Os Timbiras
Os ritos semibárbaros dos Piagas,
Cultores de Tupã, a terra virgem
Donde como dum trono, enfim se abriram
Da cruz de Cristo os piedosos braços;
As festas, e batalhas mal sangradas
Do povo Americano, agora extinto,
Hei de cantar na lira. – Evoco a sombra
Do selvagem guerreiro!... Torvo o aspecto,
Severo e quase mudo, a lentos passos,
Caminha incerto, – o bipartido arco
Nas mãos sustenta, e dos despidos ombros
Pende-lhe a rôta aljava... as entornadas,
Agora inúteis setas, vão mostrando
A marcha triste e os passos mal seguros
De quem, na terra de seus pais, embalde
Procura asilo, e foge o humano trato. [...]
Sobre a obra Os Timbiras, analise as seguintes afirmativas:
I. Quanto à estrutura, a obra é constituída de um conjunto de poemas de forma fixa, nos quais Gonçalves Dias usa muitos termos da língua tupi.
II. Em relação ao tema, a obra narra os feitos heroicos dos povos Timbiras – tapuias, que habitam o interior da província do Maranhão –, mostrando a formação desse povo.
III. Na obra, os indígenas são idealizados, destacando características, como valor, coragem, honra, entre outras, o que representa traço da fase indianista do Romantismo brasileiro.
IV. Como característica da epopeia, tem-se, na obra, a narrativa dos grandes feitos dos índios Timbiras no enfrentamento com os Gamelas.
Estão Os Timbirasas afirmativas:
Madama Carlota havia acertado tudo. (...) Até para atravessar a rua ela era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro. Sentia em si uma esperança tão violenta como jamais sentira tamanho desespero. Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho. Assim como havia sentença de morte, a cartomante lhe decretara sentença de vida. Tudo de repente era muito e muito e tão amplo que ela sentiu vontade de chorar. Mas não chorou: seus olhos faiscavam como o sol que morria. Então ao dar o passo de descida da calçada para atravessar a rua, o Destino (explosão) sussurrou veloz e guloso: é agora, é já, chegou minha vez! E enorme como um transatlântico o Mercedes amarelo pegou-a (...).
LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. São Paulo: Rocco, 1977.A respeito de Clarice Lispector, pode-se afirmar:
I. O último livro da autora, publicado no ano de sua morte, aparentemente narra apenas o sofrimento da alagoana Macabéa no Rio de Janeiro, porém a obra é bem mais complexa.
II. Sempre que questionada sobre sua nacionalidade, Clarice afirmava não ter nenhuma ligação com a Ucrânia, e que sua verdadeira pátria era o Brasil.
III. É notória a sua grande habilidade em descrever emoções e sentimentos humanos.
IV. São suas obras: Perto do Coração Selvagem; Laços de Família; O Homem Nu, entre outras.
V. A obra de Clarice, por sua característica simplista, pode ser facilmente classificada.
Estão corretos:
Sobre a produção dos principais ícones da estética barroca brasileira, analise os itens abaixo:
I. O Sermão da sexagésima, que é metalinguístico e um dos mais conhecidos de Vieira, apresenta, como tema, a própria arte de pregar. Como se pode notar no trecho: “[...] como os Apóstolos iam pregar a todas as nações do Mundo, muitas delas bárbaras e incultas, haviam de achar os homens degenerados em todas as espécies de criaturas: haviam de achar homens brutos, haviam de achar homens troncos, haviam de acharhomens pedras [...]“.
II. No trecho do Sermão do bom ladrão ‐ “Alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar o nosso bem, mas cá vem buscar os nossos bens”, ‐ observa‐se que, na passagem “Vem cá versus cá vem o nosso bem versus os nossos bens”, a oposição singular versus plural é bastante significativa, pois assegura a distinção entre o concreto e o abstrato, o que também é reforçado pela polissemia do verbo “buscar”, equivalente a “promover”, no primeiro caso e a “apossar‐se”, no segundo.
III. O Sermão do bom ladrão, publicado em 1655, exemplo do estilo conceptista de Vieira, traz, em tom jocoso, referências universais e atemporais do ato de furtar, produzido por autoridades, como se vê em: “O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera [...]”.
IV. Marcada pelo dualismo da tendência barroca, quase sempre em estilo cultista, a poesia lírica amorosa de Gregório de Matos ora apresenta a mulher como um ser ideal, espiritualizado e de postura platônica, ora a apresenta de maneira erótica, como um elemento de desejos mundanos, como fica sugerido no trecho: “Mas vejo, que por bela, e por galharda / Posto que os Anjos nunca dão pesares, / Sois Anjo que me tenta, e não me guarda”.
V. Em sua poesia satírica, Gregório de Matos, por respeito aos religiosos, deixou de retratálos e censurou apenas as mais diversas figuras civis e militares do Brasil de então. Assim também o fez com as contradições do sistema colonial vigente no país. A exemplo do que se afirma nos versos “Triste Bahia! Ó quão dessemelhante / Estás e estou do nosso antigo estado! / Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, / Rica te vi eu já, tu a mi abundante”.
Estão CORRETOS, apenas,
Considere as informações a seguir sobre os poemas de Mario Quintana (MQ) e Paulo Leminsk (PL).
I. Um dos efeitos poéticos obtidos por Mario Quintana e Paulo Leminski se percebe na utilização diferenciada das palavras, que transcendem a esfera do juízo lógico e deliberativo em ambos os textos.
II. O efeito poético também decorre do uso de certas palavras de forma diferente da usual, como se pode observar em: “As cousas são quietas. Bastam-se. / Não se metem com ninguém.” (MQ) e “ Mandei a frase sonhar, / e ela se foi num labirinto.” (PL)
III. Uma das marcas da poesia de Quintana, poeta concretista, é a plurissignificação das palavras em seu sentido denotativo, traço comum também à poesia de Paulo Leminski, autor de versos livres e brancos, realizados à moda do Classicismo de Camões.
IV. Em ambos os textos, as palavras se personificam em ações permeadas de idiossincrasia e subjetividade, como o que se lê em: “Eu sonho com um poema / Cujas palavras sumarentas escorram / Como a polpa de um fruto maduro em tua boca”, (MQ) e “Mandei a palavra rimar, / Ela não me obedeceu. ” (PL)
V. Os poemas enfatizam, respectivamente, o uso da língua e suas relações lógico-semânticas, e isso denota uma reflexão mais cuidadosa de seus autores acerca da exploração científica e estética da palavra poética.
Estão CORRETOS os itens
Uma correlação entre a produção literária e as condições histórico-sociais e políticas de cada sociedade revela mútuas influências além de evidenciar a importância cultural da Literatura. No Brasil, nessa perspectiva, podemos reconhecer que:
1) no período dominado pelo Barroco, predominava o interesse por resgatar os valores da cultura Greco-latina. Os textos literários desse período refletem esse dualismo, num incessante jogo de contrastes.
2) o Romantismo, ligado ao tempo da independência política do Brasil, representa o início de uma verdadeira literatura nacional. Daí o interesse pelas temáticas do indianismo, pela exaltação da natureza pátria, pela idealização subjetiva.
3) o Realismo/Naturalismo coincide com os princípios do Positivismo. Assim é que prevalece a negação do subjetivismo e a valorização do cientificismo. No Brasil, um representante que se destaca nesse período é Machado de Assis.
4) o Parnasianismo, negando o sentimentalismo romântico, intenta chegar à ‘impessoalidade’ e ao racionalismo. Tem como traço característico, o culto da forma. Filia-se à estética da “arte pela arte”.
5) o Modernismo ganha corpo no início do século passado. Responde ao apelo dos movimentos de vanguarda, ciosos por cultivar a liberdade formal, romper com o academicismo e validar os padrões da linguagem nacional.
Estão corretos os comentários feitos em:
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas que partem do centro da circunferência, que, quanto mais continuadas, tantos menos unidas. (..) A razão natural de toda essa diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso quanto mais o amor?
(Padre Antonio Vieira, Sermão do mandato)Padre António Vieira é reconhecido como um dos expoentes do período literário conhecido como o Barroco, período:
1) que reflete um momento conturbado da história do continente europeu.
2) caracterizado pelo desequilíbrio entre razão e emoção, pela expressão da dualidade humana.
3) cuja visão conflitante se manifestava pelo uso reiterado de figuras de linguagem, sobretudo de inversões e de antíteses.
4) em que à retórica argumentativa foi atribuída uma função socialmente relevante, como no trecho do sermão mostrado acima.
Estão corretas:
TEXTO 5
O que há de mais importante na literatura, sabe? É a aproximação, a comunhão que ela estabelece entre seres humanos, mesmo a distância, mesmo entre mortos e vivos. O tempo não conta para isso. Somos contemporâneos de Shakespeare e de Virgílio. Somos amigos pessoais deles. (...) O maior prêmio de Estocolmo ou dos Estados Unidos não vale o telegrama de amor que alguém desconhecido, e que não conheceremos nunca, nos manda lá do Pará porque leu uma coisa nossa e ficou comovido e rendido. O telegrama não é para nós, é para a nossa vaidade. É uma voz do coração e do espírito, solta no ar, que nos atinge e repercute em nós. Dito assim, fica meio grandiloquente, mas não sei dizer melhor, você entenderá. Quem já sentiu isso compreende sem explicação. Funciona. É. E constitui uma das grandes alegrias da vida. Palavra, música, arte de todas as formas: essas coisas têm sua magia. Ai de quem não a sente.
(Carlos Drummond de Andrade. Tempo, vida, poesia. Rio de Janeiro: Record, 1986, p. 58-59).As palavras de Drummond expostas acima:
1) confirmam o entendimento de que a literatura constitui uma criação artística, mágica e atemporal.
2) atribuem uma certa magia à amizade, cuja compreensão e cujos poderes prescindem de qualquer explicação.
3) enaltecem a interação que a arte literária, pelo seu encantamento, provoca entre as pessoas, superando as barreiras do tempo e da distância.
4) constituem uma espécie de lamento em relação à dificuldade para expressar, com simplicidade, certos sentimentos.
Estão corretas:
Segundo Afrânio Coutinho, o fragmento “Notas de Teoria literária”:
“A ficção distingue-se de história e da biografia, por estas serem narrativas de fatos reais. A ficção é produto da imaginação criadora, embora, como toda arte, suas raízes mergulhem na experiência humana. Mas o que a distingue das outras formas de narrativa é que ela é uma transfiguração ou transmutação da realidade, feita pelo espírito do artista, este imprevisível e inesgotável laboratório. A ficção não pretende fornecer um simples retrato da realidade, mas antes criar uma imagem da realidade, uma reinterpretação, uma revisão. É o espetáculo da vida através do olhar interpretativo do artista, a interpretação artística da realidade”.
(Afrânio Coutinho. Notas de Teoria Literária).O fragmento apresentado acima confirma a concepção de que a narrativa de ficção, embora tenha origem na experiência real, seja uma transfiguração da realidade, a exemplo das seguintes criações do Romance brasileiro:
1) Machado de Assis, em Memórias póstumas de Brás Cubas, que dá voz a um defunto, que narra, logo no primeiro capítulo, os pormenores de sua morte.
2) Graciliano Ramos, em Vidas Secas, que pretendendo manter indícios do Simbolismo, afastou-se dos princípios literários românticos.
3) Guimarães Rosa, em Grande Sertão Veredas, que optou por transfigurar não apenas traços da realidade, mas entrou pela área linguística e a reinterpretou também.
4) Clarice Lispector, em A hora da Estrela, que, fiel à ficção, questiona sua própria habilidade para compor uma narração no gênero ‘romance’.
Estão corretas:
No Brasil, o chamado Movimento Modernista:
1) buscou a valorização da identidade, da história e da cultura nacionais.
2) defendeu a liberdade de criação da obra literária, incorporando temas, vocabulário e sintaxes peculiares aos usos nacionais.
3) cultivou a expressão do cotidiano, optando, assim, na prosa, pelo uso de uma linguagem coloquial e, na poesia, pelo verso livre.
4) na primeira geração de seus autores teve como expoentes Mário de Andrade e Oswaldo de Andrade.
5) na segunda geração, contou com as obras de Manuel Bandeira (Cinza das Horas) e de João Cabral de Melo Neto (Morte e Vida Severina).
Estão corretas:
Lima Barreto e a sua obra estão inseridos na chamada literatura pré-modernistas. Crítico da sociedade do seu tempo e dos descaminhos que o projeto republicano foi tomando no Brasil, Lima Barreto também abordou em sua obra outros temas como:
1) o racismo e a herança da escravidão.
2) a herança armorial na cultura brasileira.
3) o nacionalismo xenofóbico.
4) a defesa da nobreza agrária.
5) a vida intelectual carioca.
Estão corretas: