Leia o texto abaixo:
“Os primeiros escritos da nossa vida [...] são informações que viajantes e missionários europeus colheram sobre a natureza e o homem brasileiro.
[...]
Em mais de um momento a inteligência brasileira, reagindo contra certos processos agudos de europeização, procurou nas raízes da terra e do nativo imagens para se afirmar em face do estrangeiro: então, os cronistas voltaram a ser lidos, e até glosados, tanto por um Alencar romântico e saudosista como por um Mário ou um Oswald de Andrade modernistas. Daí o interesse obliquamente estético da ‘literatura’ de informação.”
(BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 43 ed. São Paulo: Cultrix, 2006)Tendo como referência o excerto acima, pode-se dizer que
I. a primeira “literatura” brasileira, a de informação, não pode ser considerada efetivamente como literatura.
II. os cronistas do descobrimento são sempre as referências literárias dos escritores em todas as épocas da literatura brasileira.
III. o interesse estético dos textos dos cronistas só existe indiretamente, a partir dos escritores literários que os citaram ou a eles fizeram referência.
Está correto o que se afirma
“No indianismo romântico, em verdade, é que se reúnem pela primeira vez três palavras já então densamente carregadas de sentido ideológico – o indianismo transformado em teoria social, o Romantismo a que o próprio índio deu causa e o nacionalismo de que, pelo menos no Brasil, passa a ser símbolo.”
(COUTINHO, Afrânio. A literatura no Brasil – Vol.3. 7 ed. São Paulo: Global, 2004, pp. 76-77)A partir do trecho acima, pode-se dizer que
I. o Romantismo brasileiro era exclusivamente indianista.
II. o indianismo romântico é característico do Romantismo brasileiro.
III. o nacionalismo é traço original do Romantismo brasileiro, não ocorrendo em outros países.
Está correto o que se afirma
“Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras, moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!”
A partir do trecho do poema “Navio Negreiro”, de Castro Alves, podese dizer que
I. a descrição das mulheres é idealizada, como era típico do romantismo indianista de Castro Alves.
II. o “voam” (em “E voam mais e mais...”) pode se referir aos sacolejos do navio nas ondas do mar.
III. a terceira estrofe revela o poeta Barroco que era Castro Alves na concatenação de ideias opostas.
Está correto o que se afirma
“À turva luz oscilante dos lampiões de petróleo, em linha, dando à noite lúgubres pavores de enterros, veem-se fundas e extensas valas cavadas de fresco, onde alguns homens ásperos, rudes, com o tom soturno dos mineiros, andam colocando largos tubos de barro para o encanamento das águas da cidade.
A terra, em torno dos formidáveis ventres abertos, revolta e calcária, com imensa quantidade de pedras brutas sobrepostas, dá ideia da derrocada de terrenos abalados por bruscas convulsões subterrâneas.”
Sobre o trecho acima, de Umbra, de Cruz e Sousa, pode-se dizer que
I. é claramente de prosa ficcional, já que a linguagem é literária, com alto índice de figuras, e não possui versos.
II. nada tem de simbolismo, pois a descrição é bastante nítida.
III. é de poema em prosa, espécie cultivada por poetas simbolistas como Cruz e Sousa.
Está correto o que se afirma
“A compreensão da literatura brasileira produzida nos períodos barroco, neoclássico e arcádico exige a fixação prévia de um conceito estético que regulou a criação literária durante toda a época situada entre o Renascimento e o Romantismo, conceito que só este derradeiro movimento logrou destronar: a imitação.”
(COUTINHO, Afrânio. A literatura no Brasil – Vol.2. 7 ed. São Paulo: Global, 2004, p. 9)Tendo como base o trecho acima, pode-se dizer que
I. a literatura brasileira acompanha os movimentos literários europeus, não tendo, assim, características próprias.
II. a era clássica, embora produza movimentos distintos uns dos outros, tem um conceito básico que perdura em todas as épocas literárias: a imitação.
III.na literatura brasileira, apenas no Romantismo os escritores romperam com a imitação clássica.
Está correto o que se afirma
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Olavo Bilac
A propósito desse poema, seguem as afirmativas:
I. O tema consiste numa expressão clara de valorização da língua portuguesa.
II. O substantivo Lácio refere-se à região onde nasceu o latim.
III. O eu-lírico refere-se à língua portuguesa como um idioma de fácil aprendizado.
IV. O termo “inculta” refere-se ao fato de o português ter-se originado do latim vulgar.
Está CORRETO apenas o que se afirma em:
Poética
Manuel Bandeira
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
(...)
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
A propósito do texto, seguem as afirmativas:
I. O eu-lírico critica todo lirismo na literatura.
II. O eu-lírico propõe um retorno ao lirismo clássico.
III. O eu-lírico propõe a criação de um novo lirismo.
Está correto apenas o que se afirma em:
Minha Musa
Minha musa é a lembrança
Dos sonhos em que eu vivi,
É de uns lábios a esperança
E a saudade que eu nutri!
É a crença que alentei,
As luas belas que amei
E os olhos por quem morri!
Os meus cantos de saudade
São amores que eu chorei,
São lírios da mocidade
Que murcham porque te amei!
As minhas notas ardentes
São as lágrimas dementes
Que em teu seio derramei!
Do meu outono os desfolhos,
Os astros do teu verão,
A languidez de teus olhos
Inspiram minha canção...
Sou poeta porque és bela,
Tenho em teus olhos, donzela,
A musa do coração!
Se na lira voluptuosa
Entre as fibras que estalei
Um dia atei uma rosa
Cujo aroma respirei...
Foi nas noites de ventura,
Quando em tua formosura
Meus lábios embriaguei!
E se tu queres, donzela,
Sentir minh'alma vibrar,
Solta essa trança tão bela,
Quero nela suspirar!
E dá repousar-me teu seio...
Ouvirás no devaneio
A minha lira cantar!
Sobre o poema, seguem as afirmativas:
I. A mulher é quem dá sentido à existência do eu-lírico.
II. Percebe-se no poema uma visão platônica do amor.
III. O lirismo expresso pelo eu-lírico é marcado pelo pessimismo e pela desesperança.
IV. A saudade da amada e a insatisfação com a realidade presente são características do homem da época.
Está correto apenas o que se afirma em:
Hino à Razão
Antero de Quental
Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece.
É a voz dum coração que te apetece,
Duma alma livre só a ti submissa.
Por ti é que a poeira movediça
De astros, sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.
Por ti, na arena trágica, as nações
buscam a liberdade entre clarões;
e os que olham o futuro e cismam, mudos,
Por ti podem sofrer e não se abatem,
Mãe de filhos robustos que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!
Sobre a análise do texto, seguem as afirmativas:
I. Há uma preocupação estética por parte do autor, que compõe o texto em forma de soneto, com
versos decassílabos.
II. O eu-lírico enaltece a razão, creditando a ela a manutenção da virtude e a força dos homens.
III. O eu-lírico expressa seu descontentamento com as estruturas sociais.
IV. A religiosidade presente no poema recupera o misticismo romântico.
Está correto apenas o que se afirma em:
Antífona
Ó formas alvas, brancas, formas claras
De luares, de neves, de neblinas!
Ó formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras
Formas do Amor, constelarmente puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas...
Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...
(...)
Sobre o poema, são feitas as seguintes afirmativas:
I. Os versos retomam a temática do vago e impreciso, característica da poesia simbolista.
II. A musicalidade é resultado do uso constante de aliterações.
III. A presença de versos brancos é um recurso bastante utilizado por Cruz e Sousa.
IV. Nesses versos, encontra-se a figura da sinestesia, aspecto comum na poesia simbolista.
Está correto apenas o que se afirma em: