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LiteraturaUNESP2018

De fato, este romance constitui um dos poucos romances cômicos do romantismo nacional, afastando-se dos traços idealizantes que caracterizam boa parte das obras “sérias” dos autores de então. O modo pelo qual este romance pinta a sociedade, representado-a a partir de um ângulo abertamente cômico e satírico, também era relativamente novo nas letras brasileiras do século XIX.

(Mamede Mustafa Jarouche. “Galhofa sem melancolia”, 2003. Adaptado.)

O comentário refere-se ao romance

LiteraturaFCMSCSP2019

O sentimento a ser expresso, geralmente, são as dores de amor do pastor por uma pastora que não corresponde ao seu amor e se mantém inflexível ante os apelos do amante. Este é o tema mais constante dos sonetos e expressa a vida do pastor, dedicada inteiramente ao amor, exaltando ou lamentando sua pastora, sem, em momento algum, lembrar do mundo das necessidades. Nesse universo de pastores e pastoras, que chamamos de locus amoenus, a única preocupação que vale ser vivida é a realização do amor.

(Luiz Roncari. Literatura brasileira, 2002. Adaptado.)

O comentário refere-se ao

LiteraturaFMABC2022

A partir do Modernismo, sobretudo nos anos 1930, os centros de atividade literária e cultural se tornaram mais numerosos e importantes. Esta expansão parece culminar simbolicamente no aparecimento de uma obra onde a dimensão regional perde o caráter contingente, para tornar-se veículo de uma mensagem da mais completa universalidade. O mais impressionante na sua realização é a fragilidade aparente da base, pois o regionalismo é uma tendência cheia de perigos, tanto pela redução de humanidade dos personagens e o pitoresco superficial, quanto pela dificuldade de ajustar a linguagem culta aos torneios populares. Mas este/a autor/a superou os perigos e elaborou a matéria regional com um senso transfigurador, que fez de seus livros maduros experiências de vanguarda dentro de um temário tradicional.

(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)

O comentário refere-se à obra de

LiteraturaUEA2020

Nas conversas, utilizam-se os paulistanos dum linguajar bárbaro e multifário, crasso de feição e impuro na vernaculidade, mas que não deixa de ter o seu sabor e força nas apóstrofes, e também nas formas de brincar. [...] Mas si de tal desprezível língua se utilizam na conversação os naturais desta terra, logo que tomam da pena, se despojam de tanta asperidade, [...] exprimindo-se numa outra linguagem, mui próxima da virgiliana.

(Mário de Andrade. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter, 1989.)

O comentário do herói, em uma carta enviada de São Paulo às suas súditas na Amazônia, expressa uma proposta da estética modernista, a saber:

LiteraturaFAMEMA2019

Recusando as regras, os modelos e as normas, seus autores defendem a total liberdade criadora. Aos gêneros estanques opõem a sua mistura, conforme o livre-arbítrio do escritor; à ordem clássica, a aventura; ao equilíbrio racional, a anarquia, o caos; ao universalismo estético, o individualismo; ao Cosmos, o “eu” particular; o seu ego constitui a única paisagem que lhe interessa, de tal forma que a Natureza se lhe afigura mera projeção do seu mundo interior.

(Massaud Moisés. Dicionário de termos literários, 2004. Adaptado.)

O comentário do crítico Massaud Moisés refere-se aos autores do seguinte movimento literário:

LiteraturaUNESP2016

Os autores deste movimento pregavam a simplicidade, quer nos temas de suas composições, quer como sistema de vida: aplaudindo os que, na Antiguidade e na Renascença, fugiam ao burburinho citadino para se isolar nas vilas, pregavam a “áurea mediocridade”, a dourada mediania existencial, transcorrida sem sobressaltos, sem paixões ou desejos. Regressar à Natureza, fundir-se nela, contemplar-lhe a quietude permanente, buscar as verdades que lhe são imanentes – em suma, perseguir a naturalidade como filosofia de vida.

(Massaud Moisés. Dicionário de termos literários, 2004. Adaptado.)

O comentário do crítico Massaud Moisés refere-se ao seguinte movimento literário:

LiteraturaUNIFESP2016

O que primeiro chama a atenção do crítico na ficção deste escritor é a despreocupação com as modas dominantes e o aparente arcaísmo da técnica. Num momento em que Gustave Flaubert sistematizara a teoria do “romance que narra a si próprio”, apagando o narrador atrás da objetividade da narrativa; num momento em que Émile Zola preconizava o inventário maciço da realidade, observada nos menores detalhes, ele cultivou livremente o elíptico, o incompleto, o fragmentário, intervindo na narrativa com bisbilhotice saborosa.

A sua técnica consiste essencialmente em sugerir as coisas mais tremendas da maneira mais cândida (como os ironistas do século XVIII); ou em estabelecer um contraste entre a normalidade social dos fatos e a sua anormalidade essencial; ou em sugerir, sob aparência do contrário, que o ato excepcional é normal, e anormal seria o ato corriqueiro. Aí está o motivo da sua modernidade, apesar do seu arcaísmo de superfície.

(Antonio Candido. Vários escritos, 2004. Adaptado.)

O comentário do crítico Antonio Candido refere-se ao escritor

LiteraturaUNESP2016

Ultrapassando o nível modesto dos predecessores e demonstrando capacidade narrativa bem mais definida, a obra romanesca deste autor é bastante ambiciosa. A partir de certa altura, este autor pretendeu abranger com ela, sistematicamente, os diversos aspectos do país no tempo e no espaço, por meio de narrativas sobre os costumes urbanos, sobre as regiões, sobre o índio. Para pôr em prática esse projeto, quis forjar um estilo novo, adequado aos temas e baseado numa linguagem que, sem perder a correção gramatical, se aproximasse da maneira brasileira de falar. Ao fazer isso, estava tocando o nó do problema (caro aos românticos) da independência estética em relação a Portugal. Com efeito, caberia aos escritores não apenas focalizar a realidade brasileira, privilegiando as diferenças patentes na natureza e na população, mas elaborar a expressão que correspondesse à diferenciação linguística que nos ia distinguindo cada vez mais dos portugueses, numa grande aventura dentro da mesma língua.

(Antonio Candido. O romantismo no Brasil, 2002. Adaptado.)

O comentário do crítico Antonio Candido refere-se ao escritor

LiteraturaUEA2017

Quanto à linguagem, tais escritores apegaram-se ao rigor gramatical e restauraram muito da dicção dos clássicos, fazendo deste modo um retorno à tradição. O mito da pureza da língua, do casticismo vernacular abonado pela autoridade dos autores clássicos, empolgou toda essa fase da cultura brasileira e foi um critério de excelência. É possível mesmo perguntar se a visão luxuosa desses escritores, a sua descrição de vasos de porcelana, salas de mármore, metais preciosos, joias, tecidos raros não representava para as classes dominantes uma espécie de correlativo da prosperidade material, e, para o comum dos leitores, uma miragem compensadora que dava conforto.

(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)

O comentário do crítico Antonio Candido aplica-se aos escritores do movimento

LiteraturaUNESP2018

Esse movimento descobriu algo que ainda não havia sido conhecido ou enfatizado antes: a “poesia pura”, a poesia que surge do espírito irracional, não conceitual da linguagem, oposto a toda interpretação lógica. Assim, a poesia nada mais é do que a expressão daquelas relações e correspondências, que a linguagem, abandonada a si mesma, cria entre o concreto e o abstrato, o material e o ideal, e entre as diferentes esferas dos sentidos.

Sendo a vida misteriosa e inexplicável, como pensavam os adeptos desse movimento, era natural que fosse representada de maneira imprecisa, vaga, nebulosa, ilógica e ininteligível.

(Afrânio Coutinho. Introdução à literatura no Brasil, 1976. Adaptado.)

O comentário do crítico Afrânio Coutinho refere-se ao movimento literário denominado