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LiteraturaEsPCEx2012

Leia o trecho abaixo:

“Não tenho uma palavra a dizer. Por que não me calo, então? Mas se eu não forçar a palavra a mudez me engolfará para sempre em ondas. A palavra e a forma serão a tábua onde boiarei sobre vagalhões de mudez.”

O fragmento, extraído da obra de Clarice Lispector, apresenta

LiteraturaUEG2013

Caiu antes de alcançar essa cova arredada. Tentou erguer-se, endireitou a cabeça e estirou as pernas dianteiras, mas o resto do corpo ficou deitado de banda. Nesta posição torcida, mexeu-se a custo, ralando as patas, cravando as unhas no chão, agarrando-se nos seixos miúdos. Afinal, esmoreceu e aquietou-se junto às pedras onde os meninos jogavam cobras mortas. [...]

Uma noite de inverno, gelada e nevoenta, cercava a criaturinha. Silêncio completo, nenhum sinal de vida nos arredores. O galo velho não cantava no poleiro, nem Fabiano roncava na cama de varas. Estes sons não interessavam Baleia, mas quando o galo batia as asas e Fabiano se virava, emanações familiares revelavam-lhe a presença deles. Agora parecia que a fazenda se tinha despovoado.

RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 91. ed. Rio de Janeiro: Record, 2003. p. 90.

O fragmento, “noite de inverno, gelada e nevoenta” (linha 5),

LiteraturaFDV2014

Leia e responda:

“Estou cansado de viver na Paulicéia

Ela pirou e eu quero tirar umas férias

Não sei se vou pra praia ou se vou pro campo

Só quero mesmo é transar o meu canto

Um lugar bem sossegado

Que dê pra mim [sic] viver

Que é aonde eu também

Possa levar você [...]”

(Disponível em: <http://www.kboing.com.br/made-in-brazil/1- 1061283/>. Acesso em 03 set. 2013)

O fragmento transcrito faz parte da letra da música “Paulicéia desvairada”, do grupo MPB Brazil, que tem o mesmo título do livro de 1922, de Mário de Andrade, nosso primeiro livro modernista de poemas. A letra de música traz uma visão da cidade diferente da que os modernistas apresentavam. Essa visão da cidade expressa na letra citada identifica-se com uma característica da estética literária do:

LiteraturaUFPR2012

“A duzentos anos de distância, embora ainda velados muitos pormenores desse fantástico enredo, sente-se a imprescindibilidade daqueles encontros, de raças e homens; do nascimento do ouro; da grandeza e decadência das Minas; desses gráficos tão bem traçados de ambição que cresce e da humanidade que declina; a imprescindibilidade das lágrimas e exílios, da humilhação do abandono amargo, da morte afrontosa – a imprescindibilidade das vítimas, para a definitiva execração dos tiranos.” (Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência)

O fragmento transcrito faz parte da conferência “Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência”, proferida por CecíliaMeireles em 1955. Com base na leitura do Romanceiro e nos conhecimentos sobre a literatura do período, assinale a alternativa correta.

LiteraturaCESMAC2016

TEXTO 2

Após a Semana de Arte Moderna, alguns escritores de diferentes regiões do país começaram a produzir obras em prosa que retratavam criticamente a realidade social e política do Brasil. Passaram a tematizar questões como a desigualdade social, a vida miserável e indigna dos retirantes, os costumes escravagistas e o coronelismo, apoiado na posse das terras. Esses problemas muitas vezes eram desconhecidos do público leitor dos centros urbanos da época.

Em 1926, em Recife, essa proposta estética firmou-se em um congresso, no qual escritores nordestinos tomaram a decisão de criar uma prosa regional comprometida com a participação política e a denúncia social.

(Graça Sette, Márcia Travalha; Rosário Starling. Literatura – trilhas e tramas. São Paulo: Leya, 2015, p. 494. Fragmento).

O Fragmento transcrito acima se refere ao movimento que deu origem ao conhecido “Romance de 30” e que teve, entre seus principais representantes:

LiteraturaUEMA2019

A questão têm como texto base fragmento do romance O Mulato, de Aluísio Azevedo. Leia-o para responder à questão

TEXO

Raimundo tinha vinte e seis anos e seria um tipo acabado de brasileiro, se não fossem os grandes olhos azuis, que puxara do pai. Cabelos muito pretos, lustrosos e crespos; tez morena e amulatada, mas fina; dentes claros que reluziam sob a negrura do bigode; estatura alta e elegante; pescoço largo, nariz direito e fronte espaçosa. A parte mais característica de sua fisionomia eram os olhos grandes, ramalhudos, cheios de sombras azuis; pestanas eriçadas e negras, pálpebras de um roxo vaporoso e úmido; as sobrancelhas, muito desenhadas no rosto, como a nanquim, faziam sobressair a frescura da epiderme, que, no lugar da barba raspada, lembrava os tons suaves e transparentes de uma aquarela sobre papel de arroz.

Tinha os gestos bem-educados, sóbrios, despidos de pretensão; falava em voz baixa, distintamente, sem armar ao efeito; vestia-se com seriedade e bom gosto; amava as artes, as ciências, a literatura e, um pouco menos, a política.

Fonte: AZEVEDO, A. O Mulato. São Paulo: Martin Claret, 2010.

Ao longo da narrativa acima, o autor nos brinda com diferentes descrições do protagonista Raimundo.

O fragmento revela uma visão do personagem como

LiteraturaUEFS2015

TEXTO:

A Grécia clássica, a que deu certo e ficou como
berço da civilização ocidental, foi feita por povos? Ou foi
feita por grandes homens? Os veios subterrâneos da
sociedade se expressam por meio dos heróis, tanto nas
[5] artes como na política. Ninguém mais alheio à República
do que o Marechal Deodoro (1827-1892).
Mas o instinto nacional precisou de um alienado
metido a herói que invadisse o quartel-general,
sustentáculo do Império, ordenando: “Abram isso! Abram
[10] isso!”, e depusesse o amigo e imperador.
O verdadeiro herói, o herói de Carlyle (1795-1881),
é um Frankenstein, feito de pedaços.
É preciso juntar vários cadáveres do pensamento

e do ideal humano para formar um Frankenstein
[15] articulado. Mas é ele que na hora exata amedronta a
força contrária, aparece no quartel-general e grita: “Abram
isso!”. Frankenstein colado com pedaços de Benjamim
Constant (1837-1891), de Quintino Bocaiúva (1836-1912),
Joaquim Nabuco (1849-1910) e outros republicanos.
[20] Estou citando Ezra Pound (1885-1972), quando fala
em “punti luminosi”, pontos luminosos. Na massa
amorfa, inerte, de repente alguma coisa brilha, cintila.
É comum na obra de arte, numa sinfonia, num
romance, num quadro, cheio de pontos mortos, de
[25] clichês, surgir inesperadamente aquele brilho que salta,
que se destaca, que interfere na obra inteira e a marca.
O herói é um ponto luminoso que se destaca, é o
jogador que fica parado em campo e, em meio minuto,
arma ou finaliza uma jogada de gênio e decide a partida.
[30] No plano da história, o herói é também inesperado.
Veja o caso da Inconfidência Mineira. Os
Inconfidentes eram intelectuais, padres, poetas, mas o
herói foi mesmo Tiradentes (1746-1792), que aguentou
a barra até o fim. E terminou na forca.

CONNY, Carlos Heitor. Heróis. Folha de S. Paulo. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/carlosheitorcony/2014/09/1513 074-herois.shtml. Acesso em: 5 nov. 2014.

O fragmento que evidencia um conceito metafórico de herói, na perspectiva de Carlos Heitor Cony, está presente em

LiteraturaUEMA2019

A questão têm como texto base fragmento do romance O Mulato, de Aluísio Azevedo. Leia-o para responder à questão

TEXTO

As paredes, barradas de azulejos portugueses e, para o alto, cobertas de papel pintado, mostravam, nos seus desenhos repetidos de assuntos de caça, alguns lugares sem tinta, cujas manchas brancacentas traziam
à ideia joelheiras de calças surradas. Ao lado, dominando a mesa de jantar, aprumava-se um velho armário de jacarandá polido, muito bem tratado, com as vidraças bem limpas, expondo as pratas e as porcelanas de gosto moderno; a um canto dormia, esquecida na sua caixa de pinho envernizado, uma máquina de costura de Wilson, das primeiras que chegaram ao Maranhão; nos intervalos das portas simetrizavam-se quatro estudos de Julien, representando em litografia as estações do ano; defronte do guarda-louça, um relógio de corrente embalava melancolicamente a sua pêndula do tamanho de um prato e apontava para as duas horas. Duas horas da tarde.

Não obstante, ainda permanecia sobre a mesa a louça que servira ao almoço. Uma garrafa branca, com uns restos de vinho de Lisboa cintilava à claridade reverberante que vinha do quintal. De uma gaiola, dependurada entre as janelas desse lado, chilreava um sabiá.

Fonte: AZEVEDO, A. O Mulato. São Paulo: Martin Claret, 2010.

O fragmento ilustra uma característica muito presente na prosa naturalista brasileira, conhecida como

LiteraturaUEMA2021

A alcova estava mobiliada com as famosas redes brancas do Maranhão. Bem no centro havia uma mesa de jacarandá esculpido arranjada com louça branco-encarnada de Breves e cerâmica de Belém, dispostas sobre uma toalha de rendas tecidas com fibra de bananeiras.

Andrade, M. Macunaíma. Porto Alegre: L&PM, 2018

O fragmento exemplifica que, em Macunaíma, de Mário de Andrade, há

LiteraturaUFU2016

Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.

Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso "fosse mesmo" o que eu sentia – e não possivelmente um equívoco de sentimento – que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.

E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.

LISPECTOR, Clarice. Perdoando Deus. Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 41.

O fragmento evidencia as percepções iniciais da personagem narradora. Tais percepções, no desenrolar do conto, são caracterizadas pela