TEXTO
ELEGIA
O olhar recebe a forma e esquece a essência
o ouvido perde a música. A mão
já não retém o eterno — nem o efêmero.
O louvor e o lamento a boca abandonaram
os pés. Não guiam mais: estranhos fios
o corpo levam pela estrada curta
e circular, deserta, seca e nua.
Dança fácil, não vida: horror ao chão
falso voo precoce, fuga para o sonho.
O destino e a paisagem rejeitamos;
a rosa o riso o pranto o medo o amor
— o inefável — que brota só da terra
e que os vivos acumulam para a morte
— Mas nós, que flor e fruto destruímos
que nos aliviará a fome e a sede quando
mortos sentirmos o coração vazio?
Elegia normalmente é definida como um tipo de poema de tom terno e triste.
Na primeira estrofe, os elementos da sensação – “o olhar”, “o ouvido”, “a mão”, “a boca”, “os pés”, “o corpo” – caracterizam-se por (assinale a alternativa correta):
Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade para responder a questão.
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da
[janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens
[presentes,
a vida presente.
(Reunião, 1976.)Na primeira estrofe, o poeta anuncia que
Instrução: Leia o poema para responder à questão.
Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh! quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!
Amor, que vence os tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.
Por mais que eu mesmo conhecesse o dano
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano:
Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei; que Amor tirano,
Onde há mais resistência, mais se apura.
(Cláudio Manuel da Costa. Soneto XCVIII. Obras, 1996.)
Na primeira estrofe do soneto, é possível identificar um dos mais constantes temas da obra poética de Cláudio Manuel da Costa:
Leia o fragmento do poema Dissolução, de Carlos Drummond de Andrade:
Escurece, e não me seduz
tatear sequer uma lâmpada.
Pois que aprouve ao dia findar,
aceito a noite.
E com ela aceito que brote
uma ordem outra de seres
e coisas não figuradas.
Braços cruzados.
[...]
Na primeira estrofe do poema de Drummond, é correto afirmar que, sem alteração do sentido, pois que pode ser substituído por
“brasília, brasília,
onde estás
que não respondes
em que bloco,
em que superquadra
tu te escondes?!”
(Nicolas Behr)Na poesia, Nicolas Behr está parafraseando um poema de
Na poesia lírica do poeta romântico português Almeida Garrett (1799-1854), a mulher é representada ora como angelical, ora como agente de perdição. O último aspecto está exemplificado no seguinte trecho:
Na poesia de Mário Quintana e nos Contos de Aprendiz, de Carlos Drummond de Andrade, há temáticas comuns que são desenvolvidas por meio de uma elaboração da linguagem que é peculiar ao gênero e ao tipo de texto próprio de cada autor. Assinale, abaixo, a alternativa em que foram apontados CORRETAMENTE aspectos temáticos comuns às duas obras.
Leito de folhas verdes
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!
A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.
Na perspectiva do Romantismo, a representação feminina espelha concepções expressas no poema pela
Sou um homem arrasado. Doença? Não. Gozo perfeita saúde.
O que estou é velho. Cinquenta anos pelo S. Pedro. Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta casca espessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada.
Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber para quê! Comer e dormir como um porco! Levantar-se cedo todas as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez! Que porcaria! Não é bom vir o diabo e levar tudo?
RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1979. p. 179-180.Na percepção que constrói de si mesmo, o sujeito-narrador
As questãoreferem-se ao livro Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri.
Na peça, o noivado de Tião e Maria termina porque ela