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LiteraturaUNINOVE2016

Neste movimento predomina a tônica localista, com o esforço de ser diferente, afirmar a peculiaridade, criar uma expressão nova e se possível única, para manifestar a singularidade do país e do eu. Daí o desenvolvimento da confissão e do pitoresco, bem como a transformação em símbolo nacional do tema indígena, considerado essencial para definir o caráter brasileiro, e portanto legítimo, do texto.

(Antonio Candido. Introdução à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)

Tal comentário do crítico Antonio Candido tem como objeto o movimento

LiteraturaUNIFESP2016

Uma análise mais atenta do livro mostra que ele foi construído a partir da combinação de uma infinidade de textos preexistentes, elaborados pela tradição oral ou escrita, popular ou erudita, europeia ou brasileira. A originalidade estrutural deriva, deste modo, do fato de o livro não se basear na mímesis, isto é, na dependência constante que a arte estabelece entre o mundo objetivo e a ficção; mas em ligar-se quase sempre a outros mundos imaginários, a sistemas fechados de sinais, já regidos por significação autônoma. Esse processo, parasitário na aparência, é no entanto curiosamente inventivo; pois, em vez de recortar com neutralidade nos entrechos originais as partes de que necessita para reagrupá-las, intactas, numa ordem nova, atua quase sempre sobre cada fragmento, alterando-o em profundidade.

(Gilda de Mello e Souza. O tupi e o alaúde, 1979. Adaptado.)

Tal comentário aplica-se ao livro

LiteraturaUNESP2016

Duas fortes motivações converteram-se em molas de composição desta obra:

a) por um lado, o desejo de contar e cantar episódios em torno de uma figura lendária que trazia em si os atributos do herói, entendido no senso mais lato possível de um ser entre humano e mítico, que desempenha certos papéis, vai em busca de um bem essencial, arrosta perigos, sofre mudanças extraordinárias, enfim vence ou malogra...;

b) por outro lado, o desejo não menos imperioso de pensar o povo brasileiro, nossa gente, percorrendo as trilhas cruzadas ou superpostas da sua existência selvagem, colonial e moderna, à procura de uma identidade que, de tão plural que é, beira a surpresa e a indeterminação. (Alfredo Bosi. Céu, inferno, 2003. Adaptado.)

Tal comentário aplica-se à obra

LiteraturaUnichristus2016

Texto para responder à questão.

Em Macunaíma, a mediação entre o material folclórico e o tratamento literário moderno se faz consoante uma corrente de abordagem psicanalítica dos mitos e dos costumes primitivos que as teorias do inconsciente e da “mentalidade pré-lógica” propiciaram. O protagonista, “herói sem nenhum caráter”, é uma espécie de barro vital, ainda amorfo, a que o prazer e o medo vão mostrando os caminhos a seguir, desde o nascimento em plena selva amazônica e as primeiras diabruras glutonas e sensuais, até a chegada a São Paulo.

Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira. 16.

O texto acima, ao afirmar que “a mediação entre o material folclórico e o tratamento literário moderno se faz consoante uma corrente de abordagem psicanalítica”, permite inferir uma das características da prosa de Mário de Andrade.

Tal característica trata do(a)

LiteraturaUEA2021

Aquestão focaliza a peça Auto da compadecida, de Ariano Suassuna.

Chicó: Foi uma velha que me vendeu barato, porque ia se mudar, mas recomendou todo cuidado, porque o cavalo era bento. E só podia ser mesmo, porque cavalo bom como aquele eu nunca tinha visto. Uma vez corremos atrás de uma garrota, das seis da manhã até as seis da tarde, sem parar nem um momento, eu a cavalo, ele a pé. Fui derrubar a novilha já de noitinha, mas quando acabei o serviço e enchocalhei a rês, olhei ao redor, e não conhecia o lugar onde estávamos. Tomei uma vereda que havia assim e saí tangendo o boi...

João Grilo: O boi? Não era uma garrota?
Chicó: Uma garrota e um boi.
João Grilo: E você corria atrás dos dois de uma vez?
Chicó: (Irritado.) Corria, é proibido?
João Grilo: Não, mas eu me admiro é eles correrem tanto
tempo juntos, sem se apartarem. Como foi isso?
Chicó: Não sei, só sei que foi assim. Saí tangendo os bois e
de repente avistei uma cidade. Você sabe que eu comecei a correr da ribeira do Taperoá, na Paraíba. Pois bem,
na entrada da rua perguntei a um homem onde estava e
ele me disse que era Propriá, de Sergipe.

João Grilo: Sergipe, Chicó?
Chicó: Sergipe, João. Eu tinha corrido até lá no meu cavalo.
Só sendo bento mesmo!
João Grilo: Mas Chicó, e o rio São Francisco?
Chicó: Só podia estar seco nesse tempo, porque não me
lembro quando passei... E nesse tempo todo o cavalo ali
comigo, sem reclamar nada!
João Grilo: Eu me admirava era se ele reclamasse.

(Auto da compadecida, 2018.)

Depreende-se desse diálogo uma característica marcante do personagem Chicó.

Tal característica mostra-se relacionada com o conteúdo do seguinte ditado popular:

LiteraturaUnirG2013

Leia o excerto a seguir.


O dever! Esta era a minha tábua de salvação. Eu sabia que as paixões não eram soberanas e que a nossa vontade pode triunfar delas. A este respeito eu tinha em mim forças bastantes para repelir ideias más. Mas não era o presente que me abafava e atemorizava; era o futuro. Até então aquele romance influía no meu espírito pela circunstância do mistério em que vinha envolto; a realidade havia de abrir-me os olhos; consolava-me a esperança de que eu triunfaria de um amor culpado. Mas poderia nesse futuro, cuja proximidade eu não calculava, resistir convenientemente à paixão e salvar intactas a minha consideração e a minha consciência? Esta era a questão.

ASSIS, Machado de. Confissões de uma viúva moça. In: Contos fluminenses. São Paulo: Martin Claret, 2006. p. 123.

No conto “Confissões de uma viúva moça”, manifesta-se uma das características mais expressivas do realismo praticado pelo escritor Machado de Assis.

Tal característica é a

LiteraturaIFRR2015

Para responder a questão, leia atentamente o fragmento da obra “A Pedra do Reino” de Ariano Suassuna:

“Tudo isso me ajudava, aos poucos, a entender cada vez melhor a história da Pedra do Reino e a me orgulhar da realeza e cavalaria dos meus antepassados. Tornava também o mundo, aquele meu mundo sertanejo, áspero, pardo e pedregoso, um Reino Encantado, semelhante àquele que meus bisavós tinham instaurado e que ilustres PoetasAcadêmicos tinham incendiado de uma vez para sempre em meu sangue.

Minha vida, cinzenta, feia e mesquinha, de menino sertanejo reduzido à pobreza e à dependência pela ruína da fazenda do Pai, enchia-se dos galopes, das cores e bandeiras das Cavalhadas, dos heroísmos e cavalarias dos folhetos. Assim, quando agora me acontecia evocar os acontecimentos da Pedra do Reino, o que eu via eram os Pereiras, como uma espécie de Cavaleiros Cristãos do Cordão Azul, assediando e assaltando o Reino criado e defendido pelos Reis Mouros do Cordão Encarnado da família Quaderna. Sonhava em me tornar, também, um dia, Rei e Cavaleiro, como meu bisavô. Não para degolar os outros, mas para conquistar Rosa e sete Princesas, queimando sete coivaras e abrindo, ainda, a broca dos cercados dos outros, pelo direito real de "dispensar" todas as donzelas do Reino em sua primeira noite de casadas.”

(SUASSUNA, Ariano. A Pedra do Reino. 5. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005. p. 76-77 – com alteração).

Considerado um dos maiores escritores do século XX, Ariano Suassuna mescla na obra A Pedra do Reino elementos típicos da cultura popular a elementos representativos da cultura erudita. Essa mistura é uma das características do movimento armorial que pretendia reafirmar as raízes culturais brasileiras por meio da arte.

Tal assertiva confirma-se:

LiteraturaUFRGS2018

Leia o segmento abaixo, retirado do Sermão da Sexagésima, de Padre Antônio Vieira, e assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna.

Supostas estas duas demonstrações; suposto que o fruto e efeitos da palavra de Deus, não fica, nem por parte de Deus, nem por parte dos ouvintes, segue-se por consequência clara que fica por parte do pregador. E assim é. Sabeis, cristãos, por que não faz fruto a palavra de Deus? Por culpa dos pregadores. Sabeis, pregadores, por que não faz fruto a palavra de Deus? Por culpa nossa. [...] Mas como em um pregador há tantas qualidades, e em uma pregação tantas leis, e os pregadores podem ser culpados em todas, em qual consistirá esta culpa? No pregador podem-se considerar cinco circunstâncias: ........ .

LiteraturaPUC-Campinas2012

(...) não havia família de dinheiro, enriquecida pela setentrional borracha ou pela charqueada do sul, que não reputasse um compromisso de honra com a posteridade doméstica mandar dentre seus jovens um, dois, três representantes abeberar-se à fonte espiritual do Ateneu.

(Raul Pompéia. O Ateneu. Apud DACANAL, José Hildebrando. Romances brasileiros I. Alegre: Novo Século, 2000. p. 158)

Sugere-se, nesse trecho, que o colégio Ateneu

LiteraturaUNESP2021

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Cantar uma sabiá


Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia


Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

(www.chicobuarque.com.br)

A canção “Sabiá”, de Chico Buarque e Tom Jobim, foi apresentada no III Festival Internacional da canção, em setembro de 1968, durante o regime militar brasileiro.

Sua letra