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Vai negar?

Trocar o bife pela macarronada com molho de tomate é uma baita boa ação. Duvida? No ano passado,matamos 31 milhões de bois no Brasil e cada brasileiro consumiu, em média, 23 Kg de carne. Se toda a população deixasse de comer bife nas segundas-feiras, cerca de 4 milhões de bois seriam poupados ( isso sem falar dos porcos, das galinhas e dos peixes que também vão para a panela). Além disso, cada quilo de carne gasta cerca de 10 mil litros de água doce para ser produzido (em uma estimativa bem baixa), o que faria a abstinência brasileira de bife durante um dia da semana economizar 10 trilhões de litros de água. Apenas. Se joga na pizza de mussarela que o planeta agradece.

(Superinteressante, dezembro/2013)

Para persuadir o receptor, o autor do texto utiliza como estratégia argumentativa

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Texto para a questão

Vizinhos

Você escolhe, até certo ponto, os amigos que quer ter e as pessoas com quem quer viver, mas não escolhe as pessoas mais importantes da sua vida. As pessoas que condicionam sua existência e seus humores: seus pais e seus vizinhos. Ninguém escolhe a família em que vai nascer – ou seja, a forma do seu nariz e da sua herança e nem, salvo raras exceções, os vizinhos que vão rodeá-lo

(Luís Fernando Veríssimo, in Histórias brasileiras de verão)

No excerto, há quatro ocorrências da palavra que; em todas as ocorrências, trata-se de um conectivo com valor anafórico.

Os termos que retomam são, na ordem em que ocorrem:

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Texto para aquestão

Muito se fala sobre as maravilhas da literatura. Como expressão artística, ela registra e revela o homem social, imerso num tempo histórico e num contexto cultural. Ao mesmo tempo, ela é capaz de atravessar as barreiras do tempo e do espaço, à medida que alcança o que há de mais essencial no homem: seus medos e suas paixões. A literatura não apenas contempla o homem, mas também exerce função humanizadora. Trata-se do texto capaz de reconectar o homem consigo mesmo, criando na experiência da leitura o exercício da coerência e da significação.

(Revista Língua Portuguesa e Literatura, p.47)

Os elementos textuais embasam o entendimento de que a Literatura pode exercer sobre o indivíduo uma ação

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Baruch Spinoza, inspirado em Maquiavel, diz que um poder sem leis é quimera. Contudo, observa ele, os líderes não podem impor aos dirigidos coisas absurdas e revoltantes. Explica Spinoza em seu Tratado Político: “É impossível aos governantes e seu poder público violar ou menosprezar abertamente as leis por eles mesmos estabelecidas e, mesmo assim, manter sua majestade, pois tais atos transformam o temor em indignação e o estado civil em estado de guerra”.

O autoritarismo pode ser compreendido como a tentativa de impor às pessoas posturas que neguem sua força mental. Na democracia, argumenta Spinoza em outro livro, o Tratado Teológico- Político, “é quase impossível que a maioria dos homens concorde com algum absurdo”, porque nela “ninguém transfere seu direito natural a outro, de tal modo que não seja mais consultado”. O regime democrático “mostra quanto é útil a liberdade no estado”.

Sem a democracia, conclui o filósofo holandês naquela mesma obra, “os que governam o estado ou dele se tornam donos sempre se esforçam para tingir os crimes cometidos com uma aparência de direito e persuadir o povo de que agiram honestamente; eles conseguem facilmente tal coisa se a interpretação do direito só depende deles. Pois é claro que de semelhante direito eles arrancam grande licença para fazer o que desejam e seu apetite exige. Uma grande parte da licença lhes é subtraída se o direito de interpretar as leis pertence a outros e sua interpretação verdadeira é manifesta e incontestável para todos”.

Em um estado onde reina a democracia, ninguém, sobretudo os governantes, tem licença para impor seus fins e doutrinas à cidadania. A situação piora, segundo Spinoza, se a imposição de atitudes e crenças se faz em proveito de quem ocupa os palácios.

(Roberto Romano – Veja especial 45 anos, setembro 2013, p. 106 –trecho)

Os anafóricos grifados retomam um único referente no terceiro parágrafo:

PortuguêsCESUPA2015

Há discursos em que expressões positivas são usadas para validar uma realidade contraditória.

Observando o conjunto imagem e texto, é o que ocorre com o uso da expressão

PortuguêsCESUPA2016

Observando as imagens, percebe-se que o efeito de humor da tirinha se realiza quando o personagem

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Superávit primário, dívida bruta, ajuste fiscal, despesas de capitalização, créditos extraordinários, déficit previdenciário. Ao longo da semana, muitos brasileiros tiveram o primeiro contato com esses termos áridos da economia. A razão foi a imensa repercussão da votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que limita as despesas do governo federal, com cifras corrigidas pela inflação, por até 20 anos. A PEC provoca um debate de alta qualidade sobre a economia do país. No momento, é a proposta mais viável para conter a sangria nas contas públicas e a crise econômica.

A proposta dominou as discussões na imprensa e nas redes sociais. Para um grupo, é a “PEC da salvação” para um país à beira do abismo. Para outro, é a “PEC da morte”, que reverterá avanços sociais conquistados pelo Brasil nas últimas décadas.

Época, 12/10/2016

O trecho “Para um grupo é a “PEC da salvação” para um país à beira do abismo. Para outro, é a “PEC da morte”, que reverterá os avanços sociais conquistados pelo Brasil” demonstra que as opiniões dos dois grupos são

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O cantor na biblioteca

Bob Dylan merece um Prêmio Nobel? E por quê? A pergunta foi feita a Sara Danius, secretária da Academia Sueca, instituição responsável pelo Nobel de Literatura, depois do anúncio, na quintafeira, 13, de que o vencedor deste ano não era um poeta, dramaturgo, mas um cantor, uma estrela do rock.

A conversa segue com os elogios convencionais próprios da ocasião – Dylan, segundo Sara Danius, “corporifica a tradição” e “sempre reinventou a si mesmo” -, até o momento em que o entrevistador pede à secretária que indique obras do compositor americano. Sara sugere que “se ouça ou leia” Blonde on Blonde, disco de 1966. Leitura? De um disco? O verbo “ler” pareceu estranhamente deslocado em uma conversa sobre o Nobel de Literatura.

Jerônimo Teixeira, Veja, 19/10/2016 – trecho

O título do texto, “O cantor na biblioteca”, no contexto em que ocorre, causa estranhamento se tomado em sentido literal; entretanto, se a expressão “O cantor” for substituída por “A obra do cantor”, a linearidade de sentido se estabelece. Essa possibilidade configura a ocorrência de uma

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A música não tem gênero,

Mas não se importa

Com o gênero de ninguém.

A música não escolhe

Quem escuta pela cor da pele

Nem pelo corte de cabelo.

A música fala todas as línguas.

A música não julga,

Não condena, a música acolhe,

A música aceita.

Se você parar para ver,

A música é tudo o que

O mundo deveria ser.

O que o mundo separa,

A música aproxima.

(propaganda Itaú/ “Rock in Rio”, Época, setembro- 2017)

O texto constrói uma visão do poder de ação da música sobre os indivíduos, utilizando como recurso estilístico a

PortuguêsCESUPA2017

Entre os Maoris, um povo polinésio, existe uma dança destinada a proteger as sementeiras de batatas, que quando novas são muito vulneráveis aos ventos do leste: as mulheres executam a dança, entre os batatais, simulando com os movimentos do corpo o vento, a chuva, o desenvolvimento e o florescimento do batatal, sendo essa dança acompanhada de uma canção que é um apelo para que o batatal siga o exemplo do bailado. As mulheres interpretam em fantasia a realização prática de um desejo. É nisso que consiste a magia: uma técnica ilusória destinada a suplementar a técnica real.

Mas essa técnica ilusória não é vã. A dança não pode exercer qualquer efeito sobre as batatas, mas pode ter, como de fato tem, um efeito apreciável sobre as mulheres. Inspiradas pela convicção de que a dança protege a colheita, entregam-se ao trabalho com mais confiança e energia. E, deste modo, a dança acaba, afinal, por ter um efeito sobre a colheita.

George Thompson

O ritual desenvolvido pelas mulheres Maoris permite afirmar que, no contexto em que ocorrem,