Das narrativas contidas no livro Sagarana, de Guimarães Rosa, o conto “A Hora e a vez de Augusto Matraga” revela as raízes culturais brasileiras e colabora para o efeito de estranhamento, de compreensão textual e de comunicação, priorizando o desvelamento do outro culturalmente diferente, cuja influência é decisiva nas transformações do eu-narrador.
Nesse sentido, é correto afirmar.
Os textos literários e os não literários possuem singularidades que os definem ou os caracterizam. Afirmar ou negar a existência de um desses textos implica conhecê-los nas suas nuances.
Nesse sentido, considerando os estudos sobre o assunto em análise, assinale a alternativa CORRETA.
Escrita em 1961, a peça O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues, tece críticas a problemas sociais ainda muito atuais.
Nesse sentido, a trama da peça promove uma reflexão sobre a
Agora a lagoa estava cheia, tinha coberto os currais que ele construíra. O barreiro também se enchera, atingia a parede da cozinha, as águas dele juntavam-se às da lagoa. Para ir ao quintal onde havia craveiros e panelas de losna, Sinha Vitória saía pela porta da frente, descia o copiar e atravessava a porteira de baraúna. Atrás da casa, as cercas, o pé de turco e as catingueiras estavam dentro da água. As goteiras pingavam, os chocalhos das vacas tiniam, os sapos cantavam. O som dos chocalhos era familiar, mas a cantiga dos sapos e o rumor das goteiras causavam estranheza. Tudo estava mudado. Chovia o dia inteiro, a noite inteira. As moitas e capões de mato onde viviam seres misteriosos tinham sido violados. Havia lá sapos. E a cantiga deles subia e descia, uma toada lamentosa enchia os arredores. Tentou contar as vozes, atrapalhou-se. Eram muitas, com certeza havia uma infinidade de sapos nas moitas e nos capões. Que estariam fazendo? Por que gritavam a cantoria gorgolejada e triste? Nunca vira um deles, confundia-os com os habitantes invisíveis da terra e dos bancos de macambira.
Graciliano Ramos, Vidas secas.Nesse romance,
Leia o poema a seguir para responder a questão.
brasil
O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
— Sois cristão”?
— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! Ua! Uu!
O negro zonzo saido da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
— Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval!
Nesse poema, o sujeito poético
Leia atentamente o poema a seguir:
Visita ao túmulo de Machado de Assis
Afonso Félix de Sousa
Aqui venho e virei. À beira
de teu túmulo uma fiandeira
como que me entrega, tecida,
tenuíssima teia - e da vida
mais clara aceitação eu posso
ter, pois do que é teu, meu, e nosso,
por ser um comum atributo,
extraio o que há de seiva e fruto,
e dou, como alimento, à alma,
que come, espanta-se, e se acalma.
Não te trago flores, ó mestre,
nem hinos minha voz campestre
é capaz de erguer a teu nome.
No entanto, mataste-me a fome
da alma, ao me deslindar a estranha
teia de almas que me acompanha.
No entanto, sem sequer pintá-la,
tua voz é que melhor fala
desta cidade onde, por obra
e graça da sorte, soçobra,
e vai existindo, e repousará o Afonso Felix de Sousa.
Nesse poema, o poeta do século XX faz menção ao mestre Machado de Assis, escritor do século XIX, dando ênfase
Leia o poema "Episódio", que integra A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1945, num contexto histórico e político dominado pela ordem social burguesa.
Manhã cedo passa
à minha porta um boi.
De onde vem ele
se não há fazendas?
Vem cheirando o tempo
entre noite e rosa.
Para à minha porta
sua lenta máquina.
Alheio à polícia
anterior ao tráfego
ó boi, me conquistas
para outro, teu reino.
Seguro teus chifres:
eis-me transportado
sonho e compromisso
ao País Profundo.
DRUMMOND, Carlos. Nova reunião: 23 livros de poesia. Rio de Janeiro: Edições BestBolso, 2009. p. 175.Nesse poema, o eu-lírico
Leia o poema a seguir.
non-sons
o boi berra
a cabra bale
a rã coaxa
o meu telefone
― ai de mim! ―
nenhum
pio
PEREIRA, Luís Araujo. Minigrafias. Goiânia: Cânone, 2009. p. 33.Nesse poema, o eu poético
Leia o poema “A Educação pela Pedra”, de João Cabral de Melo Neto, para responder à questão.
Uma educação pela pedra: por lições;
para aprender da pedra, frequentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições da pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse, não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.
Nesse poema, o eu poético
Leia o poema a seguir para responder à questão.
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato.
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Nesse poema, a situação de um ser biforme é expressa a partir do modo como o eu lírico explora os recursos semânticos da figura de linguagem conhecida como