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LiteraturaPUC-GO2021

Leia o poema a seguir, considerando o contexto da poesia contemporânea:

Primeira Professora

Minha primeira professora,
no grupo, era bonita. Tão bonita,
que arranjou logo um casamento.

Dei-lhe um pé de chuchu,
plantado numa lata, de presente.
Acreditei que ela, um dia,
comeria de seus frutos.

Não foi possível. Morreu
quando sua família exigiu
que fizesse um aborto: ela
não podia ser mãe com só
cinco meses de casamento.

(GODOY, Heleno. Inventário: poesia reunida, inéditos e dispersos. Goiânia: Martelo, 2015. p. 167-168.)

Marque a única alternativa que corretamente coloca esse poema em diálogo com a tradição modernista:

LiteraturaUnirG2017

No conto "Negrinha", Monteiro Lobato apresenta uma literatura para adultos e de engajamento social e expõe a cruel relação entre o opressor e o oprimido. Assim, analise os itens a seguir:

I - No conto "Negrinha", observando a caracterização das duas personagens centrais da trama, temos a seguinte oposição: "D. Inácia" => adulta, rica, branca, gorda, opressora X "Negrinha" => criança, pobre, negra, órfã, oprimida.
II - As duas personagens pertencem ao mesmo contexto sócio-histórico do Brasil. Lobato situa a história num tempo em que a escravidão havia sido abolida por lei. Mas D. Inácia não se adequou à abolição da escravatura e Negrinha continuou sendo escrava.
III - A não-identidade da menina demonstra que ela não é considerada um ser humano pelos demais, mas sim um objeto, sobretudo um animal que não possui alma e precisa ser domesticado.
IV - Quanto ao narrador em "Negrinha", este é onisciente e seu discurso irônico é recorrente como no exemplo: "A excelente D. Inácia era mestra na arte de judiar de crianças."

Marque a única alternativa correta:

LiteraturaUNIFOR2012

A mudança

O homem voltou à terra natal e achou tudo mudado. Até a igreja mudara de lugar. Os moradores pareciam ter trocado de nacionalidade, falavam língua incompreensível. O clima também era diferente.

A custo, depois de percorrer avenidas estranhas, que se perdiam no horizonte, topou com um cachorro que também vagava, inquieto, em busca de alguma coisa. Era um velhíssimo animal sem trato, que parou à sua frente.

Os dois se reconheceram: o cão Piloto e seu dono. Ao deixar a cidade, o homem abandonara Piloto, dizendo que voltaria em breve, e nunca mais voltou. O animal inconformado procurava-o por toda parte. E conservava uma identidade que talvez só os cães consigam manter na terra mutante.

Piloto farejou longamente o homem, sem abanar o rabo. O homem não se animou a acariciá- lo. Depois, o cão virou as costas e saiu sem destino. O homem pensou em chamá-lo, mas desistiu. Afinal, reconheceu que ele próprio tinha mudado, ou que talvez só ele mudara, e a cidade era a mesma, vista por olhos que tinham esquecido a arte de viver.

(Carlos Drummond de Andrade in REGIS, Herman; MEDEIROS, Graça. Produção textual. Fortaleza: Premius, 2002)

Marque a opção que os trechos de poesia de Drummond NÃO condiz com a temática do texto Mudança.

LiteraturaUFAM2013

Marque a opção que NÃO se relaciona, direta ou indiretamente, ao período em que aconteceu a chamada literatura dos viajantes e dos jesuítas:

LiteraturaIFNMG2019

Marque a opção que NÃO se aplica à obra Olhos D’água, de Conceição Evaristo.

LiteraturaUNIFOR2011

Quando estudava no ginásio Pedro II, em Manaus, lembro que um professor de literatura incluía no programa do curso alguns clássicos de outras regiões do Brasil. Ele nos dizia que o conhecimento da cultura do país passava pela literatura. O Nordeste de Graciliano Ramos e o Sul de Érico Veríssimo provaram isso. Foi nessa época que li Vidas secas e, quase ao mesmo tempo, alguns trechos d’Os sertões e d’O continente, primeiro volume de O tempo e o vento. Ainda não tinha maturidade para assimilar o sentido histórico dessas obras, mas me deparei com imagens, situações e conflitos de um Brasil que me era estranho. E também com outro vocabulário.

A descoberta de uma nova linguagem e de outra paisagem social e geográfica aconteceu em 1969, quando comecei a ler Grande sertão: veredas no colégio de aplicação da UnB (Brasília). Foi uma leitura penosa e meio arrastada. Só depois, no começo dos anos 70, pude ler o livro inteiro com disciplina e, por que não dizer, paixão. Foi um dos livros mais surpreendentes de minha experiência de leitor. (HATOUM, Milton. Leituras da juventude. Disponível em: http:// www.miltonhatoum.com.br/categoria/do-autor/cronicas. Acesso em 10/11/2010.)

De acordo com Milton Hatoum, que discorre sobre o texto literário em sua crônica,

I. o conhecimento da cultura do país passa pela literatura.

II. a leitura proficiente só é feita quando o leitor tem maturidade para fazê-la; do contrário, pode ser “penosa e arrastada”.

III. alguns trechos dos clássicos são suficientes para se fazer um retrato da cultura do país.

IV. para quem gosta de ler e o faz com disciplina e paixão, a leitura é proficiente em qualquer época da vida.

Marque a opção que corresponde às alternativas VERDADEIRAS:

LiteraturaIFNMG2019

A obra Nossos Ossos, de Marcelino Freire, é classificada como literatura contemporânea, uma vez que traz problematizações do nosso momento, sobretudo os embates do meio urbano. Da mesma forma,Capão Pecado, de Ferréz, traz um retrato contemporâneo do espaço urbano, a partir de uma trama narrativa que tem como cenário a favela Capão Redondo.

Leia as considerações que se seguem.

I. A obra Nossos Ossos centraliza a narrativa na personagem protagonista Heleno, um dramaturgo. A forma como os fatos são narrados não são lineares, surgem como quadros de cenas de um teatro, reclamando um leitor que se desdobra em espectador e coautor, uma vez que lhe cabe ordenar a narrativa.

II. Em Nossos Ossos, São Paulo se afigura como uma cidade marcada pela dureza, para a qual as personagens principais do livro, oriundas do nordeste brasileiro, se direcionam em busca de oportunidades. Nesse aspecto, o autor do livro empresta esse elemento autobiográfico à narrativa.

III. A obra Nossos Ossos explora elementos do macabro, assassinato, suicídio, prostituição e pornografia, de modo que problematiza a relação vida e morte; esta seria equivalente ao ―baixar as cortinas de um teatro‖ e aquela corresponde ao curso da encenação.

IV. Em Capão Pecado, Ferréz apresenta os desafios da cidade grande e denuncia a injusta distribuição de rendas e ainda a ineficácia do Estado que não consegue promover justiça social, sobretudo para aqueles que vivem nas favelas.

Marque a opção correta.

LiteraturaUNIFOR2011

Acerca do movimento modernista no Brasil:

I. Combateu a poesia acadêmica e a visão de mundo conservadora para uma explosão cada vez mais acentuada de ritmos, temas e formas linguísticas retirados da cultura popular.

II. Adotou o verso livre e buscou fixar uma linguagem literária brasileira – baseada na exploração de formas, temas e vocabulário de origem folclórica, popular ou regional.

III. Foi um movimento renovador apenas na forma, pois, a rigor não discutiu a problemática nacional, tais como: as desigualdades sociais, a cultura popular, limitando-se a uma cópia do que se fazia na Europa.

IV. Rompeu com o modelo de linguagem que seguia o padrão da norma culta, no entanto não levou em conta a diversidade linguística do povo brasileiro.

Marque a opção correta acerca das afirmações acima.

LiteraturaUNITINS2022

O romance “O cortiço”, de Aluísio de Azevedo; “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos e “Quarto de despejo: diário de uma favelada”, de Carolina Maria de Jesus, fazem parte de tempos distintos da Literatura Brasileira. Porém, as obras são atemporais e, portanto, estabelecem similaridade com fatos que acontecem na atualidade.

Analise os excertos a seguir e assinale apenas aqueles que fazem parte de “Quarto de despejo: diário de uma favelada”.

I. “- Antigamente eram os pretos que criava os brancos. Hoje São os brancos que criam os pretos. A senhora disse que cria a menina desde os 9 meses e a negrinha dorme com ela e que lhe chama de mãe. [...]. Todas as manhãs eu canto. Sou como as aves, que cantam apenas ao amanhecer. De manhã estou sempre alegre. A primeira coisa que faço é abrir a janela e contemplar o espaço”.

II. “[...] repórteres insinuavam-se por entre os grupos dos jornalistas e dos políticos, com o chapéu à ré, ávidos de notícias, uma curiosidade indiscreta nos olhos. João Romão, sem deixar a porta, apoiado no seu guarda-chuva de cabo de marfim, recebia cumprimentos de quem passava na rua; alguns paravam para lhe falar. Ele tinha sorrisos e oferecimentos para todos os lados; e consultava o relógio de vez em quando”.

III. “A cachorra [...] acompanhou-o naquela hora difícil. Repousava junto à trempe, cochilando no calor, à espera de um osso. [...]. Mexia-se de longe em longe, punha na dona as pupilas negras onde a confiança brilhava. Admitia a existência de um osso graúdo na panela, e ninguém lhe tirava esta certeza, nenhuma inquietação lhe perturbava os desejos moderados. Às vezes recebia pontapés sem motivo.

IV. “Depois que operei, fiquei boa, graças a Deus. E até pude dançar no Carnaval, com minha fantasia de penas. Quem operou-me foi o Dr. José Torres Netto. Bom médico. E falamos de politicos. Quando uma senhora perguntou-me o que acho do Carlos Lacerda, respondi concientemente: — Muito inteligente. Mas não tem iducação. É um politico de cortiço. Que gosta de intriga. Um agitador. Uma senhora disse que foi pena! A bala que pegou o major podia acertar no Carlos Lacerda”.

http://www.dominiopublico.gov.br, 10/11/2021. JESUS. Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014.

Marque a assertiva que apresenta a resposta correta.

LiteraturaAtenas2019

A Semana de 22 foi o marco inicial de entrada do modernismo no Brasil. Esse evento, além de marcar uma ruptura com a tradição cultural brasileira, ainda de caráter colonial, instaurou no país as tendências europeias de vanguarda. Após a Semana de Arte Moderna, literatos, músicos, artistas plásticos e pensadores firmaram os ideais do movimento em revistas, manifestos etc.

Marque a alternativa que expõe corretamente alguns aspectos estéticos da primeira geração modernista.