Leia os versos de Carlos Drummond de Andrade:
“Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.”
Sobre esses versos só não é possível afirmar que:
TEXTO:
Identidade
Preciso ser um outro
para ser eu mesmo
Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta
Sou pólen sem inseto
Sou areia sustentando
o sexo das árvores
Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro
No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço.
COUTO, Mia. Identidade. Disponível em: <http://portugues.uol. com.br/literatura/cinco-poemas-mia-couto.html>. Acesso em: 3 fev. 2019.
Sobre esses versos de Mia Couto, a única informação sem comprovação no texto é a que afirma que o eu lírico
Leia com atenção o texto poético abaixo:
Quando eu morrer e no frescor de lua
Da casa nova me quedar a sós
Deixai-me em paz na minha quieta rua...
Nada mais quero com nenhum de vós
Quero é ficar com alguns poemas tortos
Que andei tentando endireitar em vão...
Que linda a Eternidade, amigos mortos,
Para as torturas lentas da Expressão !...
Eu levarei comigo as madrugadas,
Pôr de sóis, algum luar, asas em bando
Mais o rir das primeiras namoradas...
E um dia a morte há de fitar com espanto
Os fios de vida que eu urdi, cantando,
Na orla negra do seu negro manto...
Sobre esse texto poético, considere os seguintes comentários: I. O poema, na sua composição estrutural, toma a forma de um soneto. II. O eu-lírico, em tom confessional, expressa no texto sentimentos de compaixão. III. A metalinguagem é um dos recursos de expressão recorrente no texto. IV. Nesse texto, a imagem da lua se apresenta como espelhamento do pavor da morte. V. A abordagem da morte, na expressão do eu-lírico, adquire um sentido sereno, com certa dosagem de humor. VI. Na visão do eu-lírico, o fazer poético é algo permanente que transcende o tempo cronológico. Marque a seguir a alternativa que indica os comentários CORRETOS.
TEXTO:
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
[5] os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados
[10] primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
[15] Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.
O poema “A descoberta”, de Oswald de Andrade, que compõe o Manifesto Pau-Brasil, é composto de cinco flashes retirados da Carta de Pero Vaz de Caminha.
Sobre esse poema, é correto afirmar:
Leia o poema a seguir e responda à questão.
Psicologia de um Vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Sobre esse poema, assinale a alternativa correta.
Epigrama nº 8
Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar, quando caí.
(MEIRELES, Cecília. Viagem & Vaga música. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. p.58)
Sobre esse poema de Cecília Meireles, marque a alternativa correta.
Faça a leitura do poema, Adormecida, de Castro Alves:
[...]
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
P’ra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...
Eu, fitando esta cena, repetia,
Naquela noite lânguida e sentida:
“Ó flor! — tu és a virgem das campinas!”
“Virgem! — tu és a flor de minha vida!...”
Sobre esse poema de Castro Alves é correto afirmar que ele se difere de outros poemas românticos porque a figura da amada se apresenta como
Texto
Adeus, meu Canto
Adeus, meu canto! É a hora da partida...
O oceano do povo s’encapela.
Filho da tempestade, irmão do raio,
Lança teu grito ao vento da procela.
O inverno envolto em mantos de geada
Cresta a rosa de amor que além se erguera...
Ave de arribação, voa, anuncia
Da liberdade a santa primavera.
É preciso partir, aos horizontes
Mandar o grito errante da vedeta.
Ergue-te, ó luz! — estrela para o povo,
— Para os tiranos — lúgubre cometa.
Adeus, meu canto! Na revolta praça
Ruge o clarim tremendo da batalha.
Águia — talvez as asas te espedacem,
Bandeira — talvez rasgue-te a metralha.
[...]
(ALVES, Castro. Melhores poemas de Castro Alves. 7. ed. São Paulo: Global, 2003, p. 109.)Antônio de Castro Alves foi um poeta romântico da terceira geração e cultor da poesia “condoreira”, caracterizada pela abundância de imagens grandiosas e sonoras, adequadas à declamação pública. O poeta desvela as mazelas impregnadas nas camadas sociais, sobretudo a situação opressora pela qual passavam as senzalas brasileiras, em meio aos castigos dos seus senhores. Era imprescindível que alguém clamasse por liberdade, com a finalidade de despertar nas consciências a necessidade de um mundo mais igualitário e mais justo. Tais objetivos são materializados no texto “Adeus meu canto”.
Sobre esse poema de Castro Alves (Texto), marque a alternativa correta:
TEXTO
[...]
Eu sei que ao longe na praça.
Ferve a onda popular,
Que às vezes é pelourinho,
Mas poucas vezes – altar.
Que zombam do bardo atento,
Curvo aos murmúrios do vento
Nas florestas do existir,
Que babam fel e ironia.
Sobre o ovo da utopia
Que guarda a ave do porvir.
Eu sei que o ódio, o egoísmo,
A hipocrisia, a ambição,
Almas escuras de grutas,
Onde não desce um clarão,
Peitos surdos às conquistas,
Olhos fechados às vistas,
Vistas fechadas à luz,
Do poeta solitário
Lançam pedras ao calvário,
Lançam blasfêmias à cruz.
[...]
(ALVES, Castro. Melhores poemas de Castro Alves. São Paulo: Global, 2003. p. 111.)O Texto é um fragmento do poema “Adeus, Meu Canto” que elucida bem o Condoreirismo de Castro Alves, cuja poesia social e libertária reflete as lutas internas da segunda metade do reinado de D. Pedro II e tem como marca o estilo vibrante, em que predominam comparações, metáforas, antíteses, hipérboles, apóstrofes, e um forte apelo social. O poeta se realiza como condutor do povo, capaz de predizer o futuro através de seus textos poéticos e parece conviver no meio dos problemas sociais.
Sobre esse poema condoreiro, com base no fragmento lido, marque a alternativa correta:
Leia com atenção o fragmento ‘XVI’ do poema ‘Via-Láctea’, de Olavo Bilac.
Lá fora, a voz do vento ulule rouca!
Tu, a cabeça no meu ombro inclina,
E essa boca vermelha e pequenina
Aproxima, a sorrir, de minha boca!
Que eu a fronte repouse ansiosa e louca
Em teu seio, mais alvo que a neblina
Que, nas manhãs hiemais, úmida e fina,
Da serra as grimpas verdejantes touca!
Solta as tranças agora, como um manto!
Canta! Embala-me o sono com teu canto!
E eu, aos raios tranqüilos desse olhar,
Possa dormir sereno, como o rio
Que, em noites calmas, sossegado e frio,
Dorme aos raios de prata do luar!…
Fonte: BILAC, Olavo. Antologia Poética – Organizado por Paulo Hecker Filho, L&PM Pocket, 1ª Edição, 1997.
Sobre esse fragmento é correto afirmar que