerra fatal
(Escola de samba em Cima da Hora)Uma das características do Naturalismo é a presença de uma visão determinista do homem, ou seja, seus atos são obrigatoriamente condicionados pela raça a que pertence, o momento por que passa e o meio em que vive. Assinale a opção que indica o verso do texto 2 que mostra uma visão determinista.
Leia o poema “A um poeta”, de Olavo Bilac, para responder a questão.
A um poeta
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino1, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.
Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:
Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.
O poema é típico do Parnasianismo.
Uma das características deste movimento é