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LiteraturaUEA2014

Considere o trecho do poema “Profissão de fé”, de Olavo Bilac.

Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto-relevo
Faz de uma flor.

[…]

Corre; desenha, enfeita a imagem,
A ideia veste:
Cinge-lhe ao corpo a ampla roupagem
Azul-celeste.

Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.

Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito:

[…]

Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma!
(Alceu Amoroso Lima (org.). Olavo Bilac: poesia, 1977.)

Segundo os versos de Bilac, o poeta parnasiano deve

LiteraturaFAM2016

Leia o trecho de Os sertões, de Euclides da Cunha, para responder à questão.

O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do litoral.

A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável, o desempeno, a estrutura corretíssima das organizações atléticas.

É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos. O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados. Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar de displicência que lhe dá um caráter de humildade deprimente. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para trocar duas palavras com um conhecido, cai logo sobre um dos estribos, descansando sobre a espenda da sela.

É o homem permanentemente fatigado.

Reflete a preguiça invencível, a atonia muscular perene, em tudo: na palavra remorada, no gesto contrafeito, no andar desaprumado, na cadência langorosa das modinhas, na tendência constante à imobilidade e à quietude.

Entretanto, toda esta aparência de cansaço ilude.

Nada é mais surpreendedor do que vê-la desaparecer de improviso. Naquela organização combalida operam-se, em segundos, transmutações completas. Basta o aparecimento de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das energias adormecidas. O homem transfigura-se. Empertiga-se, estadeando novos relevos, novas linhas na estatura e no gesto; e a cabeça firma-se-lhe, alta, sobre os ombros possantes aclarada pelo olhar desassombrado e forte; e corrigem-se-lhe, prestes, numa descarga nervosa instantânea, todos os efeitos do relaxamento habitual dos órgãos; e da figura vulgar do tabaréu canhestro reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias.

(Os sertões, 2002. Adaptado.)

Segundo o texto, é correto afirmar sobre o sertanejo:

LiteraturaUNICID2017

Estudar um movimento de ideias querendo ignorar o que o precedeu ou o seguiu, abstraindo a situação social e política que o alimentou e sobre a qual, por sua vez, ele pôde agir é trabalho inócuo. O Surrealismo, particularmente, está fortemente engajado no período entre as duas guerras. Dizer, como alguns, que ele não passa, no plano da arte, de uma manifestação pura e simples é de um materialismo por demais simplista: ele constitui também o herdeiro e o continuador dos movimentos artísticos que o precederam sem os quais não teria existido. É, portanto, sob esses dois aspectos ao mesmo tempo que devemos considerá-lo.

Entre 1918 e 1940, foi o contemporâneo de acontecimentos sociais, políticos, científicos, filosóficos de primeira importância. Alguns o marcaram fortemente; a outros deu seu colorido próprio.

Na Exposição Internacional do Surrealismo, realizada em Paris (1938), estavam representados quatorze países. O Surrealismo havia rompido os quadros nacionais da arte. Nenhum movimento artístico antes dele, inclusive o Romantismo, teve essa influência e essa audiência internacionais. Foi o alimento saboroso dos melhores artistas de cada país, o reflexo de uma época que, também no plano artístico, devia encarar seus problemas em escala mundial.

(História do Surrealismo, 2008. Adaptado.)

Segundo o texto, é correto afirmar que o Surrealismo

LiteraturaCUSC2019

Leia o poema de Antonio Cicero para responder a questão

Balanço

A infância não foi uma manhã de sol:
demorou vários séculos; e era pífia,
em geral, a companhia. Foi melhor,
em parte, a adolescência, pela delícia
do pressentimento da felicidade
na malícia, na molícia, na poesia,
no orgasmo; e pelos livros e amizades.
Um dia, apaixonado, encarei a minha
morte: e eis que ela não sustentou o olhar
e se esvaiu. Desde então é a morte alheia
que me abate. Tarde aprendi a gozar
a juventude, e já me ronda a suspeita
de que jamais serei plenamente adulto:
antes de sê-lo, serei velho. Que ao menos
os deuses façam felizes e maduros
Marcelo e um ou dois dos meus futuros versos.

(Porventura, 2012.)

Segundo o relato autobiográfico do eu lírico:

LiteraturaFAMECA2020

Leia o poema de Cruz e Sousa (1861-1898) para responder à questão.

O Assinalado


Tu és o louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema.
A terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema Desventura.


Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz que tu’alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.


Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, pouco a pouco…


Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!

(Lauro Junkes (org.). Roteiro da poesia brasileira − Simbolismo, 2006.)

Segundo o poema,

LiteraturaUNIFOR2013

Chave mestra

Saio da adolescência

Com o cansaço das guerras mundiais.

Vencedor nenhum

Ou vários.

Finda a dolorosa desordem

Da prepotência.

Finda a arrogância de garota suicida

Fim do choro e do ranger de dentes.

Primeiras lições;

Ver e ouvir mais.

Almoçar com os pais, pois

Aprendi a língua dos mortais.

Como mortal

Sobretudo

Viver.

(Rita Espeschit in Na ponta do lápis, ano VII – número 17 – ago 2011, p.37 – CENPEC).

Segundo o poema de Rita Espeschit, podemos afirmar que

LiteraturaUNIMONTES2012

Leia atentamente o trecho em destaque.


Que nem as estórias contadas. Chegava na hora, a estória alumiava e se acabava. Saía por fim fundo, deixando um buraco. Ah, então, a estória ficava pronta, rastro de como se ouvir, às vezes, a gente acordava no meio da noite, perdido o sono, parecia estar escutando outra vez o riachinho, cantar em grota abaixo, de checheio. (ROSA, 2001, p. 202)

Segundo o excerto, e em conformidade com a leitura de "Uma Estória de Amor", o papel das "estórias contadas"corresponde a, EXCETO

LiteraturaEAM2019

Texto para responder à questão.

O grande patrimônio que temos é a memória. A memória guarda o que vivemos e o que sonhamos. E a literatura é esse espaço onde o que sonhamos encontra o diálogo. Com a literatura, esse mundo sonhado consegue falar. O texto literário é um texto que também dá voz ao leitor. Quando escrevo, por exemplo: "A casa é bonita”, coloco um ponto final. Quando você lê para uma criança “A casa é bonita”, para ela pode significar a que tem pai e mãe. Para outra criança, “casa bonita” é a que tem comida. Para outra, a que tem colchão. Eu não seio que é casa bonita, quem sabe é o leitor. A importância para mim da literatura é também acreditar que o cidadão possui a palavra. O texto literário dá a palavra ao leitor. O texto literário convida o leitor a se dizer diante dele. Isso é o que há de mais importante para mim na literatura.

QUEIRÔS. Bartolomeu Campos de. Entrevista. Disponível em <http:/Amww.sesc.com.br/>. Acesso em 07 nov. 2018

Segundo o autor, o texto literário:

LiteraturaCUSC2020

Leia o trecho da crônica de Machado de Assis, escrita em 1861, para responder a questão.

Começo por uma raridade, não uma dessas raridades vulgares de que fala uma personagem de teatro, mas uma raridade vulgarmente rara: — o governo de acordo com a opinião.

Os complacentes e os otimistas hão de rir; não assim os julgadores severos; esses dirão consigo: — é verdade! — A opinião havia acolhido com entusiasmo a unificação da Itália; o governo acaba de reconhecer com prazer e sem delongas acintosas o novo reino italiano. Não é caso de milagre, mas também não é comum.

Afez-se o país por tal modo a ver no governo o seu primeiro contraditor, que não pôde reprimir uma exclamação quando o viu pressuroso concluir o ato diplomático a que aludo. E por que não havia de fazê-lo? Perguntará o otimista. Eu sei! por descuido, por cortesania, por qualquer outro motivo, mas a regra é invariável: o governo sempre contrariou a opinião.

(Comentários da semana, 2008.)

Machado de Assis faz o comentário sobre um acontecimento histórico específico.

Segundo o autor,

LiteraturaUEFS2015

TEXTO:

O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito — por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava.

ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 449.

O texto em destaque é um fragmento da obra Grande Sertão: veredas, do escritor modernista Guimarães Rosa.

Segundo as reflexões do sujeito narrador Riobaldo, a vida pode ser vista como