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LiteraturaCESMAC2022

Após a Semana de Arte Moderna, alguns escritores de diferentes regiões do país começaram a produzir obras em prosa que retratavam criticamente a realidade social e política do Brasil. Passaram a tematizar questões como a seca, a desigualdade social, a vida miserável e indigna dos retirantes, os costumes escravagistas e o coronelismo, apoiado na posse das terras. Esses problemas muitas vezes eram desconhecidos do público leitor dos centros urbanos da época.

Em 1926, em Recife, a proposta estética do Modernismo firmou-se em um Congresso, no qual escritores nordestinos tomaram a decisão de criar uma prosa regional comprometida com a participação política e a denúncia social.

(Graça Sette, Márcia Travalha; Rosário Starling. Literatura – trilhas e tramas. São Paulo: Leya, 2015, p. 494. Fragmento).

O Fragmento transcrito acima se refere ao movimento que deu origem ao conhecido “Romance de 30”, o qual contou, entre seus principais representantes e produções, os seguintes nomes:

1) José Lis do Rego (Menino de Engenho).

2) Graciliano Ramos (Caetés, São Bernardo. Vidas Secas).

3) Rachel de Queiroz (O Quinze), e Oswaldo de Andrade (Memórias sentimentais de João Miramar).

4) Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Murilo Mendes (Terras do sem fim).

Estão corretas as alternativas:

LiteraturaCESMAC2017

Analise o poema, transcrito abaixo.

A água é falsa, a água é boa.
Nada, nadador!
A água é mansa, a água é doida,
aqui é fria, ali é morna,
a água é fêmea.
Nada, nadador!
A água sobe, a água desce,
a água é mansa, a água é doida.
Nada, nadador!
A água te lambe, a água te abraça,
a água te leva, a água te mata.
Nada, nadador!
Senão, o que restará de ti, nadador?
Nada, nadador!
Jorge de Lima. Poemas escolhidos.

Veja acima o poema O Nadador, de autoria do poeta alagoano Jorge Lima. Analise os comentários que são feitos acerca de sua obra e, particularmente, acerca desse poema.
1) O poema exibe uma grande incidência de recursos reiterativos, sobretudo no âmbito da forma.
2) O poeta emprestou ao poema uma elaboração dialógica, muito semelhante às práticas sociais da conversação coloquial.
3) A obra poética de Jorge de Lima se insere na segunda geração dos modernistas brasileiros. Revelou-se um artista multifacetado, em constante mudança, pois recorreu a diferentes estilos e perspectivas estéticas.
4) Os dois últimos versos são bastante expressivos, pois exploram os efeitos de sentido provocados pelo recurso a uma homonímia.

Estão corretas as alternativas:

LiteraturaCESMAC2021

Acerca da “Prosa da ‘Geração de 30’”, conhecido como “O ciclo do regionalismo nordestino”, é uma das principais manifestações da prosa dessa geração. Nas obras desse grupo são abordados inúmeros problemas:

1) de um Nordeste decadente, desde que o polo cultural e político do Brasil se transferiu para o Sul do país.
2) provenientes das relações combativas doshabitantes com o poder regional e com os poderosos latifundiários.
3) do meio nordestino submetido, em anos consecutivos, às hostilidades de um meio estéril e ingrato.
4) abordados, em um tom crítico e persuasivo, que mereceram destaque em nossa literatura.

Estão corretas as alternativas:

LiteraturaFAMEVAÇO2016

O texto abaixo reproduz algumas estrofes do poema “Um cadáver de poeta”, do romântico Álvares de Azevedo.

De tanta inspiração e tanta vida

Que os nervos convulsivos inflamava

E ardia sem conforto...

O que resta? uma sombra esvaecida,

Um triste que sem mãe agonizava...

Resta um poeta morto!

Morrer! e resvalar na sepultura,

Frias na fronte as ilusões – no peito

Quebrado o coração!

Nem saudades levar da vida impura

Onde arquejou de fome... sem um leito!

Em treva e solidão!

Tu foste como o sol; tu parecias

Ter na aurora da vida a eternidade

Na larga fronte escrita...

Porém não voltarás como surgias!

Apagou-se teu sol da mocidade

Numa treva maldita!

Tua estrela mentiu. E do fadário

De tua vida a página primeira

Na tumba se rasgou...

Pobre gênio de Deus, nem um sudário!

Nem túmulo nem cruz! como a caveira

Que um lobo devorou!...

[...]

(AZEVEDO, A. Lira dos vintes anos e outros poemas. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2006. p.109)

Sobre esse poema, analise as afirmativas a seguir.

I. A obsessão com a morte, presente no trecho, é uma das formas do escapismo romântico.
II. A emoção excessiva, explicitada pelo uso recorrente dos pontos de exclamação, revela um desejo de fuga da realidade, da problemática existencial.
III. O egocentrismo romântico, ligado ao tema da morte, produz um tom de lamentação em relação à finitude do poeta.
IV. A subjetividade, característica da escola romântica, é expressa pela forte presença da marcas de 1ª pessoa do “eu lírico”.

Estão CORRETAS as afirmativas.

LiteraturaFDSM2017

Observe as afirmações abaixo

I - Encontramos no Romantismo brasileiro, por excelência, o subjetivismo, a idealização, o indianismo, o nacionalismo, entre outros aspectos.

II - Na arte, romântica nota-se uma forte valorização do indivíduo: na prosa, destaca-se a figura idealizada do herói romântico; na poesia, o eu lírico volta-se para si mesmo, buscando retratar seu mundo interior e suas dificuldades de relacionar-se com o mundo externo.

III - A fuga da realidade, uma das caraterísticas do romantismo, pode se manifestar como fuga ao passado (Idade Média ou infância), para a natureza, para vida boêmia, para a morte.

Estão corretas as afirmativas:

LiteraturaUNIMONTES2019

INSTRUÇÃO: Leia o fragmento abaixo de Álvares de Azevedo, considerado o mais importante poeta da chamada geração ultrarromântica brasileira, para responder à questão.

NAMORO A CAVALO
Eu moro em Catumbi: mas a desgraça,
Que rege minha vida maldada,
Pôs lá no fim da rua do Catete
A minha Dulcinéia namorada.

Alugo (três mil réis) por uma tarde
Um cavalo de trote (que esparrela!)
Só para erguer meus olhos suspirando
A minha namorada na janela...
[...]
O cavalo ignorante de namoro,
Entre dentes tomou a bofetada,
Arrepia-se, pula e dá-me um tombo
Com pernas para o ar, sobre a calçada...

Dei ao diabo os namoros. Escovado
Meu chapéu que sofrera no pagode...
Dei de pernas corrido e cabisbaixo
E berrando de raiva como um bode.

Circunstância agravante. A calça inglesa
Rasgou-se no cair de meio a meio,
O sangue pelas ventas me corria
Em paga do amoroso devaneio!...

Fonte: AZEVEDO, Álvares de. Lira dos vinte anos. p. 120. Disponível em: www.nead.unama.br. Acesso em: 11 nov. 2019.

Analise as afirmativas abaixo.

I - Encontramos, nesse fragmento, uma vertente satírica da poética de Álvares de Azevedo, em que o eu lírico critica os exageros do sentimentalismo romântico.

II - O poema em questão não pode ser enquadrado dentro da estética romântica, devido à abordagem irônica ao sentimentalismo daquela escola literária.

III - Apesar do aspecto sarcástico do poema, há a representação de um amor não realizado, platônico, característica recorrente na obra de Álvares de Azevedo.

Estão CORRETAS as afirmativas:

LiteraturaUNIMONTES2020

[...] Nada o esperta. Nenhuma ferrotoada o põe de pé. Social, como individualmente, em todos os atos da
vida, Jeca, antes de agir, acocora-se.
Jeca Tatu é um piraquara do Paraíba, maravilhoso epítome de carne onde se resumem todas as
características da espécie.
Ei-lo que vem falar ao patrão. Entrou, saudou. Seu primeiro movimento após prender entre os lábios a
palha de milho, sacar o rolete de fumo e disparar a cusparada d’esguicho, é sentar-se jeitosamente sobre os
calcanhares. Só então destrava a língua e a inteligência.
– “Não vê queT
De pé ou sentado as ideias se lhe entramam, a língua emperra e não há de dizer coisa com coisa.
De noite, na choça de palha, acocora-se em frente ao fogo para “aquentá-lo”, imitado da mulher e da prole.
Para comer, negociar uma barganha, ingerir um café, tostar um cabo de foice, fazê-lo noutra posição será
desastre infalível. Há de ser de cócoras.
Nos mercados, para onde leva a quitanda domingueira, é de cócoras, como um faquir do Bramaputra, que
vigia os cachinhos de brejaúva ou o feixe de três palmitos.
Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade!
Jeca mercador, Jeca lavrador, Jeca filósofoT
Quando comparece às feiras, todo mundo logo advinha o que ele traz: sempre coisas que a natureza
derrama pelo mato e ao homem só custa o gesto de espichar a mão e colher – cocos de tucum ou jiçara, guabirobas,
bacuparis, maracujás, jataís, pinhões, orquídeas ou artefatos de taquarapoca – peneiras, cestinhas, samburás, tipitis,
pios de caçador ou utensílios de madeira mole – gamelas, pilõezinhos, colheres de pau.
Nada Mais.
Seu grande cuidado é espremer todas as consequências da lei do menor esforço – e nisto vai longe. [...]

Disponível em: http://paginapessoal.utfpr.edu.br/fabiomesquita/textos/obras-literarias/Monteiro%20Lobato%20-%20Urupes.pdf/view. Acesso em 14 out. 2021. Adaptado.

Sobre o conto, analise as afirmativas que se seguem.

I. No conto, Monteiro Lobato apresenta o personagem Jeca Tatu, o qual é o representante do “caboclismo”, termo usado pelo autor em analogia ao indianismo do período do Romantismo brasileiro.
II. O título da obra e do conto surge do nome de uma árvore, “urupê”, espécie nativa do Vale do Paraíba, região onde vivia o autor.
III. Na obra Urupês, fazem-se presentes características da fala brasileira da zona rural, com coloquialismos e neologismos.
IV. Jeca Tatu é caracterizado negativamente como um caboclo sem nenhum tipo de educação e cultura, homem ingênuo e repleto de crendices.

Estão CORRETAS as afirmativas:

LiteraturaUEMS2009

O aprendiz de feiticeiro “guarda sempre intacto um ângulo indecifrável que oculta.”

SILVA, M. L. B. da. “O aprendiz de feiticeiro: poesia, decifração e transcendência”. In: QUINTANA, Mário. O aprendiz de feiticeiro. São Paulo. Globo. 1994.

Essa consideração, sobre a obra de Mário Quintana, aponta o pensamento de que sua poesia:

I. Nem sempre pode ser entendida de forma lógica.

II. Só pode ser compreendida por iniciados.

III. É complexa e enigmática. IV. Não pretende esclarecer o mistério do mundo.

V. Pode ser apenas objeto de conhecimento científico.

Estão corretas as afirmativas:

LiteraturaPUC-RS2015

Para responder à questão, leia o excerto do texto dramático O auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.

MANUEL – Sim, é Manuel, o Leão de Judá, o Filho de Davi. Levantem-se todos pois vão ser julgados.

JOÃO GRILO – Apesar de ser um sertanejo pobre e amarelo, sinto que estou diante de uma grande figura. Não quero faltar com o respeito a uma pessoa tão importante, mas, se não me engano, aquele sujeito acaba de chamar o senhor de Manuel.

MANUEL – Foi isso mesmo, João. Esse é um dos meus nomes, mas você pode me chamar também de Jesus, de Senhor, de Deus... Ele gosta de me chamar de Manuel ou Emanuel, porque assim quer se persuadir de que sou somente homem. Mas você, se quiser, pode me chamar de Jesus.

JOÃO GRILO – Jesus?

MANUEL – Sim.

JOÃO GRILO – Mas espere, o senhor é que é Jesus?
MANUEL – Sou.
JOÃO GRILO – Aquele a quem chamavam Cristo?
JESUS – A quem chamavam, não, que era Cristo.
Sou, por quê?

JOÃO GRILO – Porque... não é lhe faltando com o respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos queimado. [...] A cor pode não ser das melhores, mas o senhor fala bem que faz gosto. [...] MANUEL – Muito obrigado, João, mas agora é sua vez. Você é cheio de preconceito de raça. Vim hoje assim de propósito, porque sabia que ia despertar comentários. Que vergonha! Eu, Jesus, nasci branco e quis nascer judeu, como podia ter nascido preto. Para mim tanto faz um branco ou um preto. Você pensa que sou americano para ter preconceito de raça?

Com base no diálogo e na obra literária de Ariano Suassuna, analise as afirmativas.

I. João Grilo mostra-se desrespeitoso diante de um Jesus negro, que não corresponde às suas expectativas.

II. Na sua fala, Manuel demostra que o valor das pessoas independe da cor da pele.

III. O companheiro inseparável de João Grilo, Chicó, é um contador de estórias que se caracteriza como uma espécie de mentiroso ingênuo.

IV. A obra dramática de Ariano Suassuna mostra-se alinhada a uma tradição literária ibérica que apresenta obras fundacionais, como o Auto da barca do Inferno, de Gil Vicente.

Estão corretas as afirmativas

LiteraturaFACISA2015

Podem ser elencadas como características marcantes dos poemas de Augusto dos Anjos:

I. Uso abundante de aliterações, sinestesias e ideias transcendentais do Simbolismo.

II. Emprego do cultismo, do conceptismo e das imagens hiperbólicas do Barroco.

III. Uso do soneto, das sinéreses, das rimas preciosas e da métrica rígida típicos do Parnasianismo.

IV. Uso de termos esdrúxulos, conceitos científicos e concepção materialista da existência herdados do chamado Modernismo tardio.

V. Apelo ao gótico, obsessão pela morte, religiosidade e nacionalismo ufanista típicos do Ultra-romantismo.

Estão CORRETAS as afirmativas