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LiteraturaUNIPE2016

TEXTO:

— Mas que Humanitas é esse? — Humanitas é o
princípio. Há nas coisas todas certa substância recôndita
e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum,
indivisível e indestrutível, — ou, para usar a linguagem
[5] do grande Camões: “Uma verdade que nas coisas anda,
que mora no visíbil e invisíbil”. Pois essa substância ou
verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas.
Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo
é o homem. Vais entendendo? — Pouco; mas, ainda
[10] assim, como é que a morte de sua avó... — Não há

morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão
de duas formas, pode determinar a supressão de uma
delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque
a supressão de uma é a condição da sobrevivência da
[15] outra, e a destruição não atinge o princípio universal e
comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra.
Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas.
As batatas apenas chegam para alimentar uma das
tribos, que assim adquire forças para transpor a
[20] montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em
abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz
as batatas do campo, não chegam a nutrir-se
suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse
caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma
[25] das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí
a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas
públicas e todos demais efeitos das ações bélicas. Se
a guerra não fosse isso, tais demonstrações não
chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem
[30] só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso,
e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza
uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio
ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Quincas Borba. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997. p. 648-649.)

No fragmento apresentado, Quincas Borba explica a base de sua teoria humanitista, finalizando com a máxima “ao vencedor, as batatas”.

O personagem apresenta, em seu discurso, uma concepção

LiteraturaFPS2017

Texto

Evocação do Recife

Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritssatd dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois ─
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
(...)
Foi há muito tempo...

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada

Manoel Bandeira. Evocação do Recife. (Excerto) In: Libertinagem. Estrela da vida inteira. 20. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p.133-136.

O pernambucano Manoel Bandeira é um dos mais representativos poetas brasileiros quando se trata de mostrar os princípios e temas defendidos pelo Modernismo. Em “Evocação do Recife”, constata-se o seguinte tema ou princípio modernista:

LiteraturaUVA2020

Da leitura de 'lracema', de José de Alencar, responda a questão.

O pai de Iracema era:

LiteraturaUNIPAM2019

Os três primeiros termos de uma progressão geométrica são (x - 4, x - 1, x + 5).

O oitavo termo dessa sequência de números é

LiteraturaENEM2010

Soneto

Já da morte o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!

Do leito embalde no macio encosto
Tento o sono reter!... já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.

Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!

AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000.

O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é

LiteraturaAlbert Einstein2021

O Classicismo considerava o poeta como servidor da obra, elaborada segundo regras eternas e destinada a certos fins de ordem moral e catártica. Este novo movimento tende a se importar mais com a autoexpressão da subjetividade do poeta. A verdade poética não é mais obtida pela “imitação da natureza” e sim pela “sinceridade” e “autenticidade” da autoexpressão. A obra, antes válida enquanto objeto perfeito, vale agora sobretudo enquanto revelação da verdade íntima do criador. A “perfeição” é nociva na medida em que suprime a sinceridade e a espontaneidade.

(Anatol Rosenfeld. Texto/Contexto I, 1996. Adaptado.)

O novo movimento a que o texto se refere é o

LiteraturaFMABC2010

O Naturalismo, sem abandonar a linguagem culta, destaca o lado animal do ser humano, que se digladia com as adversidades da realidade. Assinale a alternativa que apresenta um trecho extraído do romance O Cortiço, do escritor naturalista Aluísio Azevedo, e que comprova essa afirmação.

LiteraturaUEFS2010

TEXTO:

Eugênia desataviou-se nesse dia por minha causa. Creio que foi por minha causa, — se é que não andava muita vez assim. Nem as bichas de ouro, que trazia na véspera, lhe pendiam agora das orelhas, duas orelhas finamente recortadas numa cabeça de ninfa. Um simples vestido branco, de cassa, sem enfeites, tendo ao colo, em vez de broche, um botão de madrepérola, e outro botão nos punhos, fechando as mangas, e nem sombra de pulseira.

Era isso no corpo, não era outra coisa no espírito.

ASSIS, Machado de. Coxa de nascença. In: Memórias Póstumas de Brás Cubas. 18. ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 64. (Série Bom Livro).

O narrador, no último período do texto, sintetiza e ressalta, como traço característico de Eugênia, a

LiteraturaUEFS2010

TEXTO:

Eugênia desataviou-se nesse dia por minha causa. Creio que foi por minha causa, — se é que não andava muita vez assim. Nem as bichas de ouro, que trazia na véspera, lhe pendiam agora das orelhas, duas orelhas finamente recortadas numa cabeça de ninfa. Um simples vestido branco, de cassa, sem enfeites, tendo ao colo, em vez de broche, um botão de madrepérola, e outro botão nos punhos, fechando as mangas, e nem sombra de pulseira.

Era isso no corpo, não era outra coisa no espírito.

ASSIS, Machado de. Coxa de nascença. In: Memórias Póstumas de Brás Cubas. 18. ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 64. (Série Bom Livro).

O narrador, ao avaliar a atitude de Eugênia, mostra-se

LiteraturaFACISB2016

Leia o trecho do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, para responder à questão.

Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem…
E caem! – Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar… Heis de cair.
(Memórias póstumas de Brás Cubas, 2008. Adaptado.)

O narrador do romance