AprendiAprendi
LiteraturaUESB2014

TEXTO:

Ó meu coração, torna para trás.

Onde vais a correr desatinado?

Meus olhos incendidos que o pecado

Queimou! Volvei, longas noites de paz.

Vergam da neve os olmos dos caminhos.

A cinza arrefeceu sobre o brasido.

Noites da serra, o casebre transido...

Cismai, meus olhos, como uns velhinhos.

Extintas primaveras, evocai-as.

Já vai florir o pomar das maceiras.

Hemos de enfeitar os chapéus de maias.

Sossegai, esfriai, olhos febris...

Hemos de ir a cantar nas derradeiras

Ladainhas... Doces vozes senis.

PESSANHA, Camilo. Paisagens de Inverno Clepsidra. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009. p. 65.

O poema expressa

LiteraturaUnichristus2019

Texto para a questão.


A MONTANHA PULVERIZADA


Chego à sacada e vejo a minha serra,
a serra de meu pai e meu avô,
de todos os Andrades que passaram
e passarão, a serra que não passa.


Era coisa dos índios e a tomamos
para enfeitar e presidir a vida
neste vale soturno onde a riqueza
maior é sua vista e contemplá-la.


De longe nos revela o perfil grave.
A cada volta de caminho aponta
uma forma de ser, em ferro, eterna,
e sopra eternidade na fluência.


Esta manhã acordo e
não a encontro.
Britada em bilhões de lascas
deslizando em correia transportadora
entupindo 150 vagões
no trem-monstro de 5 locomotivas
— o trem maior do mundo, tomem nota —
foge minha serra, vai
deixando no meu corpo e na paisagem
mísero pó de ferro, e este não passa.

Carlos Drummond de Andrade.
De Menino Antigo (Boitempo-II), 1973.

O poema evidencia que a técnica industrial, capaz de pulverizar uma serra para transportar seus minérios de um lugar para outro, transforma

LiteraturaUEMA2020

O Último Poema encerra o livro Libertinagem, de Manuel Bandeira.

O Último Poema

Assim eu quereria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

BANDEIRA, M. Libertinagem. 2 ed. São Paulo: Global, 2013.

O poema estabelece pelo título e pela posição que ocupa um valor metapoético, uma vez que o eu lírico

LiteraturaUNIFAE2015

José

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?

[...]

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, pra onde?

(Carlos Drummond de Andrade. José, 2012.)

O poema está estruturado em versos de

LiteraturaUNCISAL2014

O poema épico é um dos mais antigos dos gêneros literários. Foi largamente elaborado na Antiguidade greco-latina, tendo sido também produzido em momentos posteriores, a partir do modelo dos poemas homéricos, a Ilíada e a Odisseia, e do poema épico latino A Eneida, de Virgílio. Esse gênero tem como principal objetivo exaltar os feitos dos heróis de um povo, preservando a sua memória e revela que

LiteraturaFACISB2015

Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade para responder a questão.

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da

[janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens

[presentes,

a vida presente.

(Reunião, 1976.)

O poema é um

LiteraturaUNIVAG2021

Leia o poema de Rubem Braga para responder à questão.


E quando nós saímos era a Lua,
Era o vento caído e o mar sereno
Azul e cinza azul anoitecendo
A tarde ruiva das amendoeiras.


E respiramos, livres das ardências
Do sol, que nos levara à sombra cauta
Tangidos pelo canto das cigarras
Dentro e fora de nós exasperadas.


Andamos em silêncio pela praia.
Nos corpos leves e levados ia
O sentimento do prazer cumprido.


Se mágoa me ficou na despedida,
Não fez mal que ficasse, nem doesse −
Era bem doce, perto das antigas.

(Livro de versos, 1998.)

O poema descreve um rompimento que

LiteraturaENEM2016

Descobrimento

Abancado à escrivaninha em São Paulo

Na minha casa da rua Lopes Chaves

De sopetão senti um friúme por dentro.

Fiquei trêmulo, muito comovido

Com o livro palerma olhando pra mim.

Não vê que me lembrei que lá no norte, meu Deus! Muito longe de mim,

Na escuridão ativa da noite que caiu,

Um homem pálido, magro de cabelos escorrendo nos olhos

Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,

Faz pouco se deitou, está dormindo.

Esse homem é brasileiro que nem eu...

ANDRADE, M. Poesias completas. São Paulo: Edusp, 1987.

O poema Descobrimento, de Mário de Andrade, marca a postura nacionalista manifestada pelos escritores modernistas. Recuperando o fato histórico do “descobrimento”, a construção poética problematiza a representação nacional a fim de

LiteraturaCESMAC2015

TEXTO

(...) Nesta hora de sol puro eu ouço o Brasil.
Todas as tuas conversas, pátria morena, correm pelo ar...
A conversa dos fazendeiros nos cafezais,
a conversa dos mineiros nas galerias de ouro,
a conversa dos operários nos fornos de aço,
a conversa dos garimpeiros peneirando as bateias,
a conversa dos coronéis nas varandas das roças...

Mas o que eu ouço, antes de tudo,
nesta hora de sol puro
palmas paradas
pedras polidas
claridades
brilhos
faíscas
cintilações
é o canto dos teus berços, Brasil, de todos esses teus
berços onde dorme, com
a boca escorrendo leite, moreno, confiante,
o homem de amanhã!
(Ronald de Carvalho. Toda a América.)

O poema de Ronald de Carvalho: 1) explora a ideia e um sentimento de comunhão e de ampla interação. 2) se fixa em coisas e aspectos do momento presente, afastando perspectivas futuras e menos imediatas. 3) repete a palavra ‘conversa’ nos primeiros versos com uma função claramente reiterativa e enfática. 4) usa o conectivo ‘mas’, o qual, além de ligar os dois segmentos maiores do poema, estabelece uma espécie de restrição. Estão corretas:

LiteraturaFBD2017

O poema de Paulo Leminski traz um jogo de palavra com as expressões “ALGUMA LUA” e “LUA ALGUMA”, sendo que a mudança de posição do termo “ALGUMA”, no último verso, produz, como efeito de sentido, a alteração da ideia de uma lua