O narrador da obra Dois Irmãos, de Milton Hatoum é:
Mas, com a breca! quem me explicará a razão desta
diferença? Um dia vimo-nos, tratamos o casamento,
desfizemo-lo e separamo-nos, a frio, sem dor, porque não
houvera paixão nenhuma; mordeu-me apenas algum
despeito e nada mais. Correm anos, torno a vê-la, damos
três ou quatro giros de valsa, e eis-nos a amar um ao outro
com delírio. A beleza de Virgília chegara, é certo, a um alto
grau de apuro, mas nós éramos substancialmente os
mesmos, e eu, à minha parte, não me tornara mais bonito
nem mais elegante. Quem me explicará a razão dessa
diferença?
A razão não podia ser outra senão o momento oportuno.
ASSIS, Machado de. O momento oportuno. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 1997. p. 86. (Série Bom Livro).O narrador Brás Cubas considera o “momento oportuno” para a relação amorosa com Virgília porque
Do amor à pátria
São doces os caminhos que levam de volta à pátria. Não à pátria amada de verdes mares bravios, a mirar em berço esplêndido o esplendor do Cruzeiro do Sul; mas a uma outra mais íntima, pacífica e habitual — uma cujaterra se comeu em criança, uma onde se foi menino ansioso por crescer, uma onde se cresceu em sofrimentos e esperanças plantando canções, amores e filhos ao sabor das estações.
MORAES, V. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1987.O nacionalismo constitui tema recorrente na literatura romântica e na modernista. No trecho, a representação da pátria ganha contornos peculiares porque
19 de abril [1888]
Lá se foi o barão com a alforria dos escravos na mala. Venha,que é tempo. Ainda me lembro que lia na Europa, a nosso respeito, por ocasião da famosa proclamação de Lincoln. Mais de um jornal fez alusão nominal ao Brasil, dizendo que restava agora que um povo cristão e último imitasse aquele e acabasse também com seus escravos. Espero que hoje nos louvem. Ainda que tardiamente, é a liberdade, como queriam a sua os conjurados de Tiradentes.
7 de maio [1888]
O ministério apresentou hoje à Câmara o projeto de abolição. É a abolição pura e simples. Dizem que em poucos dias será lei.
13 de maio [1888]
Enfim, lei. (...) confesso que senti grande prazer quando soube da votação final do Senado e da sanção da Regente. Estava na Rua do Ouvidor, onde a agitação era grande e a alegria geral.
(Machado de Assis. Memorial de Aires. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Obra completa, v. I, 1986, p. 1117-18)O movimento que tornou a abolição um fato inevitável e contribuiu para que a Lei, referida no texto de Machado de Assis, fosse aprovada em 1888,
Leia o trecho do livro Hilda Furacão, que se segue.
Nas marchas a favor da Cidade das Camélias, Dona Loló Ventura e as mal-amadas, como eram conhecidas as militantes do Clube da Lanterna, devotas de Carlos Lacerda (...) carregavam estranhos cartazes que diziam: “Go home, Hilda Furacão!” ou: “Deixe nossos maridos em paz, Hilda Furacão!”
DRUMMOND, Roberto. Hilda Furacão. 18ª Ed. São Paulo: Editorial. 2008. p. 40.O movimento em favor da criação da Cidade das Camélias era encabeçado por Dona Loló, que erasimpatizante do Clube da Lanterna, associação ligada ao partido
O movimento da produção artística conhecido como Modernismo – que teve, no Brasil, expressiva aceitação também na pintura – deixou na literatura um grande e significativo legado. Entre poetas, romancistas, cronistas, contistas foram muitos os que procuraram:
O movimento artístico-literário que mobilizou parcela significativa da intelectualidade brasileira, durante a década de 1920, surgiu da rejeição ao chamado colonialismo mental e pregava o rompimento com os padrões europeus de criação. Com isso, pode-se afirmar que tinha como proposta
Tendência libertária, esse movimento reinventou quase tudo: conferiu dignidade às coisas mais triviais, prestigiou as formas simples, a vida do presente. Definiu a importância das culturas nacionais e mudou totalmente a noção do que era ser artista: até então, artista era um sujeito hábil em repetir determinados padrões já assentados na tradição; a partir desse movimento, artista é o que inventa, o que cria aquilo que não existia. Antes, literatura e outras modalidades artísticas se ocuparam ou da tradição clássica ou das coisas envolvidas na tradição cristã; depois, esses temas perderam quase totalmente o prestígio.
(Luís Augusto Fischer. Literatura brasileira: modos de usar, 2013. Adaptado.)O movimento a que se refere o texto é o
Se, na Europa, este movimento é um protesto cultural, se o “mal do século”, a saudade do paraíso perdido são as consequências da industrialização e da ascensão da burguesia; no Brasil, onde a sociedade do Império compreende apenas grandes proprietários escravocratas e uma burguesia nascente, o movimento, produto de importação, corresponde a uma afirmação nacionalista.
(Paul Teyssier. Dicionário de literatura brasileira, 2003. Adaptado.)O movimento a que o texto se refere é o
O morfema { – a } é vogal temática em: