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LiteraturaFGV-SP2014

O período da literatura brasileira posterior ao clímax do chamado Modernismo “paulista” – período esse também conhecido como “Modernismo de 1930”, no qual surge, por exemplo, o chamado “romance nordestino”,

I beneficiou-se da liberdade de pesquisa estética conquistada pelo primeiro Modernismo, a qual incorporou e normalizou;

II procurou enraizar fortemente suas histórias e personagens em realidades bem determinadas e concretas e,

III com frequência, introjetou nas obras a radicalização político-ideológica característica do período.

Está correto o que se afirma em

LiteraturaUSP2016

Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira.

Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.

Noventa por cento de ferro nas calçadas.

Oitenta por cento de ferro nas almas.

E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,

vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem

[horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,

é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:

este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;

esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil; este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;

este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público.

Itabira é apenas uma fotografia na parede.

Mas como dói!

Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo.

Tendo em vista que o poema de Drummond contém referências a aspectos geográficos e históricos determinados, considere as seguintes afirmações:

I. O poeta é “de ferro” na medida em que é nativo de região caracterizada pela existência de importantes jazidas de minério de ferro, intensamente exploradas.

II. O poeta revela conceber sua identidade como tributária não só de uma geografia, mas também de uma história, que é, igualmente, a da linhagem familiar a que pertence.

III. A ausência de mulheres de que fala o poeta refere-se à ampla predominância de população masculina, na zona de mineração intensiva de que ele é originário.

Está correto o que se afirma e

LiteraturaFIP2017

Quem sabe se nesta terra
Não plantarei minha sina?
Não tenho medo da terra
Cavei pedra toda a vida
E para quem lutou a braço
Contra a pirraça da caatinga
Fácil será amansar
Esta aqui, tão feminina.
NETO, João Cabral de Melo. Morte e Vida Severina.

A propósito do texto, seguem as afirmativas:

I. Trata-se de um gênero épico, pois relata um grande feito.
II. É narrativo, por apresentar regionalismo social.
III. É dramático, com linguagem fortemente poética.
IV. É dramático, sem apresentar lirismo.

Está correto o que se afirma apenas em:

LiteraturaFIP2017

MEUS OITO ANOS

Casimiro de Abreu

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia. (...)

A propósito do texto, seguem as afirmativas:

I. O eu-lírico foge da realidade presente para um passado idealizado.
II. O autor dissocia os aspectos formais dos emocionais.
III. A voz poética revela-se saudosista.
IV. O eu-lírico expressa seus sentimentos.

Está correto o que se afirma apenas em:

LiteraturaFIP2017

Este é o rio, a montanha é esta,
Estes os troncos, entre os rochedos;
São estes inda os mesmos arvoredos;
Esta é a mesma rústica floresta.

Tudo cheio de horror se manifesta,
Rio, montanha, troncos e penedos;
Que de amor nos suavíssimos enredos
Foi cena alegre, e urna é já funesta.

Oh quão lembrado estou de haver subido
Aquele monte, e às vezes, que baixando
Deixei de pranto o vale umedecido!

Tudo me está a memória retratando;
Que da mesma saudade o infame ruído
Vem as mortas espécies despertando.
COSTA, Cláudio Manuel da. Obras Primas da Língua Portuguesa. 1968.

A propósito do texto, seguem as afirmativas:

I. A natureza é retratada como um cenário tranquilo, considerar o sentimento de quem escreve.
II. A antítese “Foi uma cena alegre, e urna é já funesta” representa a trajetória do tempo, passado e presente, na memória do eu-lírico.
III. O poema é exemplo típico do Arcadismo, pois nele constata-se o predomínio da razão sobre a emoção.
IV. Percebe-se uma identificação entre o poeta e a natureza que o rodeia.

Está correto o que se afirma apenas em:

LiteraturaFIP2017

“Eu te amei desde o momento em que te vi! Eu te amei por séculos nestes poucos dias que passamos juntos na terra. Agora que a minha vida só se conta por instantes, amo-te em cada momento por uma existência inteira. Amo-te ao mesmo tempo com todas as afeições que se pode ter neste mundo. Vou te amar enfim por toda a eternidade. (...) Terminei ontem este manuscrito, que lhe envio ainda úmido de minhas lágrimas. Relendo-o, admirei como tivera a coragem de alguma vez, no correr desta história, deixar minha pena rir e brincar, quando meu coração ainda sente saudade, que sepultou-se nele para sempre. É porque, repassando na memória essa melhor porção de minha vida, alheio-me tanto do presente, que revivo hora por hora aqueles dias de ventura, como de primeiro os vivos, ignorando o futuro, e entregue todo às emoções que senti outrora. (...)”

Lucíola, José de Alencar

A propósito do trecho, seguem-se as afirmativas:

I. Idealiza o amor não concretizado e a morte como manifestação de fuga, características típicas do Romantismo.

II. Representa a profanação do amor verdadeiro diante da realização do amor puro.

III. Exalta a subjetividade, característica do Romantismo, enaltecendo o “eu” diante de seus sentimentos.

IV. Apresenta um lirismo bucólico e melancólico, característico do Naturalismo.

Está correto o que se afirma apenas em:

LiteraturaUECE2014

TEXTO II

PORTÃO

O portão fica bocejando, aberto

para os alunos retardatários.

Não há pressa em viver

nem nas ladeiras duras de subir,

[50] quanto mais para estudar a insípida cartilha.

Mas se o pai do menino é da oposição,

à ilustríssima autoridade municipal,

prima por sua vez da sacratíssima

autoridade nacional,

[55] ah, isso não: o vagabundo

ficará mofando lá fora

e leva no boletim uma galáxia de zeros.

A gente aprende muito no portão

fechado.

ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Carlos Drummond de Andrade: Poesia e Prosa. Editora Nova Aguilar:1988. p. 506-507.

Considere as seguintes afirmações sobre os dois versos finais.

I. A separação desses dois versos em uma estrofe é um recurso que enfatiza as ideias de exclusão, parcialidade e preconceito presentes no poema.

II. Os dois versos constituem um enunciado que expressa uma afirmação de valor individual ou particular.

III. Esse enunciado apresenta a estrutura linguística do axioma (máxima, provérbio, anexim): é breve, expressa um conceito sobre a realidade, tem o objetivo de ensinar e emprega o presente do indicativo.

Está correto o que se afirma apenas em

LiteraturaFACISA2021

Tratando da poesia do Padre José de Anchieta, Alfredo Bosi (em Dialética da Colonização) diz que quando Anchieta “escrevia para os nativos, ou para os colonos que já entendiam a linguagem geral da costa, o missionário adotava quase sempre o idioma tupi. [...] O poeta procura, no interior dos códigos tupis, moldar uma forma poética bastante próxima das medidas trovadorescas em suas variantes populares ibéricas: com o verso redondilho forja quadras e quintilhas nas quais se arma um jogo de rimas ora alternadas, ora opostas.”

(BOSI, Alfredo. Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 64)

A partir do trecho acima, pode-se dizer que

I. para Bosi, a poesia de Anchieta é ainda, de certa forma, medieval.

II. Anchieta buscava unir a forma poética europeia à linguagem tupi, para alcançar os nativos e, ainda assim, aproximá-los da cultura ibérica.

III. Anchieta busca, a partir da poesia, ensinar a linguagem ibérica aos nativos.

Está correto o que se afirma

LiteraturaFACISA2019

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

(Trecho do “Poema de Sete Faces”, de 1930, de Carlos Drummond de Andrade)

A partir do trecho acima, pode-se dizer que

I. a repetição da palavra “mundo” tem a função de aumentar a vastidão do mundo, tornando ainda mais vasto o coração do eu lírico.

II. a rima aparece como elemento anacrônico, já que no Modernismo ela não era praticada, devido ao uso do verso livre.

III. a palavra “mundo”, estando “dentro” da palavra “Raimundo”, coloca, assim, o mundo dentro do eu lírico, mesmo que ele tivesse outro nome, o que não solucionaria seu problema sentimental.

Está correto o que se afirma

LiteraturaFACISA2019

Leia o trecho abaixo para responder à questão.

Esta Ilha de Maré, ou de alegria,
Que é termo da Bahia
Tem quase tudo quanto o Brasil todo,
Que de todo o Brasil é breve apodo;
E se algum tempo Citereia a achara,
Por esta sua Chipre desprezara,
Porém tem com Maria verdadeira
Outra Vênus melhor por padroeira.

(Trecho final de “À Ilha de Maré”, de 1705, de Botelho de Oliveira)

Tendo como referência o excerto acima, pode-se dizer que

I. o poeta se utiliza da Ilha de Maré, lugar fictício, para falar dos problemas do Brasil.

II. o poeta coloca Vênus como sendo superior a Maria, mãe de Jesus, já que os escritores clássicos retomavam a cultura da Antiguidade greco-romana.

III. sendo um texto barroco, é comum a utilização de figuras da mitologia greco-romana (a exemplo de Vênus) juntamente com figuras do cristianismo (como Maria).

Está correto o que se afirma