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LiteraturaUFG2013

Texto 1

PREFÁCIO

São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai- os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor.

É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.

Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou, – como isso dou a lume essas harmonias.

São as páginas despedaçadas de um livro não lido...

E agora que despi a minha musa saudosa dos véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito, e amai-a como o consolo que foi de uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor – esses dois raios luminosos do coração de Deus. AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. In: Obra completa. Organização de Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. p. 120.

Se ao invés de usar períodos compostos como em "É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.", o autor tivesse escolhido períodos simples: "É uma lira sem cordas. É uma primavera sem flores. É uma coroa de folhas sem viço.", a imagem construída a respeito de sua obra não seria a mesma, porque

LiteraturaFASM2016

Leia o poema de Olavo Bilac para responder à questão.

A um poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!


Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço; e a trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua,
Rica mas sóbria, como um templo grego.


Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:


Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

(Poemas, 1976.)

A expressão do título, “A um poeta”, indica a quem o poema é dirigido e não leva o acento indicativo de crase.

Se a alterarmos, para mudar o destinatário do texto, a expressão estará corretamente grafada em:

LiteraturaUEMS2009

No desfecho de O Ateneu, “Aqui suspendo a crônica das saudades.

Saudades verdadeiramente? Puras recordações, saudades talvez, se ponderarmos que o tempo é a ocasião passageira dos fatos, mas sobretudo – o funeral para sempre das horas.”, é correto afirmar que:

LiteraturaPUC-Campinas2017

Os enciclopedistas constituíram uma pequena elite de letrados e de técnicos, ligados à vida material como elementos de ponta do progresso econômico e também estreitamente vinculados ao aparato estatal, o qual se esforçaram por tornar melhor e mais racional. (...) Por toda a parte na Europa das Luzes, encontramos esta pretensão e esta vontade [dos filósofos] de pôr-se à testa e na direção da sociedade.

(VENTURI, Franco.Utopia e reforma no Iluminismo. Bauru: Edusc, 2003, p. 44, 239-240)

Nota-se o prestígio de que goza o homem talentoso e culto, ao tempo do enciclopedismo, em versos como estes:

Com tal destreza toco a sanfoninha

Que inveja até me tem o próprio Alceste:

Ao som dela concerto a voz celeste,

Nem canto letra que não seja minha.

São versos nos quais o poeta

LiteraturaFAAP2016

Um dos heterônimos de Fernando Pessoa apresenta como característica a consciência da passagem do tempo e da inevitabilidade da morte.

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do riacho.

Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos

Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.

(Enlacemos as mãos)

São versos de:

LiteraturaCUSC2019

Leia o poema “O poeta futuro”, de Murilo Mendes, para responder à questão.

O poeta futuro já se encontra no meio de vós.
Ele nasceu da terra
Preparada por gerações de sensuais e de místicos:
Surgiu do universo em crise, do massacre entre irmãos,
Encerrando no espírito épocas superpostas.
O homem sereno, a síntese de todas as raças, o portador

[da vida

Sai de tanta luta e negação, e do sangue espremido.

O poeta futuro já vive no meio de vós
E não o pressentis.
Ele manifesta o equilíbrio de múltiplas direções
E não permitirá que algo se perca,
Não acabara de apagar o pavio que ainda fumega,
Transformando o aço da sua espada
Em penas que escreverão poemas consoladores.

O poeta futuro apontará o inferno
Aos geradores de guerra,
Aos que asfixiam órfãos e operários.

(Poesias, 1959.)

São traços estilísticos de Murilo Mendes, observáveis nesse poema:

LiteraturaUNIMONTES2012

São temas constitutivos da obra Serrano de Pilão Arcado. A saga de Antônio Dó, EXCETO

LiteraturaIFSulDeMinas2017

Ao longo da história de “Teoria do medalhão”, o pai enumera algumas ações e certos comportamentos que devem ser adotados pelo filho a fim de que este se torne um medalhão:

I - adotar um regime debilitante que consiste em “ler compêndios de retórica”, a fim de que o discurso de Janjão seja persuasivo.

II - realizar atividades físicas para “repousar o cérebro” e restituir à mente “as atividades perdidas”

III - fazer uso da publicidade dos jornais, divulgando nesses as descobertas científicas que o filho realizar, para apresentar-se aos “olhos do mundo”.

IV - utilizar “brocados jurídicos” e “máximas”, para que Janjão consiga expressar-se de modo convincente.

V - frequentar livrarias, entrar por elas “não às escuras, mas às escancaras” para falar de assuntos do cotidiano, tais como “o boato do dia”, “a anedota da semana”.

VI - fazer uso da ironia – “feição própria dos céticos e desabusados” – a fim de atribuir confiabilidade às opiniões que expressar.

São sugestões apresentadas pelo pai ao filho:

LiteraturaURCA2015

De acordo com alguns estudiosos, as obras de Eça de Queirós possuem um talento raro para combinar a ironia e a sátira com certo lirismo melancólico, o que lhes dá graça e sutileza, apesar do tom caricato de que se revestem algumas passagens, por demais exemplares da hipocrisia social a ser denunciada.

São romances de tese, isto é, que denunciam a hipocrisia social, do escritor:

LiteraturaIMEPAC2017

Leia o trecho a seguir de Dom Casmurro, de Machado de Assis.

“Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas.

As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.”

ASSIS, Machado. Dom Casmurro. Cap. CXXIII. Disponível em: . Acesso em: 30 mar. 2017.

O narrador da história é Bentinho, marido de Capitu, que busca convencer o leitor de sua opinião pessoal acerca do comportamento de sua esposa.

São recortes desse trecho que indicam essa tentativa de convencimento, EXCETO: