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LiteraturaUEFS2018

Já rompe, Nise, a matutina Aurora

O negro manto, com que a noite escura,

Sufocando do Sol a face pura,

Tinha escondido a chama brilhadora.

Que alegre, que suave, que sonora

Aquela fontezinha aqui murmura!

E nestes campos cheios de verdura

Que avultado o prazer tanto melhora!

Só minha alma em fatal melancolia,

Por te não poder ver, Nise adorada,

Não sabe inda que coisa é alegria;

E a suavidade do prazer trocada

Tanto mais aborrece a luz do dia,

Quanto a sombra da noite mais lhe agrada.

(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)

Na terceira estrofe, o pronome “te” refere-se a

LiteraturaIFPE2014

POÉTICA

Estou farto do lirismo comedido

Do lirismo bem comportado

Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e

[manifestações de apreço ao sr. diretor

Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo

[de um vocábulo

Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais

Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção

Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador

Político

Raquítico

Sifilítico

De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo

Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar

[com cem modelos de cartas e as diferentes

[maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos

O lirismo dos bêbedos

O lirismo difícil e pungente dos bêbedos

O lirismo dos clowns de Shakespeare

─ Não quero saber do lirismo que não é libertação.

BANDEIRA, Manuel. Libertinagem. In. Estrela da vida inteira. 20. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p. 129.

Na sua chamada “fase heroica”, o Modernismo brasileiro tinha o propósito de combater os movimentos artísticos tradicionais, especialmente os que ainda estavam em voga (Naturalismo, Parnasianismo e Simbolismo). Considerando esse comentário, identifique, entre as opções abaixo, o verso que sintetiza esse posicionamento no texto.

LiteraturaUNICENTRO2013

A SECRETÁRIA (É uma moça, longa, de óculos e tranças enormes e loiras. Veste-se pudicamente. Traz lápis e block-notes na mão.) - É para bater à máquina, Seu Abelardo?
ABELARDO I - Não. Para estenografar. Nem isso. A senhora sabe redigir. Melhor do que eu. Faça uma carta. Sente-se aí. (Sentam-se perto um do outro.) Dona Aída... Aída loira...
Aída de Wagner. Como é? Não precisa de um Radamés?
A SECRETÁRIA - Preciso que o senhor melhore meu ordenado. O custo da vida aumentou no Brasil de 30%.
ANDRADE, Oswald de. O rei da vela. Uma leitura do teatro de Oswald por Haroldo de Campos. 8.ª ed. São Paulo: Editora Globo, 1990, p. 48. (Obras completas de Oswald de Andrade)

Na sequência do fragmento acima,

LiteraturaUNITINS2014

Na segunda metade do século XIX, a literatura romântica entrou em declínio, junto com seus ideais. Os escritores e os poetas realistas começavam a falar da realidade social e dos principais problemas e conflitos do ser humano. Como características dessa fase literária, podemos citar:

LiteraturaUnichristus2018

A segunda fase do Modernismo (1930-45) colheu os resultados da fase precedente, substituindo o caráter destruidor pela intenção construtiva, pela recomposição de valores e configuração da nova ordem estética. Cessada a batalha, as águas assentaram, e puderam os membros da nova geração tirar os efeitos do desmonte e aplicar as fórmulas estéticas obtidas com a revolução em tentativas de novas sínteses. A poesia prossegue a tarefa de purificação de meios e formas iniciadas antes, ampliando a temática na direção da inquietação filosófica e religiosa. A prosa, por sua vez, alargava a sua área de interesse para incluir preocupações novas de ordem política, social, econômica, humana e espiritual.

Coutinho, Afrânio. Introdução à Literatura no Brasil. 19ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.

Na Segunda Geração do Modernismo, a piada foi substituída pela gravidade de espírito, pela seriedade de alma, de propósitos e meios. A Geração de 30 revela

LiteraturaUECE2011

TEXTO 1

OFF PRICE

[1]Que a sorte me livre do mercado

e que me deixe

continuar fazendo (sem o saber)

fora de esquema

[5] meu poema

inesperado

e que eu possa

cada vez mais desaprender

de pensar o pensado

[10] e assim poder

reinventar o certo pelo errado

(Ferreira Gullar. Em alguma parte alguma. p.35.)

Na segunda estrofe, o eu lírico fala especificamente do(a,s)

LiteraturaUESB2010

TEXTO:

Já vem o peso do mundo

com suas fortes sentenças.

Sobre a mentira e a verdade

desabam as mesmas penas.

Apodrecem nas masmorras,

juntas, a culpa e a inocência.

O mar grosso irá levando,

para que ao longe se esqueçam,

as razões dos infelizes,

a franja das suas queixas,

o vestígio dos seus rastros,

a sua inútil presença.

[...]

Já vem o peso da vida,

já vem o peso do tempo:

pergunta pelos culpados

que não passarão tormentos,

e pelos nomes ocultos

dos que nunca foram presos.

Diante do sangue de forca

e dos barcos do desterro,

julga os donos da justiça,

suas balanças e preços.

E contra os seus crimes lavra

a sentença do desprezo.

MEIRELES, Cecília. Romance LI ou DAS SENTENÇAS.Romanceiro da Inconfidência. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.134-135.

Na segunda estrofe, evidencia-se que “os donos da Justiça”

LiteraturaUCS2011

Leia o fragmento de Noites na Taverna, de Álvares de Azevedo.

- Bem! muito bem! é um toast de respeito!

- Quero que todos se levantem, e com a cabeça descoberta clamem: Ao deus Pã da natureza, aquele que a antiguidade

chamou Baco – o filho das coxas de um deus e do amor de uma mulher! e que nós chamamos melhor pelo seu nome – o

vinho!

- Ao vinho! ao vinho!

Os copos caíram na mesa.

(ÁLVARES DE AZEVEDO, Manoel Antonio. Noites na taverna. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997. p. 12.)

Na relação do fragmento com a obra, considere as seguintes afirmações. I. Essa obra é caracterizada por pessimismo, descrença e tédio, aspectos que marcam o nacionalismo romântico. II. Nessa obra, enebriados pelo vinho, os convivas narram contos macabros e devassos, marcando a fase ultraromântica da Literatura Brasileira. III. No contexto histórico e literário do Romantismo, a celebração a Baco sugere uma visão de mundo pagã, que evidencia uma crítica aos valores morais e religiosos da época. Das afirmativas acima, pode-se dizer que

LiteraturaPUC-Campinas2019

Na referência a um conto de Machado de Assis, no 5º parágrafo, expõe-se um dos temas prediletos desse grande escritor:

LiteraturaFUVEST2014

CAPÍTULO LXXI

O senão do livro

Começo a arrependerͲme deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...

E caem! — Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, darͲvosͲia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar... Heis de cair.

Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

Na primeiras versões das Memórias póstumas de Brás Cubas, constava, no final do capítulo LXXI, aqui reprduzido, o seguinte trecho, posteriormente suprimido pelo autor: [... Heis de cair.] Turvo é o ar que respirais, amadas folhas. O sol que vos alumia, com ser de toda a gente, é um sol opaco e reles, de .................... e .................... . As duas palavras que aparecem no final desse trecho, no lugar dos espaços pontilhados, podem servir para qualificar, de modo figurado, a mescla de tonalidade estilísticas que caracteriza o capítulo e o próprio livro. Preenchem de modo mais adequado as lacunas as palavra