Leia o texto VIII para responder à questão 11.
Texto VIII
Cavaleiro no seu cavalo, lá vai Mestre Severino pela planura desatada, senhor das rédeas, do chicote e das esporas. O vento lhe bate em meio no rosto queimado de sol. E ele galopa sempre, sem que seja preciso fustigar a montaria com as rosetas de metal. Mestre Severino sabe que a serenidade do mar nem sempre perdura. De repente o vento cresce, vira e desembesta. Seu gemido longo e fino se converte em alarido de muitas vozes, enquanto as velas do barco se debatem numa palpitação de asas em agonia, cercadas pelas ondas revoltas de um rebanho em disparada. É preciso correr, acudir, lutar, ora com o leme, ora com as velas, ora com as escotas, ou então descer todos os panos e só deixar o casco no combate. Em seguida as vagas se aplacam, o céu se destolda, abrem-se clareiras de sol ou de estrelas, e outra vez a planura se desata, e as velas se abrem, e a quilha da proa avança, retalhando as ondas.
MONTELLO, J. Cais da Sagração. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.O trecho apresenta analogias entre elementos diferentes para marcar a mensagem poética. Há analogia adequada, respectivamente, entre os seguintes termos:
Maldito, maldito criador! Por que eu vivo? Por que não extingui, naquele instante, a centelha de vida que você tão desumanamente me concedeu? Não sei! O desespero ainda não se apoderara de mim. Meus sentimentos eram de raiva e vingança. Quando a noite caiu, deixei meu abrigo e vagueei pelos bosques. (...) Oh! Que noite miserável passei eu! Sentia um inferno devorar-me, e desejava despedaçar as árvores, devastar e assolar tudo o que me cercava, para depois sentar-me e contemplar satisfeito a destruição. Declarei uma guerra sem quartel à espécie humana e, acima de tudo, contra aquele que me havia criado e me lançara a esta insuportável desgraça!
Mary Shelley. Frankenstein. 2ª ed. Porto Alegre: LPM, 1985O trecho acima, extraído de uma obra literária publicada pela primeira vez em 1818, pode ser lido corretamente como uma
Acresce que chovia – peneirava – uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: - “ Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado”.
– Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei.
O trecho acima, de Memórias Póstumas de Brás Cubas, encerra um sentimento que se revela
O senhor sabe: sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!
ROSA, Guimarães. Grande Sertão: veredas. 6 ed, Rio de Janeiro: José Olympio, 1968. p. 18.O trecho acima, de Grande Sertão: veredas, remete à descrição do espaço geográfico na obra de Guimarães Rosa. Em relação ao espaço geográfico, é correto afirmar que, em
(...) tornou o hóspede a entrar na recepção, um pouco ofegante do esforço, pega na caneta, e escreve no livro das entradas, a respeito de si mesmo, o que é necessário para que fique a saber-se quem diz ser, na quadrícula do riscado e pautado da página, nome Ricardo Reis, idade quarenta e oito anos, natural do Porto, estado civil solteiro, profissão médico, última residência Rio de Janeiro, Brasil, donde procede, viajou pelo Highland Brigade, parece o princípio duma confissão, duma autobiografia íntima, tudo que é oculto se contém nesta linha manuscrita, agora o problema é descobrir o resto, apenas.
O trecho acima traz informações que são suficientes para identificar a que obra ele pertence. A partir daí, podem ser identificadas questões, tais como: quem é o seu autor, a que literatura pertence, etc. Marque, portanto, a única alternativa ERRADA nesse sentido.
O Barroco brasileiro, segundo afirma Alfredo Bosi (2006), em História Concisa da Literatura Brasileira, teve ecos do Barroco europeu durante os séculos XVII e XVIII. Como autores tivemos Bento Teixeira, Gregório de Matos, Botelho de Oliveira, Padre Antonio Vieira, Nunes Marques Pereira, entre outros. Padre Antônio Vieira, considerado expoente desse período literário, produziu obras sobre temas referentes ao Brasil da época. Escreveu sermões como o Sermão da Sexagésima e o Sermão do Bom Ladrão, cujo trecho está exposto a seguir:
O SERMÃO DO BOM LADRÃO
[...[Suponho finalmente que os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida, porque a mesma sua miséria, ou escusa, ou alivia o seu pecado, como diz Salomão.
O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao inferno; os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre e de mais alta esfera, os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento, distingue muito bem São Basílio Magno.
Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas ou espreitam os que se vão banhar, para lhes colher a roupa: os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos.
Os outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo;
os outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.
Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: — Lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos.
[...]
(Pe Antonio Vieira. Sermões escolhidos. São Paulo: Martin Claret, 2003.)O trecho acima revela:
“Os antigos professores desta ciência – disse ele – prometiam tudo, mas nada realizavam. Os mestres modernos prometem muito pouco; sabem que os metais não podem ser transmutados e que o elixir da longa vida é uma quimera. Mas esses sábios, cujas mãos parecem apenas patinhar no sujo, ou cujos olhos parecem estar pregados aos microscópios e aos cadinhos, têm conseguido milagres. Eles penetram os recessos da natureza e mostram como ela funciona nos lugares mais ocultos. Sobem aos céus; descobriram como circula o sangue, e qual a natureza do ar que respiramos. Adquiriram novos e quase ilimitados poderes; podem comandar trovões no céu, reproduzir o terremoto, e até zombar do mundo invisível com suas sombras” (SHELLEY, 1997).
O trecho acima pertence ao romance Frankenstein, escrito em 1816 por Mary Shelley. A autora faz aqui não apenas uma clara referência à ciência como era entendida pelos estudiosos de fins do século XVIII e início do século XIX, como também, especialmente, às pretensões e esperanças da mesma. Nas alternativas abaixo, marque a correta.
Uma flor, o Quincas Borba. Nunca em minha infância, nunca em toda a minha vida, achei um menino mais gracioso, inventivo e travesso. Era a flor, e não já da escola, senão de toda a cidade. A mãe, viúva, com alguma coisa de seu, adorava o filho e trazia-o amimado, asseado, enfeitado, com um vistoso pajem atrás, um pajem que nos deixava gazear a escola, ir caçar ninhos de pássaros,(...) E de imperador! Era um gosto ver o Quincas Borba fazer de imperador nas festas do Espírito Santo. De resto, nos nossos jogos pueris, ele escolhia sempre um papel de rei, ministro, general,uma supremacia, qualquer que fosse. Tinha garbo, o traquinas, e gravidade, certa magnificência nas atitudes, nos meneios. Quem diria que ... Suspendamos a pena; não adiantemos os sucessos.
O trecho acima integra o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Considerando o trecho e o romance como um todo, o pensamento suspenso no final do parágrafo, indicia ações futuras da personagem em pauta. Indique a alternativa errada com relação ao que de fato ocorreu com Quincas Borba.
Desde então os guerreiros pitiguaras que passavam perto da cabana abandonada e ouviam ressoar a voz plangente da ave amiga, afastavam-se com a alma cheia de tristeza, do coqueiro onde cantava a jandaia. E foi assim que um dia veio a chamar-se Ceará o rio onde crescia o coqueiro, e os campos onde serpeja o rio.
O trecho acima integra o romance Iracema, de José de Alencar. Considerando a obra como um todo, o trecho em pauta se refere
Numa dessas manhãs – justamente na véspera do meu regresso a Guiães – o tempo, que andara pela serra tão alegre, num inalterado riso de luz rutilante, todo vestido de azul e ouro, fazendo poeira pelos caminhos, e alegrando toda a Natureza, desde os pássaros aos regatos, subitamente, com uma daquelas mudanças que tornam o seu temperamento tão semelhante ao do homem, apareceu triste, carrancudo, todo embrulhado no seu manto cinzento, com uma tristeza tão pesada e contagiosa que toda a serra entristeceu. E não houve mais pássaro que cantasse, e os arroios fugiram para debaixo das ervas, com um lento murmúrio de choro.
O trecho acima integra o romance A Cidade e asSerras, de Eça de Queirós. Dele é INCORRETO afirmar que