Texto para aquestão
Muito se fala sobre as maravilhas da literatura. Como expressão artística, ela registra e revela o homem social, imerso num tempo histórico e num contexto cultural. Ao mesmo tempo, ela é capaz de atravessar as barreiras do tempo e do espaço, à medida que alcança o que há de mais essencial no homem: seus medos e suas paixões. A literatura não apenas contempla o homem, mas também exerce função humanizadora. Trata-se do texto capaz de reconectar o homem consigo mesmo, criando na experiência da leitura o exercício da coerência e da significação.
(Revista Língua Portuguesa e Literatura, p.47)O emprego do conectivo “à medida que”, negritado no texto, sugere uma ação para a qual concorrem, de forma gradativa e proporcional, dois processos:
Texto para a questão
O efeito de humor da charge decorre de um fenômeno linguístico:
Leia o texto abaixo sobre os perigos e vantagens da mudança tecnológica em andamento, denominada de “internet das coisas”, a ser ampliada mundialmente com a inauguração da velocidade 5G.
Um dos assuntos mais procurados nos buscadores da web em 2014 foi a internet das coisas. Quando se fala no tema, a primeira coisa que vem à cabeça dos consumidores é a praticidade que se pode ter com produtos integrados à tecnologia sem fio, automação, sensores e conectividade. Afinal, você estar no trabalho e programar a sua máquina de café e a panificadora para que seu lanche fique pronto na hora que chegar em casa é ou não é um grande benefício? (...) Porém, por trás de tanta praticidade, uma preocupação cerca os estudiosos: a segurança da informação. (...) Os maiores problemas estão relacionados à privacidade, falta de autorizações suficientes, falhas de criptografia e softwares inadequados de proteção. Uma pesquisa realizada pela HP Security Research levou à conclusão de que 70% dos aparelhos ligados à internet das coisas têm falhas graves de segurança e estão sujeitos a ataques de hackers.
(Ana Laura Paraginski. O perigo da internet das coisas. Revista UCS, Ano 3, No. 17, maio jul 2015. https:// www.ucs.br/site/revista-ucs/revista-ucs-17a-edicao/o-perigo-da-internet-das-coisas/ Acessado em 07 09 2019).O texto anterior trata de uma questão ética na mudança tecnológica contemporânea denominada de “internet das coisas”.
O dilema ético nesta mudança expressa-se, sobretudo, pelo perigo de
“Uma pessoa olha o mapa e fica logo cansada. E, no entanto, parece que tudo ali está perto, por assim dizer, ao alcance da mão. A explicação, evidentemente, encontra-se na escala. É fácil de aceitar que um centímetro no mapa equivalha a vinte quilômetros na realidade, mas o que não costumamos pensar é que nós próprios sofremos na operação uma redução dimensional equivalente, por isso é que, sendo já tão mínima coisa no mundo, o somos infinitamente menos nos mapas. Seria interessante saber, por exemplo, quanto mediria um pé humano àquela mesma escala, ou a pata de um elefante. Ou a comitiva toda do arquiduque maximiliano de áustria".
SARAMAGO, José. A viagem do elefante. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p.159No trecho acima de A viagem do elefante, o narrador conta a história de Salomão, um elefante, presente do rei D. João III ao arquiduque Maximiano, e a longa viagem empreendida pelo animal e seu cuidador, Fritz, pela Europa até a Áustria. O trecho extraído do livro traduz o posicionamento cético do narrador diante do(a)
Vai negar?
Trocar o bife pela macarronada com molho de tomate é uma baita boa ação. Duvida? No ano passado, matamos 31 milhões de bois no Brasil e cada brasileiro consumiu, em média, 23 Kg de carne. Se toda a população deixasse de comer bife nas segundas-feiras, cerca de 4 milhões de bois seriam poupados ( isso sem falar dos porcos, das galinhas e dos peixes que também vão para a panela). Além disso, cada quilo de carne gasta cerca de 10 mil litros de água doce para ser produzido (em uma estimativa bem baixa), o que faria a abstinência brasileira de bife durante um dia da semana economizar 10 trilhões de litros de água. Apenas. Se joga na pizza de mussarela que o planeta agradece.
(Superinteressante, dezembro/2013)No processo de comunicação, produz-se uma mensagem para que ela seja recebida por alguém. No texto “Vai negar?”, as escolhas linguísticas denunciam a intenção de atuar sobre o receptor e mudar comportamento. O nível de linguagem direciona a mensagem para um público específico:
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As pernas
Ora, enquanto eu pensava naquela gente, iam-me as pernas levando, rua abaixo, de modo que, insensivelmente me achei à porta do hotel Pharoux. De costume jantava aí; mas, não tendo deliberadamente andado, nenhum merecimento da ação me cabe, e sim às pernas, que o fizeram. Abençoadas pernas! E há quem vos trate com desdém ou indiferença. Eu mesmo, até então, tinhavos em má conta, zangava-me quando vos fatigáveis, quando não podíeis ir além de certo ponto ...
(Machado de Assis,Memórias Póstumas de Brás Cubas,p.139-fragmento)No excerto, o autor faz uso da metonímia como recurso para
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A frase
O melhor texto de publicidade que já vi era assim: uma foto colorida de uma garrafa de uísque Chivas Regal e, embaixo, uma única frase: “O Chivas Regal dos uísques”.
O anúncio é americano. Em alguns anuários de propaganda, desses que a gente folheia nas agências em busca de ideias originais na esperança de que o cliente não tenha o mesmo anuário, deve aparecer o nome do autor do texto. No dia em que eu descobrir quem é, mando um telegrama com uma única palavra. Um palavrão. Que tanto pode expressar surpresa quanto admiração, inveja, submissão ou raiva. No meu caso, significará tudo ao mesmo tempo.
Duvido que o autor da frase receba o telegrama. O cara que escreveu um anúncio assim não recebe mais telegramas. Não atende mais nem a porta. Não se mexe da cadeira. Não lê mais nada, não vê televisão, não vai a cinema e fala somente o indispensável. Passa o dia sentado, de pernas cruzadas, com o olhar perdido. Alimenta-se de coisas vagamente brancas e bebe champanhe brut em copos de tulipa. Com um leve sorriso nos cantos da boca.
(Luís Fernando Veríssimo in Comédia da vida privada)No excerto reside, implícita, uma avaliação negativa sobre a criatividade dos profissionais de propaganda, uma vez que a expressão “ideias originais” adquire, no contexto, conotação
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Tiro ao Álvaro
De tanto levar frechada do teu olhar
Meu peito até parece sabe o quê?
Táubua de tiro ao Álvaro
Não tem mais onde furar
Teu olhar mata mais do que bala de carabina
Que veneno estricnina
Que peixeira de baiano
Teu olhar mata mais que atropelamento de automóver
Mata mais que bala de revórver
Adoniran Barbosa
https://pt.m.wikipedia.orgNo contexto da composição, o verbo matar desvia de sua significação literal para assumir outra conotação no momento em que o autor o associa a um instrumento sem poder de letalidade, qual seja
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A frase
O melhor texto de publicidade que já vi era assim: uma foto colorida de uma garrafa de uísque Chivas Regal e, embaixo, uma única frase: “O Chivas Regal dos uísques”.
O anúncio é americano. Em alguns anuários de propaganda, desses que a gente folheia nas agências em busca de ideias originais na esperança de que o cliente não tenha o mesmo anuário, deve aparecer o nome do autor do texto. No dia em que eu descobrir quem é, mando um telegrama com uma única palavra. Um palavrão. Que tanto pode expressar surpresa quanto admiração, inveja, submissão ou raiva. No meu caso, significará tudo ao mesmo tempo.
Duvido que o autor da frase receba o telegrama. O cara que escreveu um anúncio assim não recebe mais telegramas. Não atende mais nem a porta. Não se mexe da cadeira. Não lê mais nada, não vê televisão, não vai a cinema e fala somente o indispensável. Passa o dia sentado, de pernas cruzadas, com o olhar perdido. Alimenta-se de coisas vagamente brancas e bebe champanhe brut em copos de tulipa. Com um leve sorriso nos cantos da boca.
(Luís Fernando Veríssimo in Comédia da vida privada)“No dia em que descobrir quem é, mando um telegrama com uma única palavra. Um palavrão.”
No ambiente em que ocorre, a expressão palavrão tende a ser interpretada como
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O céu que nós vemos não é o limite: um foguete o furou ... E no domingo, 20 de julho de 1969, há meio século portanto, a humanidade realizava a sua mais incrível e extraordinária aventura, inimaginável, até então, fora das extravagantes obras de ficção científica: a conquista da Lua!
Eram 20 horas, 17 minutos e 40 segundos (horário universal de Greenwich) quando o módulo lunar americano Eagle, nome dado em homenagem à águia que simboliza os EUA, pousou em segurança na superfície lunar. Aqui na Terra, pela primeira vez em sua história, estima-se que 400 milhões de pessoas, de pelo menos 39 países, se postavam diante de seus televisores, ávidas pela mesma imagem: a transmissão ao vivo desse grandioso feito. Dois astronautas iriam caminhar na Lua, o homem superava o próprio homem e uma sensação preenchia inteiramente a espécie humana: se tudo desse certo, nada mais lhe parecia ser impossível.
(Istoé, 17/07/2019, p. , trecho)“O homem superava o próprio homem e uma sensação preenchia inteiramente a espécie humana: se tudo desse certo, nada mais lhe parecia ser impossível.”
Nesse fragmento, a avaliação do sentimento humano em face do evento permite ao leitor inferir que a chegada à Lua provocou no Homem uma sensação de