Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler, entre outros, sonharamcom a pan-Europa que, com a inclusão de mais dez países, se tornou uma realidade irreversível. Os antecedentes da União Europeia são assim, alguns mais respeitáveis do que outros. Durante muito tempo depois da tentativa de Carlos Magno de substituir o império romano pelo seu, uma identidade europeia se definia mais pelo que não era do que pelo que era: cristã e não muçulmana, civilizada em vez de bárbara (e, portanto, com o direito de subjugar e europeizar os bárbaros − isto é, o resto do mundo).
(Luis Fernando Verissimo. O mundo é bárbaro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008)Num processo de colonização, o colonizador vê o nativo como um elemento a ser não apenas fisicamente dominado, mas também como alguém a quem deve impor ideias e convicções. Exemplo disso ocorreu, entre nós, com
Num dos mais importantes poemas da literatura brasileira, Augusto dos Anjos narra o drama de um homem solitário, com intenções suicidas, que caminha durante a noite sobre a Ponte Buarque de Macedo (Recife) em direção a uma funerária, e sofre um surto esquizofrênico durante o qual uma “voz” zomba de todas as crenças dele. Comparado por muitos críticos com “A Máquina do Mundo” (de Carlos Drummond de Andrade) e com “O Aleph” (de Jorge Luís Borges), o poema em questão é:
Em 2008, homenageou-se o centenário de morte de Machado de Assis. Do autor, o livroMemórias póstumas de Brás Cubas, publicado em forma de fragmentos por volta de 1880, apresenta características estilísticas específicas. Leia o trecho a seguir e marque a alternativa correta.
“Ao fundo, por trás do balcão, estava sentada uma mulher, cujo rosto amarelo e bexiguento não se destacava logo, à primeira vista; mas logo que se destacava era um espetáculo curioso. Não podia ter sido feia; ao contrário, via-se que fora bonita, e não pouco bonita; mas a doença e a velhice precoce destruíam-lhe a flor das graças. As bexigas tinham sido terríveis; os sinais, grandes e muitos, faziam saliências e encarnas, declives e aclives, e davam uma sensação de lixa grossa. Eram os olhos a melhor parte do vulto, e aliás tinham uma expressão singular e repugnante, que mudou, entretanto, logo que eu comecei a falar. Quanto ao cabelo, estava ruço e quase tão poento como os portais da loja.
Num dos dedos da mão esquerda lhe fulgiam-lhe um diamante”.
Num de seus romances mais conhecidos, o escritor moçambicano Mia Couto relata a história de Marianinho, que retorna ao seu local de origem para assistir aos funerais do avô, Dito Mariano. Esse romance se intitula:
Se há muito riso quando um partido sobe, também há muita lágrima do outro que desce, e do riso e da lágrima se faz o primeiro dia da situação, como no Gênesis. [...] Os liberais foram chamados ao poder, que os conservadores tiveram de deixar. Não é mister dizer que o abatimento de Batista era enorme.
Batista passeava, as mãos nas costas, os olhos no chão, suspirando, sem prever o tempo em que os conservadores tornariam ao poder. Os liberais estavam fortes e resolutos. D. Cláudia levantou-se da cadeira, rápida, e disparou esta pergunta ao marido:
− Mas, Batista, você o que é que espera mais dos conservadores?
Batista parou com um ar digno e respondeu com simplicidade:
− Espero que subam.
(Adaptado de Machado de Assis. Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Nova Aguillar, v.I. p. 1003)Num conto intitulado “Um homem célebre”, o protagonista é um frustrado compositor de música popular, que desejaria ser um Beethoven ou Mozart. Várias de suas polcas levam títulos que constituem referências ao sobe e desce dos partidos políticos. Com isso, o narrador machadiano sugere que o compositor e o político da época têm em comum:
Se há muito riso quando um partido sobe, também há muita lágrima do outro que desce, e do riso e da lágrima se faz o primeiro dia da situação, como no Gênesis. [...] Os liberais foram chamados ao poder, que os conservadores tiveram de deixar. Não é mister dizer que o abatimento de Batista era enorme.
Batista passeava, as mãos nas costas, os olhos no chão, suspirando, sem prever o tempo em que os conservadores tornariam ao poder. Os liberais estavam fortes e resolutos. D. Cláudia levantou-se da cadeira, rápida, e disparou esta pergunta ao marido:
− Mas, Batista, você o que é que espera mais dos conservadores?
Batista parou com um ar digno e respondeu com simplicidade:
− Espero que subam.
(Adaptado de Machado de Assis. Esaú e Jacó. Rio de Janeiro: Nova Aguillar, v.I. p. 1003)Nota-se, já no primeiro parágrafo do texto, que o narrador de Machado de Assis não hesita em
Texto para a questão.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro,
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro.
A fuga da realidade opressora foi uma atitude constante no Romantismo, e vários foram os recursos escapistas.
Nota-se claramente, nesse fragmento, o escapismo na morte, pois morrer
É noite! Treme a lâmpada medrosa
Velando a longa noite do poeta...
Além, sob as cortinas transparentes
Ela dorme... formosa Julieta!
Entram pela janela quase aberta
Da meia-noite os preguiçosos ventos
E a lua beija o seio alvinitente
- Flor que abrira das noites aos relentos.
O Poeta trabalha!... A fronte pálida
Guarda talvez fatídica tristeza...
Que importa? A inspiração lhe acende o verso
Tendo por musa - o amor e a natureza!
E como o cáctus desabrocha a medo
Das noites tropicais na mansa calma,
A estrofe entreabre a pétala mimosa
Perfumada da essência de sua alma.
No entanto Ela desperta... num sorriso
Ensaia um beijo que perfuma a brisa... ...
A Casta-diva apaga-se nos montes...
Luar de amor! Acorda-te, Adalgisa!
(Castro Alves, “Aves da arribação”. In: Espumas Flutuantes)Nos versos, o eu lírico apresenta,
Observe os versos do poema “Profissão de Fé”, para responder à questão.
Torce, aprimora, alteia, lima,
A frase, e enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.
Nos versos, descrevem-se as atitudes a que se deve dedicar um poeta
O aparecimento de Cecília Meireles na literatura brasileira coincide com a eclosão do movimento modernista. Cecília participa do grupo cujo pensamento é veiculado na Revista Festa, defendendo uma renovação de nossa arte através do pensamento filosófico, do uso de elementos tradicionais e universais.
Retrato em luar
Meus olhos ficam neste parque,
minhas mãos no musgo dos muros,
para o que um dia vier buscar-me,
entre pensamentos futuros.
Não quero pronunciar teu nome,
que a voz é o apelido do vento
e os graus da esfera me consomem
toda, no mais simples momento.
São mais duráveis a hera, as malvas,
que a minha face deste instante.
Mas posso deixá-la em palavras,
gravada num tempo constante.
(Cecília Meirelles)Nos versos em foco,