O poeta da Segunda Geração Romântica que soube utilizar, de forma sensível e surpreendente, os temas e as formas estereotipados do Ultrarromantismo, bem como poetizar figuras e imagens retiradas do cotidiano mais banal foi
Stalingrado…
O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,
e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem
enquanto outros, vingadores, se elevam.
sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado,
senão isto?
Uma criatura que não quer morrer e combate,
contra o céu, a água, o metal a criatura combate,
contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura
combate,
contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura
combate,
e vence.
O poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade homenageia a cidade de Stalingrado, cujo papel decisivo na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi o de
O poeta Augusto dos Anjos absorve como poucos os conflitos de final de século, deixando transparecer, em seus versos, a tensão que não vislumbra perspectivas para a humanidade e a dor de sua posição marginal na sociedade. Assinale a alternativa que apresenta informação INCORRETA a respeito de sua poética.
O poeta alagoano Jorge de Lima foi, ao lado do poeta mineiro Murilo Mendes, responsável por perseguir um projeto literário que tinha como fim “restaurar a poesia em Cristo”. Essa poesia se firmava em cima da orientação cristã da Igreja
Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
Trouxe emigrantes?
Trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram.
Mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
Carlos Drummond de Andrade, Inocentes do Leblon.O poema, presente na coletânea Sentimento do mundo,
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
– Eu faço versos como quem morre.
BANDEIRA, M., A Cinza das Horas, Teresópolis, 1917.
O poema, embora modernista, apresenta características:
Leia o poema de Vinicius de Moraes.
Soneto do maior amor
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Fonte: MORAES, Vinicius de. Antologia poética. 25. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1984. p. 98.
O poema transcrito tematiza o amor, seus dramas e contradições. O autor do texto é considerado modernista, mas, nesses versos, pela presença de antíteses, recupera traços de outro período literário, que é o
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora Pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive.
E, como farei ginástica,
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água.
O poema transcrito acima atesta a aceitação das reivindicações da proposta poética do:
Texto
Retrato
Cecília MeirelesEu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
[155] Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
[160] — Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Os versos acima são de autoria da escritora carioca Cecília Meireles (1901-1964).
O poema traça uma espécie de autorretrato, enfocando principalmente a questão da
O excerto a seguir faz parte do soneto “A um poeta”, escrito por Olavo Bilac, um dos expoentes do Parnasianismo no Brasil.
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua!
Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego
[…]
Fonte: BILAC, Olavo. A um poeta. In: Tarde. Disponível em: <http://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=504>. Acesso em: 20 set. 14.O poema tematiza, de modo central, algumas características da estética parnasiana, quais sejam: