Leia o fragmento, a seguir, retirado do livro Clara dos Anjos, de Lima Barreto, e responda à questão.
Cassi Jones, sem mais percalços, se viu lançado em pleno Campo de Sant’Ana, no meio da multidão que
jorrava das portas da Catedral, cheia da honesta pressa de quem vai trabalhar. A sua sensação era que
estava numa cidade estranha. No subúrbio tinha os seus ódios e os seus amores; no subúrbio, tinha os seus
companheiros, e a sua fama de violeiro percorria todo ele, e, em qualquer parte, era apontado; no subúrbio,
enfim, ele tinha personalidade, era bem Cassi Jones de Azevedo; mas, ali, sobretudo do Campo de Sant’Ana
para baixo, o que era ele? Não era nada. Onde acabavam os trilhos da Central, acabava a sua fama e o
seu valimento; a sua fanfarronice evaporava-se, e representava-se a si mesmo como esmagado por aqueles
“caras” todos, que nem o olhavam. [...]
Na “cidade”, como se diz, ele percebia toda a sua inferioridade de inteligência, de educação; a sua rusticidade,
diante daqueles rapazes a conversar sobre cousas de que ele não entendia e a trocar pilhérias; em face da
sofreguidão com que liam os placards dos jornais, tratando de assuntos cuja importância ele não avaliava,
Cassi vexava-se de não suportar a leitura; comparando o desembaraço com que os fregueses pediam bebidas
variadas e esquisitas, lembrava-se que nem mesmo o nome delas sabia pronunciar; olhando aquelas
senhoras e moças que lhe pareciam rainhas e princesas, tal e qual o bárbaro que viu, no Senado de Roma,
só reis, sentia-se humilde; enfim, todo aquele conjunto de coisas finas, de atitudes apuradas, de hábitos de
polidez e urbanidade, de franqueza no gastar, reduziam-lhe a personalidade de medíocre suburbano, de vagabundo
doméstico, a quase cousa alguma.
Sobre as referências aos termos “fama” e “personalidade”, que aparecem duas vezes cada um no fragmento, assinale a alternativa correta.
Leia o “Soneto de Fidelidade”, de Vinicius de Moraes, e considere as proposições posteriores:
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(MORAES, Vinicius. Antologia Poética. Ed. Do Autor, Rio de Janeiro, 1960, p. 96).I. Trata-se de um poema escrito em métrica regular, ou seja, todos os versos são decassílabos.
II. O texto foi escrito no século XVI e faz parte do período conhecido como “Classicismo”.
III. Possui esquema de rimas regular: ABBA, ABBA, CDE, DEC.
Sobre as proposições, estão corretas:
13. Natureza-morta
A tia girou a chave, empurrou a porta, Ê!, algo a emperrava, estranhou. O corpo no ombro direito, a custo cedeu, pororoca estraçalhando, arrastando, O quê? Em algazarra, as crianças, às suas costas, espiavam-na, assustadiças, curiosas. Pela fresta, antecipou-se a manhã frágil iluminando o quadro de avisos – feltro verde colado sobre uma placa de cortiça – agora ponte em diagonal ligando o rodapé à maçaneta, garatujas e desenhos ainda assentados com tachinhas.
No corredor, onde desaguavam as três salas-de-aula, gizes esmigalhados, rastros de cola colorida, massinhas-de-modelar esmagadas, folhas de papel sulfite estragadas, uma lousa no chão vomitada, trabalhinhos rasgados, pincéis embebidos de fezes que riscaram abstrações nas paredes brancas, pichações ininteligíveis, uma garrafa de coca-cola cheia de mijo, um cachimbo improvisado de crack – a capa de uma caneta bic espetada lateralmente num frasco de Yakult. Ao fundo, a fechadura arrombada, cacos do vidro do basculante, do barro do filtro d’água, marcas de chutes nas laterais do fogão, panelas e talheres amassados. Em correria, gritos atravessam as telhas francesas, olhos mendigam explicações.
Puxada, empurrada, vozes choramingas, “A hortinha, a hortinha...”, conduziram a tia ao quintal: à sua frente, fuçadas as leiras, legumes e verduras repisados, arrancados, enterrados, brotos de cenoura, beterrabas, alfaces, couves, tomates, tanto carinho desperdiçado, nunca mais vingariam, as crianças caminhando, com cuidado, por entre os pequenos cadáveres verdes, olhos baços, e ela, até onde a vista alcança, observa as escandalosas casas de tijolos à mostra, esqueletos de colunas, lajes por acabar, pipas singrando o céu cinza, fedor de esgoto, um comichão na pálpebra superior esquerda e a solidão e o desespero.
Sobre as personagens dos textos que compõem Eles eram muitos cavalos, é CORRETO afirmar que, de modo geral,
Sobre as personagens de O Pagador de Promessas, assinale a alternativa correta.
Sobre as personagens da peça Auto dacompadecida, de Ariano Suassuna, é incorreto afirmar que:
Sobre as obras relacionadas para o Concurso Vestibular ACAFE Verão 2020, é correto o que se afirma em:
Sobre as obras literárias citadas a seguir, assinale a opção correta.
Texto
De repente, surge-lhe revés violento. O plano inclinado daquela vida em declive termina, de golpe, em queda formidável. Foge-lhe a mulher, em Ipu, raptada por um policial. Foi o desfecho. Fulminado de vergonha, o infeliz procura o recesso dos sertões, paragens desconhecidas, onde lhe não saibam o nome; o abrigo da absoluta obscuridade.
Desce para o sul do Ceará.
Ao passar em Paus Brancos, na estrada do Crato, fere com ímpeto alucinado, à noite, um parente, que o hospedara. Fizeram-se breves inquirições policiais, tolhidas logo pela própria vítima reconhecendo a não culpabilidade do agressor. Salva-se da prisão. Prossegue depois para o sul, à toa, na direção do Crato. E desaparece...
CUNHA, Euclides da. Os sertões. Rio de Janeiro: Ediouro, p. 142.Sobre as obras indicadas para o Concurso Vestibular de Medicina Acafe – Verão 2022, é CORRETO o que se afirma em:
Sobre as obras e os autores do Realismo-Naturalismo no Brasil é correto afirmar que
Sobre As meninas, de Lygia Fagundes Telles, apenas é correto afirmar que