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LiteraturaFDF2016

Narrado em terceira pessoa, o romance Memórias de um Sargento de Milícias, de Manoel Antônio de Almeida, apresenta um narrador que interfere junto ao leitor e, frequentemente, de forma sarcástica ironiza as situações vividas pelos personagens. Assim, indique nas alternativas a seguir, a que contém uma ironia.

LiteraturaUERJ2010

Viagem ao centro da Terra

De início, não enxerguei nada. Havia muito tempo sem verem a luz, meus olhos imediatamente se fecharam.

Quando consegui ver de novo, fiquei mais assustado que admirado:

– O mar!

– É – respondeu meu tio –, o mar Lidenbrock, e espero que nenhum navegador vá me contestar a honra

[5] de tê-lo descoberto e o direito de batizá-lo com meu nome!

Um enorme lençol de água, o começo de um lago ou de um oceano, estendia-se até onde minha vista

não podia alcançar. As ondas vinham bater numa praia bastante recortada, formada por uma areia fina

e dourada, salpicada por aquelas conchinhas que abrigaram os primeiros seres da criação. As ondas

quebravam com aquele barulho característico dos ambientes muito amplos e fechados. Uma espuma

[10] leve era soprada por um vento moderado, e uma garoa me batia no rosto. A cerca de duzentos metros

das ondas, naquela praia ligeiramente inclinada, estavam as escarpas de rochedos enormes, que se

elevavam a uma altura incalculável. Alguns deles, cortando a praia com sua aresta aguda, formavam

cabos e promontórios desgastados pelos dentes da arrebentação. Mesmo ao longe, seus contornos

podiam ser vistos em contraste com o fundo nebuloso do horizonte.

[15] Era realmente um oceano, com o contorno irregular das praias terrestres, mas deserto, com um aspecto

selvagem assustador.

Se minha vista podia passear ao longe naquele mar, era porque uma luz “peculiar” iluminava seus

menores detalhes. Não a luz do Sol, com seus fachos brilhantes e sua irradiação plena, nem a da

Lua, com seu brilho pálido e impreciso, que é apenas um reflexo sem calor. Não, aquela fonte de luz

[20] tinha uma propagação trêmula, uma claridade branca e seca, uma temperatura pouco elevada e um

brilho de fato maior que o da Lua, evidenciando uma origem elétrica. Era como uma aurora boreal, um

fenômeno cósmico permanente numa caverna capaz de conter um oceano.

Júlio Verne Viagem ao centro da Terra. São Paulo: Ática, 2000.

Não, aquela fonte de luz tinha uma propagação trêmula, uma claridade branca e seca, uma temperatura pouco elevada e um brilho de fato maior que o da Lua, evidenciando uma origem elétrica. (ℓ. 19-21) A passagem transcrita acima revela uma característica na descrição do cenário que pode ser definida como:

LiteraturaFACASPER2010

Assinale a alternativa que apresenta a análise crítica do excerto do capítulo XXXIII (“O penteado”), de Dom Casmurro, de Machado de Assis, apresentado a seguir.

– Pronto!

– Estará bom?

– Veja no espelho.

Em vez de ir ao espelho, que pensais que fez Capitu? Não vos esqueçais que estava sentada, de costas para mim. Capitu derreou a cabeça, a tal ponto, que me foi preciso acudir com as mãos e ampará-la; o espaldar da cadeira era baixo. Inclineime depois sobre ela, rosto a rosto, mas trocados, os olhos de um na linha da boca do outro. Pedi-lhe que levantasse a cabeça, podia ficar tonta, machucar o pescoço. Cheguei a dizer-lhe que estava feia; mas nem esta razão a moveu.

– Levanta, Capitu!

Não quis, não levantou a cabeça, e ficamos assim a olhar um para o outro, até que ela abrochou os lábios, eu desci os meus, e...

LiteraturaUNEMAT2012

“Carlos Drummond representa essa coisa invejável que é mesmo o amadurecimento paralelo aos fatos; o amadurecimento que significa riqueza progressiva e não redução paulatina a princípios afastados do Tempo”

(Antonio Candido, 1970).

Nesse sentido, leia o texto “Poema de setefaces”, de Drummond e assinale a alternativa correta.

Poema de Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, Meu Deus, pergunta o

meu coração

Porém meus olhos

não perguntam nada (...).

LiteraturaFACISA2014

A questão refere-se ao livro Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade

Não está correto o que se afirma em:

LiteraturaUPF2011

Considere as seguintes afirmações acerca de Contos gauchescos, de Simões Lopes Neto:

I. A "apresentação" é o único texto do livro que não é narrado por Blau Nunes.

II. Percebe-se nos contos a fidelidade descritiva ao espaço físico característico do Rio Grande do Sul.

III. A ausência da linguagem coloquial é um traço que pode ser observado em todos os contos.

Não está correto apenas o que se afirma em:

LiteraturaUNIMONTES2012

Sobre Joana Xaviel, a personagem que conta estórias na novela “Uma estória de amor”, de Guimarães Rosa,

NÃO é verdadeira a seguinte alternativa:

LiteraturaUVA2017

TEXTO

[1] José Roberto e Sebastião Campos serviam às senhoras, acompanhando com uma pilhéria cada prato que lhes

ofereciam. Raimundo pediu dispensa do chá, com medo do Freitas que lhe abrira um lugar ao lado do seu.

Ouviu-se mastigar as torradas e sorver, aos golinhos, o chocolate quente.

– Doutor, exclamou o cônego, procurando espetar com o garfo uma fatia de um bolo de tapioca. Prove ao

[05] menos do nosso “Bolo do Maranhão”. Também o chamam por aí “Bolo podre”. Prove, que isto não há fora de cá...

é uma especialidade da terra!

– Não é mau... disse Raimundo, fazendo-lhe a vontade. Muito saboroso, mas parece-me um tanto pesado...

– É de substância! acrescentou Maria Bárbara. Faz-se de tapioca de forno e ovos.

– D. Bibina! chamou Ana Rosa, apontando para os beijus. São fresquinhos...

[10] Amância, com a boca cheia, dizia baixo a Maria do Carmo:

– Pois, minha amiga, quando precisar de missa com cerimônia, não tem mais do que se entender com o padre

que lhe digo... É muito pontual e contenta-se com o que a gente lhe dá! Est’r’o dia apanhou-me dezoito mil- réis

por uma missinha cantada, mas também podia se ver a obra que o homem apresentou!.. Pois então! Há de dar

uma criatura seus cobrinhos, que, tanto custam a juntar, a muito padre, como há por aí, desses que, mal chegam

[15] ao altar, estão pensando no almoço e na comadre?... Deus te livre, credo! Até pesa na consciência de um cristão!

– Como o padre Murta!... lembrou a outra.

– Oh! Esse, nem se fala! Às vezes, Deus me perdoe! nos enterros, até se apresenta bêbado!

(AZEVEDO, Aluísio. O mulato. 8ª ed. São Paulo: Ática, 1988. p.60).

Não é uma marca do momento histórico dessa Escola:

LiteraturaCESMAC2019

As criações literárias, como todo produto da linguagem, são contextualizadas. Assim, essas criações transparecem marcas de seu tempo e da cultura dos grupos que representam. Podem ser, desse modo, indícios do que viveram os povos, em diferentes momentos de sua história.

Não é por acaso, portanto, que:

LiteraturaUVA2016

TEXTO

[1] Dançava-se a quatragem no mutirão da tia Umbelina.

Margarida estava sentada junto de Eugênio, de cujo lado não se arredara desde que este havia chegado.

Ia-se formar nova roda de dançadores; Luciano, que tinha a viola em punho, dirigiu-se a Margarida, e

convidou-a para a dança. Ela recusou-se protestando já ter dançado muito e achar-se fatigada.

[5] – Então venha esse mocinho, que aí está com a senhora — disse Luciano.

Com este convite o rapaz procurava mesmo ocasião de travar-se de razões com o estudante, a fim de

desabafar o ciúme e o despeito que por dentro o corroíam.

– Eu não sei dançar — respondeu Eugênio com timidez.

– Deveras!... não me diga isso, moço; isso é desculpa; falta-nos uma pessoa; venha... não se faça de

[10] rogado.

– É deveras; não sei dançar, nunca dancei em dias de minha vida.

– Então para que vem a estas funções?...

– Ora essa é boa!... para ver...

– Como quem vem aqui ver... mas ah! já o estou conhecendo; o senhor não é aquele coroinha, que

[15] ultimamente tem ajudado à missa ao vigário lá na vila?

– É ele mesmo — acudiu Margarida, que já se impacientava com as grosserias —, é o filho do Sr. capitão

Antunes.

– Do capitão Antunes?... ah!... e o que vem ele aqui fazer?... decerto aqui veio fugido de casa, e há de ser

benfeito que o pai lhe passe uma dúzia de bolos, quando souber que já anda metido em súcias...

(GUIMARÃES, Bernardo. O seminarista. São Paulo: Martin Claret, 2013. p. 70-1).

Não é característica dessa Escola: