Leia os versos do poema Navio Negreiro, de Castro Alves, e marque a opção correta a seguir.
[...]
IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs! [...]
O melro veio com efeito às três horas. Luísa estava nasala, ao piano.
– Está ali o sujeito do costume – foi dizer Juliana.
Luísa voltou-se corada, escandalizada da expressão:
– Ah! meu primo Basílio? Mande entrar.
E chamando-a:
– Ouça, se vier o Sr. Sebastião, ou alguém, que entre.
Era o primo! O sujeito, as suas visitas perderam de repente para ela todo o interesse picante. A sua malícia cheia, enfunada até aí, caiu, engelhou-se como uma vela a que falta o vento. Ora, adeus! Era o primo!
Subiu à cozinha, devagar, — lograda.
– Temos grande novidade, Sr.a Joana! O tal peralta é primo. Diz que é o primo Basílio.
E com um risinho:
– É o Basílio! Ora o Basílio! Sai-nos primo à última hora! O diabo tem graça!
– Então que havia de o homem ser se não parente?
– observou Joana.
Juliana não respondeu. Quis saber se estava o ferro pronto, que tinha uma carga de roupa para passar! E sentouse à janela, esperando. O céu baixo e pardo pesava, carregado de eletricidade; às vezes uma aragem súbita e fina punha nas folhagens dos quintais um arrepio trêmulo.
– É o primo! – refletia ela. – E só vem então quando o marido se vai. Boa! E fica-se toda no ar quando ele sai; e é roupa-branca e mais roupa-branca, e roupão novo, e tipoia para o passeio, e suspiros e olheiras! Boa bêbeda! Tudo fica na família!
Os olhos luziam-lhe. Já se não sentia tão lograda. Havia ali muito “para ver e para escutar”. E o ferro estava pronto?
Mas a campainha, embaixo, tocou.
(Eça de Queirós. O primo Basílio, 1993.)– É o primo! – refletia ela. – E só vem então quando o marido se vai. Boa! E fica-se toda no ar quando ele sai; e é roupa-branca e mais roupa-branca, e roupão novo, e tipoia para o passeio, e suspiros e olheiras! Boa bêbeda! Tudo fica na família!
Nas reflexões de Juliana, está sugerido o que acaba por ser o tema gerador desse romance de Eça de Queirós, a saber:
A comunidade de Canudos, formada na última década do século XIX, contestava a forma de distribuição de terra no sertão nordestino e buscava uma nova alternativa de vida. Dessa forma, sob a liderança de Antônio Conselheiro a Comunidade de Canudos, desenvolveu um sistema, onde o trabalho era comunitário e os frutos do trabalho eram repartidos, não havendo cobrança de impostos, tendo, portanto suas próprias normas. Este sistema comunitário desagradou ao governo que empreendeu uma campanha militar para exterminar o Arraial de Canudos. Esta campanha militar, contou com a participação de um celebre escritor, que a partir de tudo viu, escreveu uma importante obra da literatura brasileira.
Nas opções abaixo indique qual das questões apresenta de forma correta, o nome do escritor e da obra produzida sobre o Arraial de Canudos.
O narrador das Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, apresenta assim sua obra, em linhas iniciais do romance:
Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio. (...) A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus. Um solteirão que expira aos sessenta e quatro anos não parece que reúna em si todos os elementos de uma tragédia.
Nas linhas acima, traduzem-se características essenciais desse romance, quais sejam:
Leia:
Fabiano ouviu o falatório desconexo do bêbado, caiu numa indecisão dolorosa. Ele também dizia palavras sem sentido, conversava à toa. Mas irou-se com a comparação, deu murradas na parede. Era bruto, sim senhor, nunca havia aprendido, não sabia explicar-se. Estava preso por isso? Como era? Então mete-se um homem na cadeia porque ele não sabe falar direito?
(Vidas Secas, Graciliano Ramos)Nas frases: “não sabia explicar-se” e “não sabe falar direito?” reforça-se (assinale a correta):
Examine este cartaz, cuja finalidade é divulgar uma exposição de obras de Pablo Picasso.
Nas expressões “Mão erudita” e “Olho selvagem”, que compõem o texto do anúncio, os adjetivos “erudita” e “selvagem” sugerem que as obras do referido artista conjugam, respectivamente,
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.
[...]
Então, forasteiro,
Caí prisioneiro
De um troço guerreiro
Com que me encontrei:
O cru dessossego
Do pai fraco e cego,
Enquanto não chego
Qual seja, – dizei!
Eu era o seu guia
Na noite sombria,
A só alegria
Que Deus lhe deixou:
Em mim se apoiava,
Em mim se firmava,
Em mim descansava,
Que filho lhe sou.
Ao velho coitado
De penas ralado,
Já cego e quebrado,
Que resta? – Morrer.
Enquanto descreve
O giro tão breve
Da vida que teve,
Deixai-me viver!
Não vil, não ignavo1,
Não vil, não ignavo1,
Serei vosso escravo:
Aqui virei ter.
Guerreiros, não coro
Do pranto que choro:
Se a vida deploro,
Também sei morrer.
GONÇALVES DIAS – I-Juca Pirama.Nas estrofes transcritas, o guerreiro tupi:
Leia o texto de Machado de Assis para responder à questão.
Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou- -se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.
– Continue, disse eu acordando.
− Já acabei, murmurou ele.
− São muito bonitos.
Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei.
[...]
Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração; se não tiver outro daqui até o fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.
“os versos pode ser que não fossem inteiramente maus.”
Com essa frase, o narrador expressa uma dúvida.
Nas alternativas, a frase gramaticalmente correta, que mantém em linhas gerais o significado original, é:
Leia o Texto 1 para responder à questão 45.
TEXTO 1
Capítulo 48
Conclusão feliz
[...]
[1] Passado o tempo indispensável do luto, o Leonardo, em uniforme de Sargento de
Milícias, recebeu-se na Sé com Luisinha, assistindo à cerimônia a família em peso.
Daqui em diante aparece o reverso da medalha. Seguiu-se a morte de Dona Maria, a do
Leonardo-Pataca, e uma enfiada de acontecimentos tristes que pouparemos aos leitores,
[5] fazendo aqui o ponto final.
ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um Sargento de Milícias. Rio de Janeiro: Ediouro, p. 121.Nas alterações da frase “o Leonardo, em uniforme de Sargento de Milícias, recebeu-se na Sé com Luisinha” (linhas 1 e 2), uma das alternativas apresenta incorreção quanto ao emprego formal da vírgula, bem como alteração de sentido em relação à frase original. Assinale-a.
Narrativa pré-modernista, primeira grande interpretação da realidade brasileira, que, buscando compreender o meio áspero em que vivia o jagunço nordestino, denunciava uma campanha militar que investia contra o fanatismo religioso resultante da miséria e do abandono do homem do sertão. Essa narrativa é