O poema abaixo de Olavo Bilac foge aos procedimentos tipicamente Parnasianos. Assinale a opção com indica a estética literária que influenciou a criação desse poema.
Via láctea
Olavo Bilac “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!” Eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto... E conversamos toda a noite, enquanto A via láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao ouvir o sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: “Tresloucado amigo!” Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?” E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
Observe as ilustrações abaixo, de autoria do artista plástico Poty, que acompanha algumas edições de Capitães da areia. As ilustrações 1 e 2 representam, respectivamente, o desfecho das personagens
Observe as expressões abaixo e assinale a que não corresponde ao sofrimento de Miguilim por causa do Dito
Observe as afirmativas e assinale aquela que não condiz com o texto
Apintura é uma poesia muda e a poesia uma pintura cega; e tanto uma quanto a outra tentam imitar a natureza segundo seus limites, e tanto uma quanto a outra permitem demonstrar diversas atitudes morais, como fez Apeles na sua Calúnia.
DA VINCI apud LICHTENSTEIN, 2005, p. 19-20Observe a pintura de Gustave Coubert, Mulheres peneirando trigo, e assinale a alternativa que corresponde a CORRETA relação entre o estilo literário e a pintura de Coubert.
TEXTO
Aos vícios
Eu sou aquele que os passados anos
Cantei na minha lira maldizente
Torpezas do Brasil, vícios e enganos.
E bem que os descantei bastantemente,
[5] Canto segunda vez na mesma lira
O mesmo assunto em pletro diferente.
Já sinto que me inflama e que me inspira
Tália, que anjo é da minha guarda
Des que Apolo mandou que me assistira.
[10] De que pode servir calar quem cala?
Nunca se há de falar o que se sente?!
Sempre se há de sentir o que se fala.
Qual homem pode haver tão paciente,
Que, vendo o triste estado da Bahia,
[15] Não chore, não suspire e não lamente?
O néscio, o ignorante, o inexperto,
Que não elege o bom, nem mau reprova,
Por tudo passa deslumbrado e incerto.
E quando vê talvez na doce treva
[20] Louvado o bem, e o mal vituperado,
A tudo faz focinho, e nada aprova.
Diz logo prudentaço e repousado:
— Fulano é um satírico, é um louco,
De língua má, de coração danado.
[25] Se souberas falar, também falaras,
Também satirizaras, se souberas,
E se foras poeta, poetizaras.
A ignorância dos homens destas eras
Sisudos faz ser uns, outros prudentes,
[30] Que a mudez canoniza bestas feras.
Há bons, por não poder ser insolentes,
Outros há comedidos de medrosos,
Não mordem outros não — por não ter dentes.
Quantos há que os telhados têm vidrosos,
[35] e deixam de atirar sua pedrada,
De sua mesma telha receosos?
Uma só natureza nos foi dada;
Não criou Deus os naturais diversos;
Um só Adão criou, e esse de nada.
[40] Todos somos ruins, todos perversos,
Só os distingue o vício e a virtude,
De que uns são comensais, outros adversos.
Quem maior a tiver, do que eu ter pude,
Esse só me censure, esse me note
[45] Calem-se os mais, chitom, e haja saúde.
MATOS, Gregório de. Aos vícios. Disponível em: . Acesso em: 19 out. 2017.Observando-se os recursos estéticos e linguísticos disponíveis no poema “Aos vícios”, pode-se dizê-los pertencente ao estilo literário
“Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuiriei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”
ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Record, 2001Observando os versos, conclui-se que o poeta
TEXTO
Não se zanguem
[1] A cartomancia entrou decididamente na vida
nacional.
Os anúncios dos jornais todos os dias
proclamam aos quatro ventos as virtudes
[5] miríficas das pitonisas.
Não tenho absolutamente nenhuma ojeriza
pelas adivinhas; acho até que são bastante
úteis, pois mantêm e sustentam no nosso
espírito essa coisa que é mais necessária à
[10] nossa vida que o próprio pão: a ilusão.
Noto, porém, que no arraial dessa gente que
lida com o destino, reina a discórdia, tal e qual
no campo de Agramante.
A política, que sempre foi a inspiradora de
[15] azedas polêmicas, deixou um instante de sê-lo
e passou a vara à cartomancia.
Duas senhoras, ambas ultravidentes,
extralúcidas e não sei que mais, aborreceram
se e anda uma delas a dizer da outra cobras e
[20] lagartos.
Como se pode compreender que duas
sacerdotisas do invisível não se entendam e
deem ao público esse espetáculo de brigas tão
pouco próprio a quem recebeu dos altos
[25] poderes celestiais virtudes excepcionais?
A posse de tais virtudes devia dar-lhes uma
mansuetude, uma tolerância, um abandono
dos interesses terrestres, de forma a impedir
que o azedume fosse logo abafado nas suas
[30] almas extraordinárias e não rebentasse em
disputas quase sangrentas.
Uma cisão, uma cisma nessa velha religião de
adivinhar o futuro, é fato por demais grave e
pode ter consequências desastrosas.
[35] Suponham que F. tenta saber da cartomante X
se coisa essencial à sua vida vai dar-se e a
cartomante, que é dissidente da ortodoxia, por
pirraça diz que não.
O pobre homem aborrece-se, vai para casa de
[40] mau humor e é capaz de suicidar-se.
O melhor, para o interesse dessa nossa pobre
humanidade, sempre necessitada de ilusões,
venham de onde vier, é que as nossas
cartomantes vivam em paz e se entendam
[45] para nos ditar bons horóscopos.
(BARRETO, Lima. Vida urbana: artigos e crônicas. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1961.)Observando com atenção a linguagem empregada na crônica de Lima Barreto, é correto afirmar que ela revela fundamentalmente
Leia o texto poético a seguir:
INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA
A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...
Observando a mensagem que se constrói nos recursos expressivos do poema acima,É CORRETO afirmar que
Leia os textos 7 e 8 a seguir:
Texto 7
Antes que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande.
[...]
Morreu algum deles: vereis logo tantos sobre o miserável a despedaçá-lo e comê-lo. Comem-no os herdeiros, comem-no os testamenteiros, comem-no os oficiais dos órfãos e dos defuntos ausentes; come-o o médico, que o curou ou ajudou a morrer; come-o o sangrador, que lhe tirou o sangue; come-o a mesma mulher, que de má vontade lhe dá para mortalha o lençol mais velho da casa; come-o o que lhe abre a cova, o que lhe tange os sinos, e os que cantando o levam a enterrar; enfim ainda ao pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra.
Texto 8
Agora, Fanfarrão, agora falo
Contigo, e só contigo. Por que causa
ordenas que se faça uma cobrança
tão rápida e tão forte contra aqueles
que ao Erário só devem tênues somas?
Não tens contratadores, que ao rei devem
De mil cruzados centos e mais centos?
Uma só quinta parte que estes dessem,
não matava do Erário o grande empenho?
O pobre, porque é pobre, pague tudo,
E o rico, porque rico, vai pagando
Sem soldados à porta, com sossego!
Observando a linguagem e considerando os aspectos comuns e divergentes, assinale a alternativa CORRETA.