O conto Teoria do medalhão, de Machado de Assis, é um diálogo no qual um pai mostra ao filho o caminho que deve trilhar para se tornar um medalhão: um figurão, uma pessoa importante, uma celebridade da época. Ao final do conto lemos esta última advertência do pai: “Guardadas as proporções, a conversa desta noite vale O Príncipe, de Maquiavel.”
Esta frase expõe um procedimento comum na obra de Machado, qual seja:
Leia o trecho de São Bernardo, de Graciliano Ramos, para responder a questão.
Conforme declarei, Madalena possuía um excelente coração. Descobri nela manifestações de ternura que me sensibilizaram. E, como sabem, não sou homem de sensibilidades. É certo que tenho experimentado mudanças nestes dois últimos anos. Mas isto passa.
(S. Bernardo. 93. ed. Rio de Janeiro, Record, 2012)“Descobri nela manifestações de ternura que me sensibilizaram.”
Está escrito em consonância com o conteúdo dessa frase e com uma forma verbal na voz passiva o que se encontra em:
Um grande poeta brasileiro foi João Cabral de Melo Neto, conhecido por poemas marcantes e muito bem trabalhados. Em Morte e vida Severina, o trecho abaixo refere-se à chegada do protagonista em uma nova fitofisionomia, depois de atravessar a caatinga:
Bem me diziam que a terra
se faz mais branda e macia
quando mais do litoral
a viagem se aproxima.
Agora afinal cheguei
nesta terra que diziam.
Como ela é uma terra doce
para os pés e para a vista.
Os rios que correm aqui
têm água vitalícia.
Esta descrição corresponde
Leia o trecho do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, para responder a questão
Uma janela aberta deixava entrar o vento, que sacudia frouxamente as cortinas, e eu fiquei a olhar para as cortinas, sem as ver. Empunhara o binóculo da imaginação; lobrigava, ao longe, uma casa nossa, uma vida nossa, um mundo nosso, em que não havia Lobo Neves, nem casamento, nem moral, nem nenhum outro liame, que nos tolhesse a expansão da vontade. Esta ideia embriagou-me; eliminados assim o mundo, a moral e o marido, bastava penetrar naquela habitação dos anjos.
— Virgília, disse eu, proponho-te uma coisa.
— Que é?
— Amas-me?
— Oh! suspirou ela, cingindo-me os braços ao pescoço.
Virgília amava-me com fúria; aquela resposta era a verdade patente. Com os braços ao meu pescoço, calada, respirando muito, deixou-se ficar a olhar para mim, com os seus grandes e belos olhos, que davam uma sensação singular de luz úmida; eu deixei-me estar a vê-los, a namorar-lhe a boca, fresca como a madrugada, e insaciável como a morte. A beleza de Virgília tinha agora um tom grandioso, que não possuíra antes de casar. Era dessas figuras talhadas em pentélico, de um lavor nobre, rasgado e puro, tranquilamente bela, como as estátuas, mas não apática nem fria. Ao contrário, tinha o aspecto das naturezas cálidas, e podia-se dizer que, na realidade, resumia todo o amor. Resumia-o sobretudo naquela ocasião, em que exprimia mudamente tudo quanto pode dizer a pupila humana. Mas o tempo urgia: deslacei- -lhe as mãos, peguei-lhe nos pulsos, e, fito nela, perguntei se tinha coragem.
— De quê?
— De fugir.
(Memórias póstumas de Brás Cubas, 2001.)
Está correto o seguinte comentário sobre o texto:
Leia o trecho do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, para responder a questão.
Uma janela aberta deixava entrar o vento, que sacudia frouxamente as cortinas, e eu fiquei a olhar para as cortinas, sem as ver. Empunhara o binóculo da imaginação; lobrigava, ao longe, uma casa nossa, uma vida nossa, um mundo nosso, em que não havia Lobo Neves, nem casamento, nem moral, nem nenhum outro liame, que nos tolhesse a expansão da vontade. Esta ideia embriagou-me; eliminados assim o mundo, a moral e o marido, bastava penetrar naquela habitação dos anjos.
— Virgília, disse eu, proponho-te uma coisa.
— Que é?
— Amas-me?
— Oh! suspirou ela, cingindo-me os braços ao pescoço.
Virgília amava-me com fúria; aquela resposta era a verdade patente. Com os braços ao meu pescoço, calada, respirando muito, deixou-se ficar a olhar para mim, com os seus grandes e belos olhos, que davam uma sensação singular de luz úmida; eu deixei-me estar a vê-los, a namorar-lhe a boca, fresca como a madrugada, e insaciável como a morte. A beleza de Virgília tinha agora um tom grandioso, que não possuíra antes de casar. Era dessas figuras talhadas em pentélico, de um lavor nobre, rasgado e puro, tranquilamente bela, como as estátuas, mas não apática nem fria. Ao contrário, tinha o aspecto das naturezas cálidas, e podia-se dizer que, na realidade, resumia todo o amor. Resumia-o sobretudo naquela ocasião, em que exprimia mudamente tudo quanto pode dizer a pupila humana. Mas o tempo urgia: deslacei- -lhe as mãos, peguei-lhe nos pulsos, e, fito nela, perguntei se tinha coragem.
— De quê?
— De fugir.
Está correto o seguinte comentário sobre o texto:
TEXTO 1
OFF PRICE
[1]Que a sorte me livre do mercado
e que me deixe
continuar fazendo (sem o saber)
fora de esquema
[5] meu poema
inesperado
e que eu possa
cada vez mais desaprender
de pensar o pensado
[10] e assim poder
reinventar o certo pelo errado
(Ferreira Gullar. Em alguma parte alguma. p.35.)Atente ao que é dito abaixo sobre a segunda estrofe do poema.
I. Com pensar o pensado deve-se entender escrever sem inovações, usando clichês e frases feitas.
II. O verbo desaprender, em desaprender / de pensar o pensado, deve ser entendido como "esquecer", "deixar de fazer".
III. Com reinventar o certo pelo errado, o eu poético sugere que só se cria o novo quando se tem coragem de infringir as normas linguísticas consagradas.
Está correto o que se diz
Está correto o que se afirma sobre as obras de Graciliano Ramos e de Guimarães Rosa em:
Atente para o trecho abaixo:
“Eu tinha uns quatro anos no dia em que minha mãe morreu. Dormia no meu quarto, quando pela manhã acordei com um enorme barulho na casa toda. Eram gritos e gente correndo para todos os cantos. O quarto de dormir de meu pai estava cheio de pessoas que eu não conhecia. Corri para lá e vi minha mãe estendida no chão e meu pai caído em cima dela como um louco. A gente toda que estava ali olhava para o quadro como se estivesse a assistir a um espetáculo. Vi então que minha mãe estava toda banhada em sangue, e corri para beijá-la, quando me pegaram pelo braço com força. Chorei, fiz o possível para livrar-me. Mas não me deixaram fazer nada.”
( José Lins do Rego, Menino de Engenho)A partir do texto acima, é possível afirmar que
I. Menino de Engenho é um romance modernista, pois se utiliza de linguagem coloquial, típica da primeira fase do modernismo, de que faz parte.
II. a narrativa memorialista de Menino de Engenho é um traço comum no regionalismo brasileiro e no chamado “Romance de 30”.
III. a expressão “banhada em sangue” pode ser considerada uma hipérbole, o que potencializa o horror da cena que o menino presencia.
IV. na expressão “Eram gritos e gente correndo”, há uma personificação, pois os gritos “correm” pela casa, o que é típico da linguagem lírica do romance regionalista.
V. a presença do narrador em primeira pessoa faz o romance ser memorialista, o que significa retomar, biograficamente, a vida do autor.
Está correto o que se afirma nas proposições
Atente para o trecho abaixo:
“A morte súbita de Ezequiel Escobar, o amigo e compadre, no banho de mar, desfaz subitamente o engano daquelas vidas. É um desnudamento das consciências, dando lugar à aparição das coisas ocultas. A atitude patética de Capitu em face do cadáver do amigo esgota e confirma as dúvidas recentes de Bentinho, quando vinha notando a semelhança crescente do pequeno Ezequiel com o morto. Vê-se afinal a substância mesma do livro que é a infidelidade de Capitu.”
(Afrânio Coutinho, A Literatura no Brasil – vol. 3)Tendo como base o texto acima, é possível afirmar que
I. Dom Casmurro, tendo como tema central a infidelidade (o triângulo amoroso), é um romance do período Romântico, fase inicial da obra de Machado de Assis.
II. o Realismo, mesmo rompendo com vários traços do Romantismo, ainda utilizava temas da escola anterior, como o da infidelidade, por exemplo.
III. Afrânio Coutinho é da opinião de que é impossível determinar se Capitu traiu ou não Bentinho, embora a traição seja declarada pelo narrador onisciente do romance.
IV. a “atitude patética” de Capitu, seu choro no enterro de Escobar, é, para Bentinho, mais uma prova a respeito da verdadeira relação da esposa com o amigo.
V. sendo um romance impressionista, a vida cotidiana não é presente no livro, sendo a narração apenas um “desnudamento das consciências”.
Está correto o que se afirma nas proposições
Meu Sonho
Álvares de Azevedo
Tu,
Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangrenta na mão?
Por que brilham teus olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?
Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso…
E galopas do vale através…
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?
Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?…
Tu escutas… Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?
Cavaleiro, quem és? - que mistério,
Quem te força da morte no império
Pela noite assombrada a vagar?
O Fantasma
Sou o sonho da tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!…
Sobre o poema, são apresentadas as seguintes afirmativas:
I. A estética do texto é uma característica da 2a geração do Romantismo.
II. O eu-lírico dialoga com outro ser horrendo, o que representa a angústia e o medo.
III. A temática apresenta ausência de fronteira entre sonho e realidade.
Está correto o que se afirma em: