Sunetto Crassico
Sette anno di pastore, Giacó servia Labó,
Padre da Raffaela, serrana bella,
Ma non servia o pai, che illo non era trouxa nó!
Servia a Raffaela p’ra si gazá c’oella.
[05] I os dia, na speranza di un dia só,
Apassava spiano na gianella;
Ma o páio, fugino da gombinaçó,
Deu a Lia inveiz da Raffaela.
Quano o Giacó adiscobri o ingano,
[10] E che tigna gaido na sparella,
Ficô c’um brutto d’um garó di arara,
I incominciô di servi otros sette anno
Dizeno: Si o Labó non fossi o pai d’ella
Io pigava elli i li quibrava a gara.
Juó BananereTendo como base o poema modernista brasileiro de Juó Bananere, é correto afirmar que o autor:
Leia o fragmento do poema Bacanal, de Manuel Bandeira.
Quero beber! Cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco...
Evoé Baco!
(LIMA, Alceu Amoroso. Poesia: Manuel Bandeira. 2. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1983. p. 25.)Tendo como base o fragmento, analise a veracidade (V) ou a falsidade (F) das proposições abaixo. ( ) O sujeito lírico deseja Cantar asneiras como forma de incorporar ao fazer poético qualquer temática. ( ) Inspirado por Baco, o sujeito lírico almeja por uma libertação da poesia, afastando-a das formas tradicionais em voga no século XIX. ( ) O título do poema sugere uma relação de sentido com a antropofagia, uma das tendências do Modernismo. Assinale a alternativa que preenche corretamente os parênteses, de cima para baixo.
Leia o trecho a seguir para responder a questão.
Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia — peneirava — uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: — “Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de umdos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado”
Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. [...]
MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Klick Editora, 1999. p. 17.Tem-se, nas primeiras linhas do trecho apresentado, menções ao tempo
Compreende-se que o ponto da lição era difícil, e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria a um meio que lhe pareceu útil para escapar ao castigo do pai. Se me tem pedido a coisa por favor, alcançá-la-ia do mesmo modo, como de outras vezes, mas parece que era lembrança das outras vezes, o medo de achar a minha vontade frouxa ou cansada, e não aprender como queria, — e pode ser mesmo que em alguma ocasião lhe tivesse ensinado mal,–– parece que tal foi a causa da proposta. [...]
Não queria recebê-la, e custava-me recusá-la. Olhei para o mestre, que continuava a ler, com tal interesse, que lhe pingava o rapé do nariz.
— Ande, tome, dizia-me baixinho o filho. [...]
–– Tome, tome...
Relancei os olhos pela sala, e dei com os do Curvelo em nós; disse ao Raimundo que esperasse. Pareceu-me que o outro nos observava, então dissimulei; mas daí a pouco deitei-lhe outra vez o olho, e –– tanto se ilude a vontade! –– não lhe vi mais nada. Então cobrei ânimo.
–– Dê cá...
ASSIS, Machado de. Conto de Escola. Contos. São Paulo: Ática. 1989. p. 34. ( Série Bons Livros).Tem comprovação no texto a ideia de
Correspondendo aos públicos disponíveis de leitores – pequenos e singelos – a nossa literatura foi geralmente acessível como poucas, pois até o Modernismo não houve aqui escritor realmente difícil, a não ser pela dificuldade fácil do rebuscamento verbal que, justamente porque se deixa vencer logo, tanto agrada aos falsos requintados. (...)
(Candido, Antonio. Literatura e Sociedade, 5.ª edição. Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1976, pág. 86.)
Tecendo considerações sobre a existência de “rebuscamento verbal” ao longo da história da literatura brasileira, o autor só NÃO estaria referindo-se:
TEXTO
Nascera Cirino de Campos, como dissera a Pereira, na província de São Paulo, na sossegada e bonita Vila de
Casa Branca, a qual dista umas 50 léguas do litoral. Filho de um vendedor de drogas, que se intitulava boticário
e a esse oficio acumulava o importante cargo de administrador do correio, crescera debaixo das vistas paternas
até a idade de doze anos completos, os quais fora enviado, em tempos de festas e a título de recordações
[05] saudosas, a um velho tio e padrinho, morador na cidade de Ouro Preto.
Esse parente, solteirão, de gênio rabugento, misantropo, e dado às práticas da mais extrema carolice, recebeu
o pequeno com mau modo e manifesto descontentamento, tanto mais quanto a presença de um estranho vinha
interromper os hábitos de completa solidão a que se acostumara desde longos anos.
Era homem que trajava ainda à moda antiga, usando de sapatos de fivela, calções de braguilha, e cabeleira
[10] empoada com o competente rabicho.
A sua reputação de pessoa abastada era, em toda a cidade de Ouro Preto, tão bem firmada quanto a de
refinado sovina, chegando a voz pública a afirmar que o seu dinheiro, e não pouco, estava todo enterrado em
numerosos buracos no chão da alcova de dormir.
Meu amigalhote – disse o tal padrinho a Cirino, poucos dias depois da chegada –, fique sabendo que por
[15] qualquer coisinha lhe sacudo a poeira do corpo. Dê-se por avisado e ande direitinho que nem um fuso.
O menino, transido de medo, passou a tarde a chorar num canto sombrio da casa, onde relembrou, até lhe vir
o sono, a alegre vida de outrora, os folguedos que fazia com os camaradas na viçosa relva do Cruzeiro, à entrada
da Vila de Casa Branca e sobretudo os carinhos da saudosa mamãe.
Em seguida àquela admoestação preventiva, fora o tio à casa de uns padres que tinham influência na direção
[20] do Colégio do Caraça e com eles arranjara a admissão do afilhado naquele estabelecimento de instrução.
Taunay é um autor:
Tarsila do Amaral integrou‐se ao movimento da literatura modernista no Brasil, juntamente com Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti del Picchia. Na tela apresentada, é possível reconhecer
Os prejuízos e as perdas que por virtude de todas essas causas recebeu a Coroa de Castela e de Leon e que toda a Espanha há de receber ainda por todas as devastações e matanças que perpetrar no resto dos índios, os cegos o verão, os surdos o ouvirão, os mudos o gritarão e os sábios o julgarão. E pois que não podemos viver muito tempo, apelo para o testemunho de Deus, para todas as hierarquias e ordens dos Anjos, para todos os homens do mundo, principalmente para os que viverem ainda muito tempo, que certifiquem o que digo e sejam testemunho do desencargo que faço da minha consciência. Porque se sua majestade permitir aos espanhóis todos os diabólicos processos referidos e as tiranias quaisquer que sejam as leis e os estatutos que se queriam fazer, todas as índias em pouco tempo estarão despovoadas como deserta está agora a Ilha Espanhola e os países que lhes são distantes ou próximos. E por todos esses pecados (como bem sei pela Santa Escritura) Deus castigará horrivelmente e é possível mesmo que destrua inteiramente a Espanha.
(Bartolomeu de Las Casas) (Antonio P. Rezende e Maria T. Didier. Rumos da História: História Geral e do Brasil. São Paulo: Atual, 2001, p 209- 210)Tanto o assunto desse texto, em que se articulam preocupação social, religião e poder de Estado, como sua linguagem, em que há clara disposição de argumentos e uso de expressivos recursos retóricos, fazem um leitor brasileiro pensar nos
De quando em quando [os meninos] se mexiam, porque o lume era fraco e apenas aquecia
pedaços deles. Outros pedaços esfriavam recebendo o ar que entrava pelas rachaduras das
paredes e pelas gretas da janela. Por isso não podiam dormir. Quando iam pegando no sono,
arrepiavam-se, tinham precisão de virar-se, chegavam-se à trempe e ouviam a conversa dos
[5] pais [Fabiano e sinha Vitória ]. Não era propriamente conversa: eram frases soltas,
espaçadas, com repetições e incongruências . Às vezes uma interjeição gutural dava energia
ao discurso ambíguo. Na verdade nenhum deles prestava atenção às palavras do outro: iam
exibindo as imagens que lhes vinham ao espírito, e as imagens sucediam-se, deformavam-
se, não havia meio de dominá-las. Como os recursos de expressão eram minguados,
[10] tentavam remediar a deficiência falando alto.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2008. p. 63-64.Tanto na linha 1 como na linha 5, os colchetes são empregados
Tanto Memórias de um sargento de milícias, de ManuelAntônio de Almeida, quanto Mãos de Cavalo, de Daniel Galera, são romances. O primeiro é calcado em base tradicional e o segundo é de tendência contemporânea. Esse contraste formal entre as duas narrativas é evidenciado na