Instrução: A questão toma por base um fragmento de Glória moribunda, do poeta romântico brasileiro Álvares de Azevedo (1831-1852).
É uma visão medonha uma caveira?
Não tremas de pavor, ergue-a do lodo.
Foi a cabeça ardente de um poeta,
Outrora à sombra dos cabelos loiros.
Quando o reflexo do viver fogoso
Ali dentro animava o pensamento,
Esta fronte era bela. Aqui nas faces
Formosa palidez cobria o rosto;
Nessas órbitas — ocas, denegridas! —
Como era puro seu olhar sombrio!
Agora tudo é cinza. Resta apenas
A caveira que a alma em si guardava,
Como a concha no mar encerra a pérola,
Como a caçoula a mirra incandescente.
Tu outrora talvez desses-lhe um beijo;
Por que repugnas levantá-la agora?
Olha-a comigo! Que espaçosa fronte!
Quanta vida ali dentro fermentava,
Como a seiva nos ramos do arvoredo!
E a sede em fogo das ideias vivas
Onde está? onde foi? Essa alma errante
Que um dia no viver passou cantando,
Como canta na treva um vagabundo,
Perdeu-se acaso no sombrio vento,
Como noturna lâmpada apagou-se?
E a centelha da vida, o eletrismo
Que as fibras tremulantes agitava
Morreu para animar futuras vidas?
Sorris? eu sou um louco. As utopias,
Os sonhos da ciência nada valem.
A vida é um escárnio sem sentido,
Comédia infame que ensanguenta o lodo.
Há talvez um segredo que ela esconde;
Mas esse a morte o sabe e o não revela.
Os túmulos são mudos como o vácuo.
Desde a primeira dor sobre um cadáver,
Quando a primeira mãe entre soluços
Do filho morto os membros apertava
Ao ofegante seio, o peito humano
Caiu tremendo interrogando o túmulo...
E a terra sepulcral não respondia.
( Poesias completas, 1962.)Mas esse a morte o sabe e o não revela. Nas duas orações que constituem este verso, os termos em destaque apresentam o mesmo referente, a saber:
“Às vezes, a leitura de um livro desvela uma pessoa.”
(RCO, p.71)Essa afirmação, de Dorner, um dos personagens de Relato de um certo Oriente, convida-nos a refletir acerca do papel da leitura.
Mas acima de tudo, essa obra nos fala a respeito da tessitura do texto literário de Hatoum, sobre o qual é CORRETO afirmar que se trata de
Leia um trecho da obra de José de Alencar, Iracema, e marque a alternativa correta:
"Iracema cuida do ferimento de Martim, desagradando aos tabajaras, principalmente Irapuã, guerreiro apaixonado por ela‖. Martin vê-se dividido entre a saudade de Portugal e a atração que sente por Iracema.
Martim e Iracema acabam se envolvendo, o que afronta o voto de castidade feito pela moça, que abandona sua tribo para viver com o amado. Dessa união nasce Moacir, "o filho da dor". Cumprindo a profecia do seu pai, Araquém, Iracema morre nos braços de Martim, que enterra a esposa e parte com o filho para a Europa.
O Estilo
O estilo é o sol da escrita. Dá-lhe eterna palpitação, eterna vida. Cada palavra é como que um tecido do organismo do período. No estilo há todas as gradações da luz, toda a escala dos sons.
O escritor é psicólogo, é miniaturista, é pintor – gradua a luz, tonaliza, esbate e esfuminha os longes da paisagem.
O princípio fundamental da Arte vem da Natureza, porque um artista faz-se da Natureza. Toda força e toda a profundidade do estilo está em saber apertar a frase no pulso, domá-la, não a deixar disparar pelos meandros da escrita.
O vocabulário pode ser música ou pode ser trovão, conforme o caso. A palavra tem a sua anatomia; e é preciso uma rara percepção estética, uma nitidez visual, olfativa, palatal e acústica, apuradíssima, para a exatidão da cor, da forma e para a sensação do som e do sabor da palavra.
SOUSA, Cruz e. Obra completa. Outras evocações. Rio de Janeiro: Aguilar, 1961. P.677-8.Sobre o texto são apresentadas duas afirmativas ligadas pela palavra PORQUE.
O texto explicita musicalidade e sinestesia, duas características marcantes do Simbolismo.
PORQUE
Estão explícitos nos versos a exploração da propriedade sonora da palavra, além do emprego intensivo de aliterações, ecos e assonâncias.
Marque:
“ Aqui, ali, por toda a parte, encontravam-se trabalhadores, uns ao sol, outros debaixo de pequenas barracas feitas de lona (...) De um lado cunhavam pedra cantando, de outro a quebravam a picareta. (...) E todo aquele retintim de ferramentas, e o martelar da forja, e o coro daqueles que lá em cima brocavam a rocha para lançar-lhe fogo e a surda zoada ao longe, que vinha do cortiço como de uma aldeia alarmada (...)”
AZEVEDO, Aluízio. O Cortiço.São Paulo: Ática, 2009.Em relação ao texto, seguem as afirmativas ligadas pela conjunção PORQUE.
O texto, que faz parte da estética naturalista, utiliza recursos expressivos de sonoridade, como onomatopeias, além de explorar sensações.
PORQUE
O Naturalismo procura representar o mais fielmente possível a realidade, privilegiando a captação do mundo pelos canais sensoriais.
MARQUE:
Com relação à narrativa Quincas Borba, de Machado de Assis, de que faz parte o Texto, muitos críticos já afirmaram e continuam afirmando tratar-se de um dos romances mais significativos das décadas finais do século XIX. Seu prestígio se estendeu por todo o século XX e o texto persiste como obra de grande importância até nossos dias.
Dessa forma, podemos afirmar que o êxito alcançado por esse romance se deve principalmente ao fato de
(analise os itens que se seguem):
I-o romance apresentar uma linguagem madura, livre dos adereços verborrágicos do Romantismo, ao qual se contrapõe, e discutir com refinada ironia as questões fundamentais inerentes ao ser humano em sua existência terrena.
II-o romance apresentar uma linguagem dotada de resquícios das idealizações românticas, e discutir, de forma direta, questões relativas ao ser humano em suas relações com os animais.
III-A obra machadiana em debate alcançou tanta popularidade, principalmente devido a sua linguagem acessível, mas profunda, que chama a atenção do leitor, por abordar um tema de elevado cunho filosófico ao atribuir características humanas a um animal, o cachorro Quincas Borba.
IV-A obra machadiana em debate alcançou tamanho êxito, principalmente devido a sua linguagem, em que cada detalhe deve ser levado em conta, porque guarda sentidos múltiplos que conduzem o leitor a reflexões profundas sobre si mesmo e sobre o mundo.
Marque, abaixo, a alternativa correta:
Olho no olho
Cara a cara
E quando estiveres bem perto,
Eu arrancarei teus olhos
E os colocarei no lugar dos meus
E tu arrancarás os meus olhos
E os colocará no lugar dos teus,
Então eu te olharei com teus olhos
E tu me olharás com os meus.
Moreno, J.L. Psicodrama. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 1978. Adaptado.Observe os seguintes versos: “Então eu te olharei com teus olhos/E tu me olharás com os meus”. A partir da leitura desses versos, podemos afirmar que o texto de Jacob Levy Moreno dialoga com o conto Tentação, de Clarice Lispector.
Marque o excerto do conto de Clarice Lispector que justifica CORRETAMENTE essa afirmação.
No dia 30 de março, ocorreram diversas manifestações e atos públicos de “descomemoração” do golpe militar de 1964 pelo país.
O romance As meninas, de Lygia Fagundes Telles, foi escrito no fim dos anos 60 e começo dos anos 70, momento em que a ditadura brasileira intensificava a perseguição aos grupos de esquerda.
Marque o aspecto desse contexto que NÃO é abordado no romance:
Leia o soneto seguinte, de Cláudio Manuel da Costa, e, de acordo com as características gerais do arcadismo, marque a única alternativa coerente:
Se sou pobre pastor, se não governo
Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes;
Se em frio, calma, e chuvas inclementes
Passo o verão, outono, estio, inverno;
Nem por isso trocara o abrigo terno
Desta choça, em que vivo, coas enchentes
Dessa grande fortuna: assaz presentes
Tenho as paixões desse tormento eterno.
Adorar as traições, amar o engano,
Ouvir dos lastimosos o gemido,
Passar aflito o dia, o mês, e o ano;
Seja embora prazer; que a meu ouvido
Soa melhor a voz do desengano,
Que da torpe lisonja o infame ruído.
(Cláudio Manuel da Costa)
Marque apenas a alternativa que faz uma leitura correta do poema de:
TEXTO
Igual-Desigual
Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e
internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e
rondós são iguais e todos, todos
os poemas em versos livres são enfadonhamente
iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais, iguais, iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes,
são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro
homem, bicho ou coisa.
Ninguém é igual a ninguém.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.
Marque a única alternativa que não corresponde a uma ideia dedutível a partir do texto.