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LiteraturaFUVEST2021

Rubião fitava a enseada, — eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas em verdade vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora! Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.

— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...

Machado de Assis, Quincas Borba.

O primeiro capítulo de Quincas Borba já apresenta ao leitor um elemento que será fundamental na construção do romance:

LiteraturaUDESC2010

O prêmio MA (Machado de Assis), o mais importante da ABL (Academia Brasileira deLetras), foi entregue em 23 de julho deste ano ao escritor catarinense ........................., que escreveu, dentre tantas obras, o romance Voz Submersa. Assinale a alternativa que completa a questão acima.

LiteraturaUNICID2018

Para responder à questão, leia o trecho do prefácio do livro Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães, publicado em 1836.


Pede o uso que se dê um prólogo ao Livro, como um pórtico ao edifício; e como este deve indicar por sua construção a que Divindade se consagra o templo, assim deve aquele designar o caráter da obra. Santo uso de que nos aproveitamos, para desvanecer alguns preconceitos, que talvez contra este livro se elevem em alguns espíritos apoucados.

É um Livro de Poesias escritas segundo as impressões dos lugares; ora assentado entre as ruínas da antiga Roma, meditando sobre a sorte dos impérios; ora no cimo dos Alpes, a imaginação vagando no infinito como um átomo no espaço; ora na gótica catedral, admirando a grandeza de Deus, e os prodígios do Cristianismo; ora entre os ciprestes que espalham sua sombra sobre túmulos; ora enfim refletindo sobre a sorte da Pátria, sobre as paixões dos homens, sobre o nada da vida. São poesias de um peregrino, variadas como as cenas da Natureza, diversas como as fases da vida, mas que se harmonizam pela unidade do pensamento, e se ligam como os anéis de uma cadeia; poesias d’alma e do coração, e que só pela alma e o coração devem ser julgadas.

(Apud Antonio Candido e José Aderaldo Castelo. Presença da literatura brasileira I, 1985.)

O prefácio de Gonçalves de Magalhães inaugura no Brasil os tópicos fundamentais

LiteraturaUCS2013

O Pré-modernismo é um período que teve suas manifestações literárias entre 1900 e 1922 e é considerado um períodode transição. Sobre essa fase é correto afirmar que

LiteraturaENEM2021

Singular ocorrência

— Há ocorrências bem singulares. Está vendo aquela dama que vai entrando na igreja da Cruz? Parou agora no adro para dar uma esmola.

— De preto?

— Justamente; lá vai entrando; entrou.

— Não ponha mais na carta. Esse olhar está dizendo que a dama é uma recordação de outro tempo, e não há de ser muito tempo, a julgar pelo corpo: é moça de truz.

— Deve ter quarenta e seis anos.

— Ah! conservada. Vamos lá; deixe de olhar para o chão e conte-me tudo. Está viúva, naturalmente?

— Não.

— Bem; o marido ainda vive. É velho?

— Não é casada.

— Solteira?

— Assim, assim. Deve chamar-se hoje D. Maria de tal. Em 1860 florescia com o nome familiar de Marocas. Não era costureira, nem proprietária, nem mestra de meninas; vá excluindo as profissões e chegará lã. Morava na Rua do Sacramento. Já então era esbelta, e, seguramente, mais linda do que hoje: modos sérios, linguagem limpa.

ASSIS. M Machado de Assis: seus 30 melhores contos Rio de Janero: Aguiar. 1961.

No diálogo, descortinam-se aspectos da condição da mulher em meados do século XIX.

O ponto de vista dos personagens manifesta conceitos segundo os quais a mulher

LiteraturaENEM2009

Linhas tortas

Há uma literatura antipática e insincera que só usa expressões corretas, só se ocupa de coisas agradáveis, não se molha em dias de inverno e por isso ignora que há pessoas que não podem comprar capas de borracha. Quando a chuva aparece, essa literatura fica em casa, bem aquecida, com as portas fechadas. [...] Acha que tudo está direito, que o Brasil é um mundo e que somos felizes. [...] Ora, não é verdade que tudo vá tão bem [...]. Nos algodoais e nos canaviais do Nordeste, nas plantações de cacau e de café, nas cidadezinhas decadentes do interior, nas fábricas, nas casas de cômodos, nos prostíbulos, há milhões de criaturas que andam aperreadas.

[...]

Os escritores atuais foram estudar o subúrbio, a fábrica, o engenho, a prisão da roça, o colégio do professor mambembe.

Para isso resignaram–se a abandonar o asfalto e o café, [...] tiveram a coragem de falar errado como toda gente, sem dicionário, sem gramáticas, sem manual de retórica. Ouviram gritos, palavrões e meteram tudo nos livros que escreveram.

RAMOS, Graciliano. Linhas tortas. 8.ª ed. São Paulo: Record, 1980, p. 92/3.

O ponto de vista defendido por Graciliano Ramos

LiteraturaPUC-Campinas2017

(...) o romantismo no Brasil não foi apenas um projeto estético, mas também um movimento cultural e político, profundamente ligado ao nacionalismo. Diferente do movimento alemão de finais do século XIX, tão bem descrito por Norbert Elias, o nacionalismo brasileiro, pintado com as cores do lugar, partiu sobretudo das elites cariocas, que, associadas à monarquia, esforçavam-se em chegar a uma emancipação em termos culturais. Os temas eram nacionais, mas a cultura, em vez de popular, era cada vez mais palaciana (...). Atacados de frente por um historiador como Varhagen, que os chamava de “patriotas caboclos”, os indianistas brasileiros ganharam, porém, popularidade e tiveram sucesso nesse contexto na imposição da representação romântica do indígena como símbolo nacional.

(SCHWARCZ, Lilia Moritz.As barbas do imperador. D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 139-140)

O poeta romântico Gonçalves Dias, com seus poemas indianistas,

LiteraturaUFPA2016

O poeta modernista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) aborda, entre outros temas, a experiência existencial do homem da grande cidade, como se verifica em:

LiteraturaUFTM2011

Leia o trecho abaixo da obra Morte e vida Severina, publicado em 1956, do poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999).

(...)

– Essa cova em que estás,

com palmos medida,

é a cota menor

que tiraste em vida.

– é de bom tamanho,

nem largo nem fundo,

é a parte que te cabe

neste latifúndio.

– Não é cova grande.

é cova medida,

é a terra que querias

ver dividida.

(...)

– Viverás, e para sempre

na terra que aqui aforas:

e terás enfim tua roça.

(...)

(www.culturabrasil.pro.br)

O poeta faz referência

LiteraturaUnilus2021

Atente para estes versos de Carlos Drummond de Andrade, compostos ao tempo da II Guerra Mundial, do poema “A noite dissolve os homens”.

A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tampouco os rumores
que outrora me perturbavam.
[...]
Aurora,
entretanto eu te diviso, ainda tímida,
inexperiente das luzes que vais acender
e dos bens que repartirás com todos os homens.

O poeta expressa nesse conjunto de versos a