AprendiAprendi
LiteraturaUnaerp2016

Ao chegar às catingueiras, modificou a pontaria e puxou o gatilho. A carga alcançou os quartos traseiros e inutilizou uma perna de Baleia, que se pôs a latir desesperadamente. [...] Defronte do carro de bois faltou-lhe a perna traseira. E, perdendo muito sangue, andou como gente, em dois pés, arrastando com dificuldade a parte posterior do corpo. [...] Uma sede horrível queimava-lhe a garganta. [...] uivava baixinho, e os uivos iam diminuindo, tornavam-se quase imperceptíveis. [...] Baleia encostava a cabecinha fatigada na pedra. A pedra estava fria, certamente Sinha Vitória tinha deixado o fogo apagar-se muito cedo. Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.

Graciliano Ramos, Vidas secas.

Os trechos citados narram a morte da cachorra Baleia, ferida com um tiro por Fabiano. A maneira como Baleia é descrita em suas atitudes e pensamentos reforça a ironia que se observa no fato de ela ser

LiteraturaENEM2013

TEXTO I

Dois quadros

Na seca inclemente do nosso Nordeste,

O sol é mais quente e o céu mais azul

E o povo se achando sem pão e sem veste,

Viaja à procura das terras do Sul.

De nuvem no espaço, não há um farrapo,

Se acaba a esperança da gente roceira,

Na mesma lagoa da festa do sapo,

Agita-se o vento levando a poeira.

TEXTO II

ABC do Nordeste flagelado

O – Outro tem opinião

de deixar mãe, deixar pai,

porém para o Sul não vai,

procura outra direção.

Vai bater no Maranhão

onde nunca falta inverno;

outro com grande consterno

deixa o casebre e a mobília

e leva a sua família

pra construção do governo.

Disponível em: www.revista.agulha.com.br. Acesso em: 23 abr. 2010 (fragmento).

Os Textos I e II são de autoria do escritor nordestino Patativa do Assaré, que, em sua obra, retrata de forma bastante peculiar os problemas de sua região. Esses textos têm em comum o fato de abordarem

LiteraturaESA2010

Os textos dramáticos podem ser definidos como aqueles em que:

LiteraturaPUC-RS2010

Responder à questão com base nos textos A e B.

TEXTO A

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar...

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer no mar...

E no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar

TEXTO B

“O maluco respondia que sim com a cabeça, ao mesmo tempo que sapateava brandamente no assoalho. Nem para atender ao médico, tirava os olhos do sapato “novo”

O programa da manhã consistia numa volta pelo centro. À tarde, ele deveria acompanhá-lo numa visita ao seu “cliente”.

– Que tal?

O maluco farejou muito todo aquele centro da cidade: a praça, a igreja, a casa do governo, a rua principal e o seu movimento. Com o focinho no ar, a capa voando ao vento forte, às vezes se retardava. O médico advertia-o. Ele então se apressava. E quando de novo se reunia ao companheiro, tinha um olhar de expectativa e de consulta.

Não: o doutor Valério só o que queria era que ele visse tudo (claro); com tempo, porém, para irem tomar o seu cafezinho.

– Um plano e tanto, não é assim?

O café estava quase deserto. (...)

Isto também já está visto – decidiu o Dr. Valério, na qualidade de guia. – Vamos tocando. (...)

Ao chegarem numa casa de esquina (...) o médico começou a consultar uns cartazes impressos entre os batentes e as vidraças das portas fechadas. Eram “horários”. O doutor não encontrava o que queria.

– Mas eu tenho uma ideia de que os dias são segundas, quartas e sextas – ruminava ele, alto, sem nenhum interesse, entretanto, em ser ouvido por mais ninguém senão por ele próprio. O maluco também avançava o focinho – querendo ajudar o doutor, mas sem saber bem o que.”

(O louco do Cati, p. 192-193)

Os textos A e B pertencem, respectivamente, a ________________ e _________________, autores que se alinham aos movimentos literários denominados _________________ e _________________.

LiteraturaUnit-AL2018

TEXTO:

Pouco a pouco uma vida nova, ainda confusa, se

foi esboçando. Acomodar-se-iam num sítio pequeno, o

que parecia difícil a Fabiano, criado solto no mato.

Cultivariam um pedaço de terra. Mudar-se-iam depois

5 para uma cidade, e os meninos frequentariam

escolas, seriam diferentes deles. Sinha Vitória

esquentava-se. Fabiano ria, tinha desejo de esfregar as

mãos agarradas à boca do saco e à coronha da

espingarda de pederneira.

[10] Não sentia a espingarda, o saco, as pedras miúdas

que lhe entravam nas alpercatas, o cheiro de carniças

que empestavam o caminho. As palavras de Sinha

Vitória encantavam-no. Iriam para diante, alcançariam

uma terra desconhecida.

[15] Fabiano estava contente e acreditava nessa terra,

porque não sabia como ela era nem onde era. Repetia

docilmente as palavras de Sinha Vitória, as palavras que

Sinha Vitória murmurava porque tinha confiança nele. E

andavam para o sul, metidos naquele sonho. Uma cidade

[20] grande, cheia de pessoas fortes. Os meninos em

escolas, aprendendo coisas difíceis e necessárias. Eles

dois velhinhos, acabando-se como uns cachorros,

inúteis, acabando-se como Baleia. Que iriam fazer?

Retardaram-se, temerosos. Chegariam a uma terra

[25] desconhecida e civilizada, ficariam presos nela. E

o sertão continuaria a mandar gente para lá. O sertão

mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como

Fabiano, Sinha Vitória e os dois meninos.

RAMOS, G. Vidas Secas. 71. ed. São Paulo: Record, 1996. p. 125-126

“Eles dois velhinhos, acabando-se como uns cachorros, inúteis, acabando-se como Baleia.” (l. 21-23)

Os termos “cachorros” e “Baleia”, dentro do contexto da passagem e no todo do livro, revelam

LiteraturaCESMAC2017

Os romancistas de 1930, ao contrário dos poetas modernistas, não pretendiam seguir os pressupostos estéticos das correntes de vanguarda, embora considerassem irreversíveis muitas ideias dos primeiros modernistas. Entre essas ideias, merece destaque:

LiteraturaUnirG2019

Os romances O homem duplicado, de José Saramago, eTriste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, são produções literárias exemplares de

LiteraturaUnilus2021

Os romances de José Lins do Rego e Graciliano Ramos, guardadas as diferenças de concepção literária desses dois autores, têm em comum

LiteraturaIFPR2017

LEIA O FRAGMENTO DO POEMA AÇÚCAR, DE FERREIRA GULLAR, REFERÊNCIA PARA AQUESTÃO.

(...)

Em lugares distantes, onde não há hospital

nem escola

homens que não sabem ler e morrem de fome

aos 27 anos

plantaram e colheram a cana

que viraria açúcar.

Em usinas escuras,

homens de vida amarga

e dura

produziram este açúcar

branco e puro

com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.

Os recursos expressivos e o enfoque do tema emprestam ao texto um caráter:

LiteraturaUFG2012

Leia os trechos apresentados a seguir.

ZÉ PAULO

Álvares, essa é a nossa condição. Hoje só existe poesia no inú- til, no inacabado...

ÁLVARES

No meu tempo já era assim.

ZÉ PAULO

Eu sei, mas não havia ainda o Grande Ciclo da Produção e do Consumo.

[…]

ZÉ PAULO

[…]

horário de pico é aquele em que se atinge o máximo congestionamento das vias...

[...]

ÁLVARES

Mas como aconteceu tudo isso?

ZÉ PAULO

Aconteceu como acontece com todas as cidades da América. É muito simples: elas foram entregues aos automóveis... Ou melhor, aos combustíveis fósseis!

[…]

ÁLVARES

[...]

Existem fontes imemoriais, é a elas que devemos recorrer...

[...]

ÁLVARES

O que é isso?

ZÉ PAULO

Material para escavação.

ÁLVARES

E posso saber o que é que vamos escavar?

ZÉ PAULO

Alguma dor não contaminada

MARTINS, Alberto. Uma noite em cinco atos. São Paulo: Editora 34, 2009. p. 49; p. 73; p. 81; p. 96-97

Os questionamentos sobre o fazer literário presentes nostrechos transcritos interagem com a crítica de Zé Paulo à realidade das cidades da América. Essa interação torna-se evidente, pois