Mia Couto, escritor moçambicano, em entrevista ao Jornal Folha de SPaulo declarou: “O Brasil tem uma ideia muito mistificada da África. A gente imagina que, por ser negro, um brasileiro teria mais intimidade com a África, mas isso é uma bobagem. Essa visão reducionista e simplificada também é uma coisa que os próprios africanos adotaram. Muitos deles traduziram uma África que os próprios europeus criaram. Não houve a África do bom selvagem, em que todos viviam em harmonia até a chegada dos colonizadores. Houve uma mão de dentro até na escravatura, cumplicidades entre africanos e europeus”.
Fonte: Folha Ilustrada. Publicado em 27-08-2013. Acessado em 21-09-2013Segundo as ideias de Mia Couto,
Segundo Antonio Candido, Álvares de Azevedo (1831-1852) pode ser definido como o “poeta da noite, do sono e do sonho” (Na sala de aula. 3. ed. São Paulo: Ática, 1989. p. 46), daí a frequência com que a mulher amada é vista dormindo, como em:
Segundo Álvaro Lins, o mais brasileiro dos livros de Graciliano Ramos é Vidas Secas. Escrito em 1938, é considerado pela crítica como uma novela. Essa classificação do gênero literário se justifica porque a obra
Considere a tirinha de Laerte para responder a questão.
Segundo a tira, Olavo Bilac, ao ser remanejado, deixa de ser considerado
Cena
O canivete voou
E o negro comprado na cadeia
Estatelou de costas
E bateu coa cabeça na pedra
O Modernismo representou uma ruptura com os padrões formais e temáticos até então vigentes na literatura brasileira.
Seguindo esses aspectos, o que caracteriza o poema Cena como modernista é o(a)
Leio neste número 45 da revistaHistória viva a abertura do artigo de Emmanuel Bourassin.
O mercenarismo existe há milênios. Em todas as épocas, reis e Estados contrataram estrangeiros para suprir a falta de efetivos ou servir no corpo de segurança dos soberanos. Os egípcios tinham às suas ordens os guerreiros dos povos do mar e os núbios. Cartago quase sucumbiu à revolta de seus mercenários e Roma, desde o império dos Doze Césares, contratava bárbaros, francos, númidas e godos, o que acabou sendo sua perdição.
Fico imaginando se foi a propagação do sentimento nacionalista que deixou em baixa ou suprimiu de vez o fenômeno do mercenarismo. No Brasil, terá ele existido? Pergunto-me se jagunços e cangaceiros terão sido, vez ou outra, mercenários. Afora isso, não consigo imaginar o tecido nacionalista que se estendeu desde nossa pré-Independência até o modernismo de 22 sendo rompido pelo recurso a forças estrangeiras − a não ser para serem culturalmente devorados pelo antropófago Oswald de Andrade. (Nuno Cordeiro do Amaral, inédito)Se o aspecto de mercenarismo analisado no texto não alcançou representação na história do Brasil, deve-se considerar que
(...) os mitos e o imaginário fantástico medieval não foram subitamente subtraídos da mentalidade coletiva europeia durante o século XVI. (...) Conforme Laura de Mello e Sousa, “parece lícito considerar que, conhecido o Índico e desmitificado o seu universo fantástico, o Atlântico passará a ocupar papel análogo no imaginário do europeu quatrocentista”.
(VILARDAGA, José Carlos. Lastros de viagem: expectativas, projeções e descobertas portuguesas no Índico (1498- 1554). São Paulo: Annablume, 2010, p. 197)Se no século XVI a presença de mitos e do imaginário fantástico se fazia notar nas artes e na literatura europeia, como em Os Lusíadas, de Camões, no Brasil isso não ocorria porque
Texto para aquestão
Um poeta dizia que o menino é pai do homem. Se isto é verdade,
vejamos alguns lineamentos do menino.
Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”;
e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos malignos do meu
[05] tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um
dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher
de doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício,
deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura,
fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por
[10] pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de
casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão,
recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao
dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e
outro lado, e ele obedecia, - algumas vezes gemendo, - mas obedecia
[15] sem dizer palavra, ou quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao que eu
retorquia: - “Cala a boca, besta!” – Esconder os chapéus das visitas,
deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das
cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas
façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer
[20] que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu
pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à
vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-
me beijos.
No trecho Um poeta dizia que o menino é pai do homem.
Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino (linhas 01 e 02), podemos identificar uma relação de:
Leia o poema de Fernando Pessoa para responder à questão.
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Se for considerada a temática predominante nas obras de Fernando Pessoa (ele-mesmo, ortônimo) e nas obras de seus heterônimos mais conhecidos, é correto afirmar que o poema “Autopsicografia” pode ser atribuído a
Texto para aquestão
Ao Leitor
Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinquenta, nem vinte e, quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne, ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não achará nele o seu romance usual; ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.
Se entendermos que obras escritas “com a pena da galhofa e a tinta de melancolia” são aquelas que, caracterizadas por um humor vivo e jocoso, tendem, entretanto, a descrever uma curva em direção da tristeza e do desapontamento, incluiremos nessa série literária a obra