TEXTO
Soneto de Fidelidade
Vinicius de MoraesDe tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
O poema Soneto de Fidelidade (TEXTO)
TEXTO:
Uma lua no céu apareceu
Cheia e branca; foi quando, emocionada
A mulher a meu lado estremeceu
E se entregou sem que eu dissesse nada.
Larguei-as pela jovem madrugada
Ambas cheias e brancas e sem véu
Perdida uma, a outra abandonada
Uma nua na terra, outra no céu.
Mas não partira delas; a mais louca
Apaixonou-me o pensamento; dei-o
Feliz — eu de amor pouco e vida pouca
Mas que tinha deixado em meu enleio
Um sorriso de carne em sua boca
Uma gota de leite no seu seio.
MORAES, Vinicius de. Soneto de despedida. Antologia poética.16.ed. Rio de Janeiro: José Olympio,1978. p. 91.O poeta Vinicius de Moraes focaliza, na sua obra, não só temas ligados ao místico e ao transcendental, como também aqueles relacionados com as questões sociais e as do amor.
O poema Soneto de Despedida expressa
Sou Imigrante
Quem dera que não houvesse fronteiras!
Quem dera que não houvesse leis
Leis essas que nos prendem, separam,
Hostilizam, injuriam e abalam!
Oh, se não houvesse fronteiras
Divisões geográficas
E que todos os homens fossem só homens!
Sem distinção de cores, raças, nacionalidades!
Que culpa tenho eu em ser preto ou branco?
Cristão ou muçulmano, hindu ou budista?
Judeu ou samaritano?
Se talvez as raças negra ou branca não existissem!
Na verdade, não existem
O que apenas existe é…
Raça humana!
Sou imigrante, emigrante, migrante
Resistente, com força pra viver, almejando viver
Sou resistível como um leão da África
Tenho garras de um falcão do mato
Sou persistente como a onda movível
Porém, me respeitem!
Só quero viver a vida…
Porque a terra é nossa, de todos nós
Feita por Deus e entregue a todos os homens
Não importa se aqui ou lá!
Moisés Antônio
Fonte: www.google.com/search?q=imigrante&ie
O poema retrata o sentimento:
Leia o poema a seguir para responder à questão
Futebol
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
— afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
O poema pertence ao
Oferta
Quem sabe
Se algum dia
Traria
O elevador
Até aqui
O teu amor
ANDRADE, Oswald de. Obras Completas de Oswald de Andrade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978, p. 33.
O poema Oferta, de Oswald de Andrade, apresenta em sua estrutura e temática uma relação evidente com um aspecto da modernização da sociedade brasileira. Trata-se da
O “adeus” de Teresa
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala...
E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”
[...]
Passaram-se tempos... séc’los de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo*...
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse – “Voltarei!... descansa!...”
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”
Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!... Ela me olhou branca... surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...
E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”
(Castro Alves. Espumas flutuantes, 1997.)O poema manifesta uma concepção de mulher
Raiva o incêndio. A ruir, soltas, desconjuntadas,
As mulheres de pedra, o espaço adormecido
De eco em eco acordando ao medonho estampido,
Como a um sopro fatal, rolam esfaceladas.
E os templos, os museus; o Capitólio erguido
Em mármor frígio, o Foro, as eretas arcadas
Dos aquedutos, tudo as garras inflamadas
Do incêndio cingem, tudo esbroa-se partido.
Longe, reverberando o clarão purpurino,
Arde em chamas o Tibre e acende-se o horizonte...
— Impassível, porém, no alto do Palatino,
Nero, com o manto grego ondeando ao ombro, assoma
Entre os libertos, e ébrio, engrinaldada a fronte,
Lira em punho, celebra a destruição de Roma.
BILAC, Olavo. O incêndio de Roma. Olavo Bilac: Obra reunida. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 100.Segundo Alexei Bueno “Para os nossos parnasianos, o historicismo servia de meio para compor um quadro, belo em si próprio [...]”
O poema ilustra tal afirmativa, pois
Leia os trechos apresentados a seguir.
As tribos vizinhas, sem força, sem brio, As armas quebrando, lançando-as ao rio, O incenso aspiraram dos seus maracás: Medrosos das guerras que os fortes acendem, Custosos tributos ignavos lá rendem, Aos duros guerreiros sujeitos na paz.
No centro da taba se estende um terreiro, Onde ora se aduna o concílio guerreiro Da tribo senhora, das tribos servis: Os velhos sentados praticam d'outrora, E os moços inquietos, que a festa enamora, Derramam-se em torno de um índio infeliz.
[…]
Acerva-se a lenha da vasta fogueira, Entesa-se a corda da embira ligeira, Adorna-se a maça com penas gentis: A custo, entre as vagas do povo da aldeia Caminha o Timbira, que a turba rodeia, Garboso nas plumas de vário matiz.
DIAS, Gonçalves. I - Juca Pirama. Porto Alegre: LP&M Pocket, 2007. p. 11-12.Glossário:
maracás: chocalho usado pelos indígenas em solenidades
ignavo: fraco, covarde
adunar: reunir
embira: cipó usado para amarração
maça: bastão ou porrete com que se sacrifica o prisioneiro
garboso: elegante, distinto
O poema I – Juca Pirama se destaca por representar umpainel da cultura indígena. Nos versos transcritos, o elemento desse painel que se evidencia é:
Leia o poema de Ferreira Gullar, publicado em 1963, para responder à questão
Homem comum
Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico
e pode
subitamente
cessar.
Sou como você
feito de coisas lembradas
e esquecidas
rostos e
mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons,
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei
bocas bandeiras bananeiras
tudo
misturado
essa lenha perfumada
que se acende
e me faz caminhar
Sou um homem comum
brasileiro, maior, casado, reservista,
e não vejo na vida, amigo,
nenhum sentido, senão
lutarmos juntos por um mundo melhor.
Poeta fui de rápido destino.
Mas a poesia é rara e não comove
nem move o pau-de-arara.
Quero, por isso, falar com você,
de homem para homem,
apoiar-me em você
oferecer-lhe o meu braço
que o tempo é pouco
e o latifúndio está aí, matando.
Que o tempo é pouco
e aí estão o Chase Bank,
a IT & T, a Bond and Share,
a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,
e sabe-se lá quantos outros
braços do polvo a nos sugar a vida
e a bolsa
Homem comum, igual
a você,
cruzo a Avenida sob a pressão do imperialismo.
A sombra do latifúndio
mancha a paisagem,
turva as águas do mar
e a infância nos volta
à boca, amarga,
suja de lama e de fome.
Mas somos muitos milhões de homens
comuns
e podemos formar uma muralha
com nossos corpos de sonho e margaridas.
O poema Homem comum foi escrito em 1963. Levando em consideração o contexto histórico, a estética vigente e experiência pessoal do poeta, assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE a visão de mundo de Ferreira Gullar registrada no poema.
Observe o texto abaixo, intitulado “A maior Tortura”, epigrafado a um grande poeta de Portugal.
Na vida, para mim, não há deleite.
Ando a chorar convulsa noite e dia...
E não tenho uma sombra fugidia
Onde poise a cabeça, onde me deite!
E nem flor de lilás tenho que enfeite
A minha atroz, imensa nostalgia!...
A minha pobre Mãe tão branca e fria
Deume a beber a Mágoa no seu leite!
Poeta, eu sou um cardo desprezado,
A urze que se pisa sob os pés.
Sou, como tu, um riso desgraçado!
Mas a minha tortura inda é maior:
Não ser poeta assim como tu és
Para gritar num verso a minha Dor...
O poema faz parte da obra de uma poetiza que ficou conhecida por sua produção ser permeada por feminilidade e erotismo, temas que renderam à poeta a alcunha de uma das primeiras feministas de Portugal. A solidão, o desencanto, o sofrimento e a busca incessante pela felicidade foram temas recorrentes na sua obra. O texto pertence a: